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Caixas Multibanco para Pessoas com Deficiência: Qual o Ponto da Situação em Itália?

Autore: Francesco Zinghinì | Data: 25 Novembre 2025

Levantar dinheiro é um gesto quotidiano, quase automático, para a maioria das pessoas. Mas para milhões de cidadãos com deficiência, esta simples operação pode transformar-se num desafio intransponível. Caixas demasiado altas, ausência de sinais sonoros, teclados incompreensíveis: são apenas algumas das barreiras que negam um direito fundamental, o da autonomia financeira. Neste artigo, analisamos o ponto da situação da acessibilidade das caixas automáticas (ATM) em Itália, navegando entre normativas europeias, obstáculos culturais e inovações tecnológicas. O objetivo é perceber em que ponto estamos e qual o caminho que resta percorrer para uma sociedade verdadeiramente inclusiva.

O tema é mais atual do que nunca, especialmente com a recente entrada em vigor de novas diretivas que impulsionam todo o setor bancário para uma mudança radical. A autonomia no acesso ao próprio dinheiro não é um luxo, mas um componente essencial da dignidade e da participação social. Veremos como a Itália se posiciona no contexto europeu e mediterrânico, onde o impulso para a inovação tem de lidar com um património histórico e cultural que apresenta desafios únicos.

O Contexto Normativo: O Que Diz a Lei

O quadro normativo sobre a acessibilidade está em plena evolução, impulsionado principalmente pela legislação europeia. O ponto de viragem é o European Accessibility Act (EAA), a Diretiva (UE) 2019/882, que visa harmonizar as regras sobre a acessibilidade de produtos e serviços em toda a União. A partir de 28 de junho de 2025, esta diretiva impõe que os novos produtos e serviços colocados no mercado, incluindo as caixas automáticas (ATM), sejam totalmente acessíveis. A Itália transpôs esta normativa com o Decreto Legislativo 82 de 27 de maio de 2022, estendendo as obrigações também ao setor privado.

Isto significa que todas as novas caixas automáticas instaladas após essa data deverão respeitar critérios rigorosos, como estar posicionadas a uma altura adequada para quem usa uma cadeira de rodas, estar equipadas com comandos de voz e ter ecrãs de alto contraste. Para os serviços já existentes, as empresas têm até 28 de junho de 2030 para se adaptarem. É importante sublinhar que a lei italiana, já antes do EAA, considerava a falta de acessibilidade como uma forma de discriminação. Uma decisão do Tribunal de Cassação de 2016 (n.º 18762) estabeleceu que o obstáculo ao uso de uma caixa multibanco constitui uma barreira arquitetónica a ser eliminada, reconhecendo o direito da pessoa com deficiência à proteção antidiscriminatória.

As Barreiras Existentes: Um Obstáculo Quotidiano

Apesar de um quadro normativo cada vez mais rigoroso, a realidade quotidiana para as pessoas com deficiência ainda está repleta de obstáculos. As barreiras que impedem um acesso autónomo e seguro às caixas automáticas não são apenas físicas, mas também sensoriais e cognitivas, criando uma verdadeira discriminação no acesso a serviços essenciais. A impossibilidade de levantar dinheiro de forma autónoma limita a participação na vida social e económica, minando a independência pessoal.

Barreiras Arquitetónicas

As barreiras mais evidentes são as arquitetónicas. Frequentemente, as caixas automáticas são instaladas em passeios demasiado altos, precedidas por degraus ou posicionadas a uma altura que as torna inacessíveis para uma pessoa em cadeira de rodas. Imaginemos a frustração de Marco, um jovem profissional que se desloca em cadeira de rodas, ao encontrar-se diante de uma caixa que não consegue alcançar fisicamente. Mesmo quando a caixa automática é teoricamente acessível, o espaço em frente pode ser demasiado estreito para permitir as manobras necessárias. Estes problemas são particularmente sentidos nos centros históricos italianos, onde a adaptação estrutural dos edifícios coloca desafios complexos.

Barreiras Sensoriais e Cognitivas

Para as pessoas com deficiência visual, o principal desafio é a interação com a interface. A falta de teclados com referências táteis ou em Braille, a ausência de um guia de voz com uma entrada para auscultadores que garanta a privacidade, e ecrãs com baixo contraste tornam as operações impossíveis. Da mesma forma, a ausência de sinais visuais claros pode criar dificuldades para as pessoas com deficiência auditiva. Existem ainda as barreiras cognitivas: interfaces de utilizador demasiado complexas, instruções pouco claras ou um tempo limite demasiado curto para completar a operação podem excluir pessoas com dificuldades cognitivas ou idosos. A tecnologia, se não for projetada de forma inclusiva, torna-se um muro em vez de uma ponte.

Inovação e Tecnologia: As Soluções para a Acessibilidade

A tecnologia, se corretamente empregada, oferece soluções poderosas para derrubar as barreiras. A inovação no setor bancário não se limita às aplicações de home banking, mas está também a transformar o hardware das caixas automáticas. Vários bancos em Itália já começaram a implementar funcionalidades avançadas para tornar as suas caixas automáticas mais inclusivas, antecipando as obrigações normativas e respondendo a uma crescente procura de autonomia por parte dos clientes. Estes esforços demonstram que um futuro em que qualquer pessoa pode gerir as suas finanças de forma autónoma não só é possível, como já está em construção.

Funcionalidades Chave para uma Caixa Automática Acessível

Uma caixa automática verdadeiramente acessível deve integrar diversas funcionalidades pensadas para as diferentes necessidades. O design inclusivo não beneficia apenas as pessoas com deficiência, mas melhora a experiência para todos os utilizadores. Eis algumas das características fundamentais:

  • Guia de voz com entrada de áudio (jack): Para permitir que pessoas cegas ou com baixa visão sigam as instruções com total privacidade e segurança, através dos seus próprios auscultadores.
  • Teclado tátil e Braille: Teclas reconhecíveis ao toque, com um ponto em relevo no número 5, e inscrições em Braille para uma orientação imediata.
  • Ecrã de alto contraste: Opções para modificar as cores e aumentar o tamanho dos caracteres, para benefício dos utilizadores com baixa visão.
  • Posicionamento ergonómico: Instalação a uma altura alcançável por uma pessoa em cadeira de rodas, conforme previsto na normativa.
  • Indicadores luminosos e sonoros: Sinais que guiam o utilizador até às ranhuras de inserção do cartão e de saída das notas.
  • Operações sem cartão (Cardless): Tecnologias como os levantamentos cardless e NFC, que através do smartphone reduzem a necessidade de interagir fisicamente com a caixa, aumentando a simplicidade e a segurança para todos.

Estudos de Caso: Quem Está a Mover-se na Direção Certa

Em Itália, algumas instituições de crédito já se destacaram pelo seu compromisso com a acessibilidade. O UniCredit, por exemplo, estendeu a milhares das suas caixas automáticas em todo o território nacional uma função de levantamento dedicada a pessoas cegas e com baixa visão, que se ativa premindo uma tecla específica. Também o BNL Gruppo BNP Paribas tornou acessíveis todas as suas caixas automáticas a pessoas com deficiência visual, desenvolvendo o projeto em colaboração com a União Italiana de Cegos e Amblíopes (UICI). Estes exemplos positivos demonstram que a adaptação é tecnicamente viável e representa um importante passo em frente. Conhecer também a diferença entre os vários circuitos, como ilustrado no guia Bancomat, PagoBancomat e Postamat, ajuda a compreender melhor o ecossistema dos pagamentos.

Itália e Europa: Uma Comparação Cultural

O percurso da Itália em direção à acessibilidade insere-se num contexto europeu, mas com peculiaridades únicas ligadas à sua cultura e ao seu território. A cultura mediterrânica, frequentemente baseada numa forte rede de apoio familiar e comunitário, por vezes mascarou a necessidade de uma autonomia estrutural para as pessoas com deficiência. A tradição do “desenrascanço” ou de “pedir ajuda” a um transeunte ou ao pessoal da agência, embora movida por boas intenções, não pode substituir o direito a uma independência plena e segura. Esta abordagem contrasta com a visão do norte da Europa, mais orientada para garantir a autonomia individual através de soluções estruturais e tecnológicas.

Além disso, o inestimável património histórico-artístico italiano, com as suas aldeias e centros urbanos antigos, coloca dificuldades objetivas na eliminação das barreiras arquitetónicas. Adaptar um edifício histórico para instalar uma rampa ou uma caixa automática na altura correta exige um equilíbrio complexo entre a proteção do património e o direito à acessibilidade. No entanto, este desafio pode tornar-se uma oportunidade: a de desenvolver soluções inovadoras que respeitem a tradição, integrando a tecnologia de forma harmoniosa. O desafio é passar de uma cultura de assistência para uma cultura de direitos, onde a acessibilidade não é um favor, mas um padrão. Encontrar a caixa automática certa pode ser difícil, mas felizmente existem aplicações para a encontrar, que podem começar a filtrar também por acessibilidade.

Conclusões

O caminho da Itália em direção à acessibilidade total das caixas automáticas está num ponto de viragem. Por um lado, temos um forte impulso normativo, representado pelo European Accessibility Act, que estabelece prazos e requisitos claros. Por outro, persistem barreiras físicas e culturais que abrandam o processo. A tecnologia já oferece hoje soluções eficazes, como demonstram os casos virtuosos de algumas instituições de crédito, mas a sua adoção ainda não é generalizada. A acessibilidade não deve ser vista como uma mera obrigação legal ou um custo, mas como um investimento estratégico que gera valor social e económico, ampliando a base de clientes e promovendo uma imagem de responsabilidade e inclusão. Tornar um simples levantamento uma ação verdadeiramente simples para todos é um objetivo de civilidade que não pode mais ser adiado.

Perguntas frequentes

O que prevê a lei para a acessibilidade das caixas automáticas em Itália?

Em Itália, a acessibilidade das caixas automáticas é regulada principalmente pelo European Accessibility Act (EAA), transposto por um decreto legislativo. A partir de 28 de junho de 2025, todas as novas caixas automáticas colocadas no mercado deverão respeitar requisitos precisos de acessibilidade para pessoas com deficiência motora, visual ou cognitiva. As empresas terão depois até 2030 para adaptar também os serviços já existentes.

Como pode uma pessoa cega utilizar uma caixa multibanco?

Uma pessoa cega pode usar as caixas automáticas acessíveis graças a duas funções chave: um guia de voz e um teclado físico com referências táteis. Ao inserir um par de auscultadores na entrada de áudio apropriada (jack), o utilizador recebe instruções de voz para cada operação. A tecla ‘5’, geralmente reconhecível ao toque, ativa este modo, permitindo digitar o PIN e escolher as opções com total autonomia e privacidade.

Que características tornam uma caixa automática acessível para quem está em cadeira de rodas?

Para ser acessível a uma pessoa com deficiência motora, uma caixa automática deve, antes de mais, estar livre de barreiras arquitetónicas como degraus, sendo portanto alcançável através de uma rampa. Além disso, a altura do ecrã, da ranhura para o cartão, do teclado e do dispensador de notas deve ser tal que possa ser utilizada confortavelmente a partir de uma posição sentada.

O que posso fazer se a caixa automática do meu banco não for acessível?

Se uma caixa automática não for acessível, o primeiro passo é reportar o problema diretamente à agência do banco. Caso a reclamação não leve a uma solução, é possível recorrer a associações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência. A lei prevê instrumentos para a proteção contra a discriminação, incluindo a possibilidade de uma ação judicial para exigir a adaptação da caixa.

Existem aplicações para encontrar caixas multibanco acessíveis?

Sim, existem aplicações que ajudam a localizar as caixas automáticas acessíveis. Algumas aplicações dos próprios bancos incluem filtros para procurar caixas com características específicas de acessibilidade. No passado, também foram lançadas aplicações dedicadas como a ‘B Map’, projetadas precisamente para mapear e guiar os utilizadores até às caixas automáticas sem barreiras arquitetónicas ou equipadas com suportes para deficiência visual.