Versione PDF di: Primeira Casa a Dois: Guia de Orçamento, Crédito Habitação e Compra

Questa è una versione PDF del contenuto. Per la versione completa e aggiornata, visita:

https://blog.tuttosemplice.com/pt/primeira-casa-a-dois-guia-de-orcamento-credito-habitacao-e-compra/

Verrai reindirizzato automaticamente...

Primeira Casa a Dois: Guia de Orçamento, Crédito Habitação e Compra

Autore: Francesco Zinghinì | Data: 5 Dicembre 2025

A compra da primeira casa é um marco fundamental na vida de um casal, um projeto que entrelaça sonhos, expectativas e um considerável empenho económico. Em Itália, este passo assume um valor cultural profundo, símbolo de estabilidade e da construção de um futuro em comum. Enfrentar este percurso exige um planeamento cuidadoso e uma comunicação transparente, especialmente num mercado imobiliário em constante evolução. Navegar entre orçamentos, créditos habitação e aspetos legais pode parecer complexo, mas com as informações certas, torna-se uma aventura partilhada que fortalece a relação. Este artigo oferece um guia completo para os casais que desejam transformar o sonho do “ninho” numa realidade sólida, unindo a tradição do tijolo com as inovações financeiras e legais hoje disponíveis.

O mercado imobiliário italiano, segundo as previsões para 2025, mostra sinais de transformação. Prevê-se um crescimento moderado das transações de compra e venda, atingindo cerca de 725 mil transações. No entanto, observa-se uma dinâmica particular: a procura de imóveis está a aumentar, enquanto a oferta tende a diminuir. Este desequilíbrio está a influenciar os preços, com uma tendência de subida prevista por 35% dos agentes imobiliários. Para os casais, isto significa mover-se num contexto competitivo, onde a rapidez e a preparação são essenciais. Compreender estas dinâmicas é o primeiro passo para planear uma estratégia de compra eficaz e consciente, transformando os desafios do mercado em oportunidades concretas.

O Sonho da Casa: Tradição e Inovação no Contexto Italiano

Em Itália, a compra da casa é mais do que um simples investimento; é um rito de passagem que tem as suas raízes na cultura mediterrânica, onde a família e a estabilidade habitacional representam valores centrais. Este desejo tradicional colide hoje com um mercado dinâmico e com novas formas de relacionamento, como as uniões de facto, que exigem soluções inovadoras. A tecnologia revolucionou o processo: portais online, simuladores de crédito habitação e consultores digitais complementam as agências imobiliárias tradicionais. Os casais modernos devem, portanto, equilibrar o valor do “tijolo” com a flexibilidade oferecida pelas ferramentas digitais, criando um percurso de compra que seja ao mesmo tempo sólido e atual. Esta fusão entre o antigo e o novo define a experiência de compra para as gerações atuais.

A abordagem à compra de imóveis mudou. Se antigamente a pesquisa se baseava no passa-a-palavra e nas montras das agências, hoje o primeiro contacto acontece quase sempre online. Os casais podem explorar milhares de anúncios, comparar preços e visitar virtualmente as casas. Esta inovação, no entanto, não substitui o valor da tradição. O aperto de mão final, a assinatura no notário e a escolha de materiais que durem no tempo permanecem momentos carregados de significado. A inovação manifesta-se também nas soluções habitacionais, com um crescente interesse por casas eficientes do ponto de vista energético e construídas com técnicas sustentáveis. Os casais de hoje procuram uma habitação que não só reflita o seu estilo de vida, mas que seja também um investimento responsável para o futuro.

Diálogo e Planeamento: O Primeiro Passo Fundamental

Antes mesmo de consultar anúncios imobiliários ou calcular um crédito habitação, o passo mais importante para um casal é o diálogo. Comprar casa juntos é uma decisão que terá impacto nas finanças e no estilo de vida de ambos durante anos. É essencial sentarem-se e discutirem abertamente sobre visões, expectativas e medos. Perguntas como “Que tipo de casa queremos?“, “Em que zona?“, “Quais são os nossos planos a longo prazo, como filhos ou mudanças de trabalho?” devem encontrar uma resposta partilhada. Esta conversa inicial não é apenas prática, mas constrói as bases de confiança sobre as quais todo o projeto assenta. Alinhar os desejos e estabelecer objetivos comuns previne mal-entendidos futuros e transforma um processo potencialmente stressante numa experiência de crescimento partilhado.

O planeamento financeiro é o cerne deste diálogo. É crucial ser transparente sobre a própria situação económica: salários, poupanças, eventuais dívidas anteriores e hábitos de consumo. Criar um quadro financeiro honesto e completo permite estabelecer um orçamento realista. Este não é o momento para otimismo injustificado ou para esconder as próprias preocupações. Um exemplo prático é o de Marco e Giulia, ambos com um emprego estável, mas com diferentes propensões para a poupança. Ao porem no papel as suas receitas e despesas, descobriram que podiam destinar ao projeto da casa um valor inferior ao que imaginavam individualmente, mas mais sustentável para ambos. Esta consciencialização guiou-os para uma pesquisa mais focada e serena, evitando as desilusões de casas fora do seu alcance.

Definir o Orçamento: Quanto Podem Realmente Pagar?

Estabelecer o orçamento de compra é uma operação matemática e emocional. O ponto de partida é calcular a vossa capacidade de despesa total, que não se limita apenas ao preço do imóvel. Devem considerar uma série de custos adicionais: os impostos (de selo, IMT), as despesas notariais, os custos de uma eventual agência imobiliária e as despesas de processo e avaliação do crédito habitação. Uma regra geral, frequentemente usada pelos bancos, é que a prestação do crédito habitação não deve exceder um terço do rendimento líquido mensal combinado do casal. Isto assegura que o encargo financeiro seja sustentável ao longo do tempo, deixando margem para outras despesas e imprevistos. Utilizar um simulador de crédito habitação online pode oferecer uma primeira estimativa útil, mas uma consultoria personalizada é sempre recomendada.

A entrada, ou sinal, é a quantia de dinheiro que terão de pagar do vosso bolso e representa um dos primeiros desafios para um casal. Geralmente, os bancos financiam até 80% do valor do imóvel (Loan-to-Value), exigindo, portanto, que o comprador disponha de pelo menos 20% do preço, além dos fundos para as despesas acessórias. Para os jovens, existem alguns apoios. O Fundo de Garantia para a Primeira Casa (Fondo di Garanzia Prima Casa), gerido pela Consap, pode elevar a garantia estatal até 80% para as categorias prioritárias, como casais com menos de 36 anos e um ISEE (Indicador da Situação Económica Equivalente) inferior a 40.000 euros, tornando possíveis financiamentos até 100%. Poupar para a entrada exige disciplina: definam um objetivo mensal, abram uma conta poupança dedicada e acompanhem o progresso. Este esforço inicial não só vos aproxima da casa, como também demonstra ao banco a vossa fiabilidade financeira.

A Escolha do Crédito Habitação: Um Compromisso a Longo Prazo

A escolha do crédito habitação é uma das decisões mais críticas no processo de compra. As opções principais são a taxa fixa, a taxa variável e a taxa mista. Um crédito habitação de taxa fixa oferece uma prestação constante durante toda a duração do financiamento, garantindo certeza e proteção contra eventuais subidas das taxas de juro. É a escolha ideal para quem prefere a estabilidade e quer planear as suas finanças sem surpresas. A taxa variável, por outro lado, está ligada à evolução de índices como a Euribor e pode oferecer prestações iniciais mais baixas, mas expõe ao risco de aumentos futuros. É adequada para quem tem uma maior propensão ao risco e espera que as taxas desçam. A escolha depende da vossa situação económica, dos planos futuros e da vossa tolerância pessoal à incerteza.

Ter o crédito habitação em nome de ambos é o caminho mais comum para os casais, pois unir os rendimentos aumenta as hipóteses de obter o financiamento e de aceder a montantes maiores. O banco, tendo dois devedores, percebe um risco menor e pode oferecer condições mais vantajosas. No entanto, a titularidade conjunta implica uma responsabilidade solidária: se um dos parceiros deixar de pagar, o banco pode exigir a totalidade da prestação ao outro. Este compromisso legal sobrevive mesmo a uma eventual separação. É fundamental compreender plenamente as implicações de um crédito habitação em conjunto. Uma alternativa é que apenas um parceiro seja o titular do crédito, enquanto o outro pode contribuir para as despesas com base em acordos privados. Esta solução, no entanto, deve ser avaliada cuidadosamente, especialmente no que diz respeito às proteções legais em caso de fim da relação.

Aspetos Legais: Proteger o Vosso Investimento Comum

Quando um casal compra casa, a forma legal da propriedade é tão importante quanto a escolha do imóvel. Para os casais casados, a escolha é entre o regime de comunhão de bens e o de separação de bens. Com a comunhão de adquiridos, o imóvel comprado após o casamento torna-se propriedade de ambos a 50%, independentemente de quem pagou ou de quem é titular do crédito habitação. A separação de bens, por outro lado, permite que a casa seja registada em nome de um só cônjuge ou de ambos em quotas diferentes, que devem ser especificadas na escritura de compra. Esta escolha influencia não só a propriedade, mas também a gestão do património e eventuais cenários futuros, como uma separação ou uma sucessão.

Para os casais em união de facto, a situação requer ainda mais atenção, pois não gozam das proteções automáticas previstas para os cônjuges. A solução mais segura é a compropriedade, comprando o imóvel em conjunto e especificando as quotas de propriedade na escritura notarial. Isto garante que ambos os parceiros tenham direitos reais sobre a casa. É fundamental também pensar na sucessão: na ausência de um testamento, o companheiro sobrevivo não é um herdeiro legítimo e a quota do imóvel do parceiro falecido iria para os herdeiros legais (como pais ou irmãos). Para se protegerem, é aconselhável fazer um testamento ou celebrar um contrato de união de facto que regule os aspetos patrimoniais.

Da Pesquisa à Escritura: As Fases da Compra

Uma vez definidos o orçamento e as prioridades, começa a fase ativa da pesquisa. Usem tanto os canais online, para ter uma visão ampla do mercado, como o apoio de uma agência imobiliária de confiança, que pode oferecer conhecimento local e acesso a imóveis ainda não publicitados. Durante as visitas, vão além da estética: verifiquem o estado das instalações, a exposição à luz, a eficiência energética e a documentação do imóvel, como a certidão de teor e a planta cadastral. Uma vez encontrada a casa certa, o passo seguinte é a proposta de compra, um documento vinculativo com o qual se oferece um preço ao vendedor. Se for aceite, procede-se ao contrato-promessa de compra e venda, um acordo que vincula ambas as partes à transação e onde se paga um sinal.

A última fase é a escritura pública de compra e venda, o ato público que formaliza a transferência de propriedade. Antes deste momento, o banco deve ter concluído a análise do processo e concedido a aprovação do crédito. No dia da escritura, na presença do notário, assinam-se tanto a escritura de compra e venda como o contrato de crédito habitação. É um momento formal e crucial, onde o notário verifica a legalidade de toda a operação e garante que o imóvel está livre de hipotecas ou outros ónus. Com a assinatura e a entrega das chaves, o sonho torna-se finalmente realidade. A partir daqui, resta apenas tratar das últimas formalidades, como a transferência dos contratos de serviços (água, luz, etc.) e a comunicação da alteração de residência, para começarem a viver a vossa nova vida juntos.

Conclusões

Planear a compra da primeira casa a dois é uma jornada que vai além da simples transação financeira. É um percurso de diálogo, compromisso e planeamento partilhado que, se enfrentado com consciência, pode fortalecer profundamente a relação. Num contexto italiano que mistura o valor tradicional da casa com as oportunidades da inovação digital e financeira, os casais têm à sua disposição ferramentas e informações para fazer escolhas ponderadas. Desde a definição de um orçamento realista até à compreensão das proteções legais, cada passo contribui para construir não apenas um património, mas um verdadeiro projeto de vida. Enfrentar esta aventura com preparação e transparência transforma as complexidades do mercado numa oportunidade para lançar bases sólidas, tanto para a casa como para o futuro em conjunto.

Perguntas frequentes

Compensa ter a casa em nome de ambos ou é melhor que apenas um dos parceiros a compre?

A compropriedade do imóvel é uma escolha muito comum e frequentemente vantajosa, especialmente se ambos contribuem financeiramente. Ter a casa em nome de ambos a 50% significa que ambos são proprietários em igual medida. Isto fortalece a posição de ambos perante o banco para o pedido de um crédito habitação, uma vez que os rendimentos se somam. No entanto, a decisão depende da vossa situação específica. Se apenas um dos dois tem a estabilidade económica para suportar a compra, o registo em nome de um só pode ser mais simples, embora existam soluções como o crédito habitação em nome de ambos para um imóvel registado em nome de uma só pessoa. É fundamental discutir abertamente este aspeto para evitar problemas futuros.

O que acontece à casa e ao crédito habitação em nome de ambos se nos separarmos?

Em caso de separação, a gestão da casa e do crédito habitação em nome de ambos depende dos acordos que conseguirem alcançar. As opções mais comuns são: vender o imóvel e dividir o valor obtido (depois de liquidar o crédito), ou um dos parceiros pode comprar a quota do outro, assumindo a totalidade da prestação do crédito remanescente. Se não se chegar a um acordo, especialmente na ausência de filhos, pode-se chegar a uma divisão judicial que poderá levar à venda do imóvel em leilão. Se houver filhos menores ou não autossuficientes, o juiz pode decidir atribuir a casa ao progenitor que cuidará deles, independentemente da propriedade.

Quanto dinheiro é preciso de entrada para comprar a primeira casa a dois?

Geralmente, os bancos financiam até 80% do valor do imóvel, pelo que, como casal, deverão ter de parte pelo menos 20% do preço de compra como entrada. Por exemplo, para uma casa de 200.000 euros, a entrada exigida será de 40.000 euros. A este valor devem ser adicionadas as despesas acessórias, que podem representar mais 8-10% e incluem os impostos, as despesas notariais e a eventual comissão da agência imobiliária. Existem, no entanto, alguns apoios, como o Fundo de Garantia para a Primeira Casa em Itália, que podem permitir obter um crédito superior a 80%, reduzindo a entrada necessária, especialmente para os casais jovens.

Podemos obter um crédito habitação se um de nós tiver um contrato de trabalho a prazo?

Sim, é possível. Ter um crédito habitação em nome de ambos aumenta as garantias para o banco, e a presença de pelo menos um rendimento estável (proveniente de um contrato sem termo) é um fator muito positivo. A titularidade conjunta é frequentemente uma solução recomendada precisamente para os casais em que um dos dois tem um trabalho atípico ou é trabalhador independente. O banco avaliará a soma dos vossos rendimentos e a estabilidade geral da vossa situação financeira para decidir a viabilidade do financiamento.

Existem bónus ou apoios para jovens casais que compram a primeira casa?

Sim, em Itália existem vários apoios. O mais importante é o “Bónus Primeira Casa Sub-36”, que foi prorrogado no que diz respeito ao acesso ao Fundo de Garantia estatal até 80% do valor do crédito, uma medida válida até 2027. Este bónus destina-se a quem tem menos de 36 anos e um ISEE (Indicador da Situação Económica Equivalente) não superior a 40.000 euros. Embora os benefícios fiscais diretos (como a isenção dos impostos de registo, hipotecário e cadastral) não tenham sido prorrogados nas mesmas formas dos anos anteriores, o acesso facilitado ao crédito através do fundo de garantia representa uma ajuda concreta e significativa para os jovens casais.