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Imagine que está a planear uma caminhada na montanha. Antes de partir, verifica a previsão do tempo não só para saber se vai estar sol, mas também para conhecer a temperatura mínima prevista. Quer estar preparado para o pior cenário e levar consigo o vestuário adequado. No mundo dos investimentos, existe uma ferramenta que desempenha uma função semelhante: o Value at Risk (VaR). Não prevê o futuro, mas oferece uma estimativa da perda máxima que um portefólio poderia sofrer em condições normais de mercado, ajudando-o a preparar-se e a gerir a incerteza.
As finanças modernas são complexas e o risco é uma sua componente ineliminável. Quer seja um pequeno aforrador ou um grande investidor institucional, a pergunta é sempre a mesma: “Quanto poderia perder?”. O Value at Risk procura responder a esta pergunta de forma clara e sintética. Este artigo explorará de forma simples o que é o VaR, como funciona, quais são os seus métodos de cálculo e como se insere no contexto financeiro português e europeu, unindo a tradicional cultura de poupança com as mais recentes inovações na gestão de risco.
O Value at Risk (VaR) é uma medida estatística que quantifica o nível de risco financeiro de um investimento ou de um portefólio. Em palavras simples, o VaR responde a uma pergunta precisa: “Qual é a perda máxima que posso razoavelmente esperar sofrer num determinado período de tempo, com um certo nível de probabilidade?”. Para compreender plenamente esta definição, é fundamental decompô-la nos seus três elementos-chave: o horizonte temporal, o nível de confiança e o montante da perda potencial.
O horizonte temporal é o período de referência para a estimativa, que pode ser um dia, uma semana ou um mês. O nível de confiança, geralmente fixado em 95% ou 99%, indica a probabilidade de as perdas não excederem o valor calculado. Por fim, o próprio VaR é o montante máximo da perda, expresso em valor absoluto (ex: 10.000 euros) ou em percentagem (ex: 5% do portefólio).
Um VaR de 5.000 euros a um dia com um nível de confiança de 95% significa que há 95% de probabilidade de o seu portefólio não perder mais de 5.000 euros no dia seguinte. Consequentemente, existe uma probabilidade de 5% de que a perda possa ser superior a esse valor.
Não existe uma fórmula única para calcular o VaR; a sua estimativa pode variar dependendo da metodologia utilizada. Cada abordagem tem os seus pressupostos, vantagens e desvantagens, mas todas visam fornecer uma síntese numérica do risco de mercado. Os três métodos mais difundidos são o método histórico, o paramétrico e a simulação de Monte Carlo. A escolha do método depende do tipo de instrumentos financeiros no portefólio, da disponibilidade de dados e do nível de precisão exigido.
O método da simulação histórica é o mais intuitivo. Funciona partindo do pressuposto de que o futuro pode assemelhar-se ao passado. Para calcular o VaR, recolhem-se os dados históricos dos retornos diários de um portefólio para um determinado período (por exemplo, os últimos dois anos). Em seguida, estes retornos são ordenados do pior para o melhor. Se se desejar um nível de confiança de 95%, irá identificar-se os 5% dos piores retornos. O VaR corresponderá à perda mínima registada neste intervalo. O seu ponto forte é a simplicidade, pois não faz suposições sobre a distribuição estatística dos retornos. No entanto, o seu grande limite é que se baseia inteiramente em dados passados, que podem não ser representativos das condições futuras, especialmente durante períodos de alta turbulência.
A abordagem paramétrica, também conhecida como método da variância-covariância, foi popularizada pela J.P. Morgan nos anos 90. Este método pressupõe que os retornos dos investimentos seguem uma distribuição normal, a clássica curva em sino (gaussiana). Para calcular o VaR, são necessários dois parâmetros estatísticos: o retorno médio (o valor esperado) e o desvio padrão, uma medida da volatilidade. Embora seja rápido e simples de calcular, a sua principal desvantagem reside no pressuposto da normalidade. Os mercados financeiros, de facto, são conhecidos pelos seus “cisnes negros”, eventos raros e extremos que a curva normal não consegue prever adequadamente.
A simulação de Monte Carlo é a metodologia mais complexa e flexível. Ao contrário das outras duas abordagens, não se limita a observar o passado ou a fazer suposições restritivas. Em vez disso, utiliza modelos matemáticos para gerar centenas ou milhares de possíveis cenários futuros para os retornos do portefólio. Para cada cenário, é calculado o lucro ou a perda. No final da simulação, obtém-se uma distribuição completa dos possíveis resultados, da qual é possível derivar o VaR para o nível de confiança desejado. Este método é muito poderoso porque pode modelar até portefólios complexos, mas requer uma considerável capacidade de computação. Se quiser aprofundar, pode ler o nosso guia sobre a simulação de Monte Carlo para prever a incerteza.
Para tornar o conceito mais concreto, imaginemos um investidor, o Marco, que vive em Portugal e tem um portefólio de 100.000 euros investido em ações do mercado europeu. Preocupado com as oscilações do mercado, pede ao seu consultor para calcular o risco. O consultor analisa o portefólio e comunica ao Marco que “o VaR a 10 dias é de 4.000 euros, com um nível de confiança de 99%“.
O que significa exatamente esta frase? Significa que, com base nos modelos estatísticos utilizados, há uma probabilidade de 99% de que o portefólio do Marco não perca mais de 4.000 euros (4% do valor total) nos próximos 10 dias de negociação. Existe, no entanto, uma pequena probabilidade, igual a 1%, de que as perdas possam exceder este limiar devido a eventos de mercado particularmente adversos. Graças a este único número, o Marco tem agora uma ideia quantitativa do risco que está a correr, uma informação muito mais útil do que a afirmação genérica “o seu portefólio é de risco médio-alto”.
A aplicação de modelos de gestão de risco como o VaR assume nuances particulares quando inserida no contexto português e europeu, onde a cultura financeira é um entrelaçamento de tradição e impulso para a inovação. O investidor português médio mostra frequentemente uma forte aversão ao risco, com uma preferência histórica por ativos tangíveis como o “tijolo” e instrumentos considerados seguros como os títulos de dívida pública. Neste cenário, o VaR funciona como uma ponte: traduz a prudência tradicional para uma linguagem financeira moderna e quantificável, permitindo gerir de forma mais consciente também a construção de um portefólio moderno.
A nível europeu, a regulamentação impulsiona uma maior transparência e padronização. Regulamentações como a DMIF II (MiFID II) e as diretivas da Autoridade Bancária Europeia (EBA) e da ESMA tornaram a gestão de risco um pilar fundamental para bancos e sociedades de investimento. O VaR tornou-se uma ferramenta padrão em toda a União Europeia para a medição do risco de mercado e para o cálculo dos requisitos de capital que as instituições devem deter face às suas exposições. Neste sentido, o VaR não é apenas uma ferramenta técnica, mas também um elemento-chave da análise quantitativa, que promove uma linguagem comum do risco em todo o mercado único financeiro.
Apesar da sua ampla difusão, o VaR não é uma ferramenta perfeita e recebeu várias críticas, especialmente após a crise financeira de 2008. O seu principal limite é que responde à pergunta “qual é a minha perda máxima provável?”, mas não diz nada sobre a magnitude das perdas no caso de ocorrer um daqueles eventos raros que ficam fora do nível de confiança. Por outras palavras, um VaR a 99% diz-lhe que apenas um dia em cem poderá perder mais do que o valor indicado, mas não lhe diz se essa perda será ligeiramente superior ou catastrófica.
Como salientou o célebre ensaísta Nassim Nicholas Taleb, o VaR pode criar uma falsa sensação de segurança, ignorando o potencial impacto dos “cisnes negros”, eventos imprevisíveis com consequências devastadoras.
Para superar este limite, os analistas financeiros frequentemente complementam o VaR com outras medidas, como o Stress Testing (que simula o impacto de crises extremas) e o Conditional VaR (CVaR) ou Expected Shortfall. Este último indicador responde a uma pergunta mais prudente: “Se as coisas correrem mal e eu ultrapassar o limiar do VaR, qual será a minha perda média esperada?”. O uso combinado destas ferramentas oferece uma visão do risco muito mais completa e robusta.
O Value at Risk não é uma bola de cristal capaz de prever com certeza as perdas futuras, mas sim uma régua sofisticada para medir o risco. O seu maior mérito é a capacidade de sintetizar o risco de mercado de um portefólio inteiro num único número, tornando um conceito complexo facilmente compreensível até para os não especialistas. Fornece um ponto de referência fundamental para tomar decisões de investimento mais informadas e conscientes.
Para o investidor e o aforrador português, compreender o que é o VaR significa adquirir mais uma ferramenta para dialogar com o seu banco ou consultor financeiro. Significa passar de uma perceção genérica do risco para a sua medição quantitativa. Embora seja importante estar ciente dos seus limites, o VaR continua a ser um pilar da gestão de risco moderna. Conhecê-lo é o primeiro passo para navegar nos mercados financeiros com maior segurança, protegendo as suas poupanças e construindo um futuro financeiro mais sólido.
O Value at Risk, ou VaR, é uma medida estatística que estima a perda máxima potencial que um investimento ou portefólio pode sofrer num determinado período de tempo, com um certo nível de probabilidade. Por exemplo, um VaR diário de 1.000 euros com 95% de confiança significa que há 95% de probabilidade de as perdas não ultrapassarem os 1.000 euros no decorrer do dia seguinte.
Mesmo para um pequeno investidor, o VaR é útil porque traduz um conceito complexo como o risco de mercado num único número, fácil de interpretar. Ajuda a tomar consciência da perda máxima potencial em condições normais, permitindo escolher investimentos mais alinhados com a sua tolerância ao risco e diversificar melhor o portefólio.
Existem três métodos principais. O ‘método histórico’ baseia-se nos retornos passados para prever as perdas futuras. O ‘método paramétrico’ (ou variância-covariância) utiliza estimativas estatísticas como média e desvio padrão, assumindo uma distribuição normal dos retornos. Por fim, a ‘simulação de Monte Carlo’ gera milhares de possíveis cenários futuros para calcular o risco, sendo o mais flexível, mas também o mais complexo.
Não, o VaR não é infalível e tem limites importantes. A sua principal fraqueza é que não fornece informações sobre a magnitude das perdas que podem ocorrer em cenários extremos, os chamados ‘cisnes negros’, ou seja, aqueles eventos que ficam fora do nível de confiança estatística (por exemplo, nos 5% de casos não cobertos por um VaR a 95%). Por isso, é aconselhável usá-lo em conjunto com outras métricas de risco.
Em Portugal e na Europa, o VaR é uma ferramenta padrão para bancos e sociedades gestoras de patrimónios. É utilizado para a gestão interna do risco de portefólio e para cumprir os requisitos regulamentares impostos por autoridades como o Banco de Portugal e a ESMA, no âmbito dos acordos de Basileia III. Estes regulamentos exigem que os bancos detenham capital suficiente para cobrir as perdas potenciais, e o VaR é uma das ferramentas-chave para calcular esse requisito.