Em Resumo (TL;DR)
Compreender a importância e, em alguns casos, a obrigatoriedade de uma apólice por negligência grave é fundamental para qualquer profissional liberal que queira proteger-se de pedidos de indemnização por negligência evidente.
Descubra para que categorias profissionais é obrigatória e porque representa uma proteção fundamental para todos os trabalhadores independentes.
Descubra para que categorias profissionais se tornou uma obrigação legal e como protege o património pessoal da ação de regresso.
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Ser um profissional liberal em Itália significa navegar num mar de responsabilidades. Entre prazos, clientes e regulamentos, um erro pode acontecer. Mas nem todos os erros são iguais. Existe uma distinção fundamental entre um simples lapso e um erro crasso, definido juridicamente como “negligência grave”. Esta diferença não é apenas uma subtileza legal, mas um ponto crucial que pode ter impactos devastadores no património de um profissional. Compreender quando e por que é necessária uma apólice específica para negligência grave é um passo fundamental para proteger a própria carreira e o futuro financeiro, unindo a tradição da prudência mediterrânica com a inovação das ferramentas de seguros modernas.
A atividade profissional, por sua natureza, implica a assunção de uma obrigação de meios: o profissional é obrigado a operar com a diligência exigida pela natureza da atividade. No entanto, quando essa diligência falta de forma flagrante, entra-se no campo da negligência grave. Ao contrário da negligência leve, que é um erro desculpável, a negligência grave é uma negligência macroscópica, uma imperícia ou uma imprudência que nenhum profissional atento teria cometido. É precisamente para se proteger das consequências económicas destes erros mais sérios que existe uma cobertura de seguro específica, distinta da comum RC Profissional.

A Negligência Grave: uma definição clara
O Código Civil italiano não fornece uma definição explícita de negligência grave, mas delineia os seus contornos através do artigo 1176, que exige a “diligência de um bom pai de família”, a ser avaliada com respeito à natureza da atividade exercida. A jurisprudência construiu então o conceito de negligência grave, identificando-a em três elementos fundamentais: uma notável imprudência, uma negligência manifesta ou uma grave imperícia. Em suma, trata-se de um erro grosseiro e indesculpável, um desvio macroscópico das regras e práticas consolidadas da profissão. Um exemplo prático pode ser um contabilista que omite durante anos a apresentação de declarações fiscais obrigatórias.
A negligência grave configura-se como uma conduta que se desvia de modo acentuado e indesculpável dos padrões mínimos de diligência e perícia exigidos pela profissão, representando um erro que um profissional medianamente atento nunca teria cometido.
A distinção com a negligência leve é substancial: enquanto esta última é um erro de menor entidade, quase “aceitável” na complexidade de uma atividade profissional, a negligência grave é um erro crasso que quase sempre dá origem a uma responsabilidade e a uma consequente obrigação de indemnização. Por isso, a avaliação da gravidade da negligência é sempre delegada à interpretação do juiz, que analisa o comportamento concreto do profissional.
Quando a apólice de Negligência Grave se torna uma obrigação

Em Itália, a necessidade de uma cobertura de seguro para a negligência grave tornou-se um tema central, especialmente em alguns setores. A obrigação de subscrever uma apólice de responsabilidade civil profissional foi introduzida para muitas categorias profissionais inscritas em ordens pelo D.P.R. 137/2012. Esta obrigação geral visa proteger os clientes dos danos resultantes de erros profissionais. No entanto, para algumas profissões, a legislação foi mais longe, exigindo explicitamente uma cobertura para a negligência grave.
O setor da saúde: um caso emblemático
O caso mais significativo é o dos profissionais de saúde. A Lei Gelli-Bianco (Lei 24/2017) revolucionou o quadro da responsabilidade médica, estabelecendo uma obrigação específica para todos os profissionais de saúde que operam em estruturas de saúde (públicas ou privadas) de se dotarem de um seguro adequado para a negligência grave. Esta apólice serve para cobrir a ação de regresso que a estrutura de saúde (ou a sua companhia de seguros) pode exercer sobre o profissional, caso seja chamada a indemnizar um dano causado por um erro seu cometido com, precisamente, negligência grave. Para os médicos que operam como profissionais liberais, por outro lado, é necessária uma RC Profissional completa que cubra tanto a negligência leve como a grave.
Outras profissões em risco
Embora a obrigação específica para a negligência grave seja mais rigorosa no setor da saúde, também outros profissionais liberais deveriam considerar atentamente esta cobertura. Engenheiros, arquitetos, contabilistas e advogados, apesar de terem uma obrigação genérica de RC profissional, estão expostos a riscos que podem resultar em litígios por negligência grave. Pense-se num engenheiro que comete um erro de cálculo estrutural grosseiro ou num advogado que deixa passar os prazos para um recurso fundamental. Nestes cenários, uma apólice de RC base poderia não ser suficiente, tornando a garantia para negligência grave uma escolha de prudência e inovação na gestão do risco profissional.
Como funciona a cobertura para Negligência Grave
A apólice para negligência grave não é um seguro padrão, mas uma garantia específica que se junta à RC profissional de base. Muitas vezes, é incluída como uma extensão ou como uma apólice autónoma. O seu principal objetivo é isentar o segurado das quantias que seria obrigado a pagar na sequência de uma ação de regresso por parte da estrutura para a qual trabalha ou, no caso de funcionários públicos, na sequência de uma condenação por dano ao erário público pelo Tribunal de Contas. Este tipo de cobertura protege o património pessoal do profissional, que de outra forma estaria diretamente exposto ao pedido de indemnização.
As apólices para negligência grave operam tipicamente em regime claims made, ou seja, cobrem os pedidos de indemnização apresentados durante o período de validade do contrato, mesmo que o erro tenha sido cometido no passado. Por este motivo, é fundamental prestar atenção à retroatividade da cobertura, que deve estender-se por um número adequado de anos (muitas vezes dez) para cobrir também erros cometidos antes da subscrição. Da mesma forma, uma garantia póstuma é crucial para estar protegido mesmo após a cessação da atividade.
Tradição e Inovação: porque fazer um seguro é uma escolha cultural
No contexto cultural mediterrânico e italiano, onde a profissão liberal está frequentemente ligada a uma forte tradição familiar e a uma ética de trabalho enraizada, a ideia de cometer um erro grave pode ser um tabu. No entanto, a crescente complexidade normativa e as maiores expectativas dos clientes aumentaram exponencialmente os riscos. Optar por um seguro para negligência grave não é uma admissão de incompetência, mas um ato de responsabilidade e visão de futuro. É uma forma de unir a prudência, um valor tradicional, com as ferramentas inovadoras que o mercado de seguros oferece para proteger o próprio trabalho e património. Ignorar este risco, numa era de crescente contencioso, significa colocar em perigo não só a própria estabilidade financeira, mas também a continuidade de uma atividade construída com anos de sacrifícios. Uma escolha consciente, como a de proteger o seu escritório em casa, torna-se parte integrante de uma estratégia de negócio sólida e moderna.
Conclusões

Em conclusão, a apólice para negligência grave não é uma opção para muitos profissionais liberais, mas uma necessidade imposta pela lei ou pela simples prudência. Para os profissionais de saúde, trata-se de uma obrigação normativa clara, introduzida para equilibrar as responsabilidades dentro do sistema de saúde. Para outras categorias, como engenheiros, arquitetos ou contabilistas, representa uma proteção fundamental contra erros macroscópicos que poderiam ter consequências económicas desastrosas. Avaliar atentamente a própria exposição ao risco e escolher uma cobertura adequada, com capitais seguros, retroatividade e cobertura póstuma adequados à sua atividade específica, é um investimento indispensável para trabalhar com serenidade. Num mercado europeu cada vez mais competitivo, proteger a própria profissionalidade significa garantir continuidade e solidez ao próprio negócio, honrando a tradição através da inovação.
Perguntas frequentes

A apólice por negligência grave é uma cobertura de seguro que protege um profissional de pedidos de indemnização por danos causados por uma negligência macroscópica e indesculpável. Destina-se principalmente a profissionais de saúde (médicos, enfermeiros) funcionários de estruturas públicas ou privadas, conforme previsto pela Lei Gelli-Bianco. Esta apólice cobre a ação de regresso que a estrutura de saúde (ou a sua seguradora) pode exercer contra o profissional após ter indemnizado um paciente. Embora seja central no setor médico, é também relevante para outros profissionais como contabilistas, engenheiros e funcionários públicos que possam causar um dano ao erário público.
Sim, para algumas categorias é obrigatório. A Lei Gelli-Bianco (Lei 24/2017) tornou obrigatória uma apólice adequada por negligência grave para todos os profissionais de saúde que trabalham em estruturas de saúde, tanto públicas como privadas. Esta obrigação acresce à já existente desde 2012 (D.P.R. 137/2012) para todos os profissionais inscritos numa ordem (como advogados, contabilistas, arquitetos) de terem uma RC profissional, que muitas vezes inclui ou pode ser integrada com a cobertura por negligência grave. A não subscrição constitui uma infração disciplinar.
A diferença reside no grau de negligência. A ‘negligência leve’ é um erro perdoável, uma falta de diligência que poderia acontecer a um profissional medianamente atento, especialmente em situações complexas. A ‘negligência grave’, por outro lado, é um erro grosseiro e indesculpável, uma violação flagrante das regras básicas de prudência e competência que um profissional nunca deveria cometer. Por exemplo, esquecer uma compressa no paciente após uma cirurgia é um exemplo clássico de negligência grave. A lei (em particular para os profissionais de saúde) prevê que se responda em certos casos apenas por negligência grave, para não encorajar uma ‘medicina defensiva’.
As consequências podem ser economicamente devastadoras. Se um profissional for considerado responsável por negligência grave e não tiver um seguro, deve indemnizar o dano recorrendo diretamente ao seu património pessoal. No caso de um médico funcionário, a estrutura de saúde que indemnizou o paciente pode exercer o direito de regresso sobre ele por um valor que, segundo a Lei Gelli, pode chegar até ao triplo do seu rendimento bruto anual. Além do dano económico, existe o risco de sanções disciplinares por parte da sua ordem profissional.
O custo de uma apólice por negligência grave varia com base em diversos fatores: a profissão exercida, o nível de risco (um cirurgião paga mais do que um médico de clínica geral), o capital seguro escolhido (o valor máximo que o seguro cobre) e a companhia de seguros. Para dar uma ideia, as apólices para o pessoal paramédico ou de enfermagem podem começar em cerca de 50-60 euros por ano. Para os médicos, os custos são mais elevados e podem variar de algumas centenas de euros até valores mais significativos para especializações de alto risco como a ginecologia, com prémios que se situam nos 300-500 euros anuais para capitais seguros padrão.

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