Em Resumo (TL;DR)
Mesmo caducado, um cartão de pagamento ainda contém dados sensíveis: eis porque é fundamental destruí-lo corretamente para não ser vítima de fraudes e roubo de identidade.
Este simples gesto protege-o do risco de pessoas mal-intencionadas recuperarem os dados do chip e da banda magnética para cometerem fraudes em seu nome.
Existem métodos simples e eficazes para tornar o chip e a banda magnética ilegíveis, garantindo a sua segurança.
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Na era digital, onde os pagamentos eletrónicos são a norma, a gestão segura dos nossos cartões de pagamento, uma vez caducados, é um aspeto crucial muitas vezes subestimado. Num contexto como o italiano, onde a cultura de segurança se entrelaça com hábitos consolidados e uma crescente adoção tecnológica, deitar simplesmente um cartão de crédito ou débito antigo no lixo já não é uma opção segura. Este gesto, aparentemente inócuo, pode expor-nos a riscos significativos como o roubo de identidade e fraudes financeiras. É fundamental, portanto, adotar uma abordagem que combine a prudência da tradição com a eficácia das novas consciências em matéria de segurança.
Os dados, mesmo num cartão caducado, podem ainda ser apetecíveis para pessoas mal-intencionadas. A banda magnética e o chip, embora desativados para transações, podem conter informações recuperáveis com as tecnologias certas. O Observatório da CRIF Mister Credit destacou um aumento preocupante das fraudes de crédito ligadas ao roubo de identidade em Itália, com mais de 17.100 casos no primeiro semestre de 2023, registando um aumento de +10,8% em relação ao ano anterior. Estes números demonstram que a ameaça é real e crescente, tornando indispensável a destruição física correta do cartão para proteger a nossa privacidade e as nossas finanças.

Porque é que um cartão caducado ainda representa um risco
Muitos acreditam que, uma vez ultrapassada a data de validade, um cartão de pagamento se torna um pedaço de plástico inerte. Esta convicção é perigosa. Mesmo que o cartão já não seja válido para efetuar compras ou levantamentos, os dados impressos nele – nome do titular, número do cartão (PAN) e data de validade – permanecem perfeitamente legíveis. Estas informações, se combinadas com outras obtidas de fontes diferentes, podem ser utilizadas para cometer fraudes online ou para tentativas de phishing direcionadas. O roubo de identidade é um risco concreto e começa muitas vezes pela recuperação de detalhes que consideramos ultrapassados.
Além dos dados visíveis, o chip e a banda magnética representam um ponto de vulnerabilidade adicional. Embora os dados contidos sejam frequentemente encriptados, não se pode excluir que criminosos experientes possam tentar descodificá-los. A simples desativação por parte do banco não elimina fisicamente as informações armazenadas. Portanto, deixar estes componentes intactos significa oferecer uma potencial porta de acesso aos seus dados pessoais e financeiros. A prudência exige que se considere cada cartão antigo como um documento sensível até à sua completa e irrecuperável destruição.
Métodos seguros para a destruição: uma abordagem prática

A destruição de um cartão de pagamento antigo deve ser um processo metódico, destinado a tornar ilegível e irrecuperável cada uma das suas partes. A abordagem mais recomendada é a física, que garante a eliminação definitiva das informações sensíveis. Um simples corte ao meio não é suficiente, pois as duas partes poderiam ser facilmente remontadas. É fundamental, em vez disso, reduzir o cartão a muitos pequenos fragmentos, utilizando uma tesoura robusta ou, melhor ainda, um destruidor de documentos capaz de triturar também o plástico.
Destruir o chip e a banda magnética
O cerne da segurança reside na destruição direcionada do chip e da banda magnética. Estes dois elementos são os principais repositórios dos nossos dados. É essencial garantir que a tesoura ou o destruidor de documentos cortem repetidamente precisamente através destas duas partes. Uma precaução adicional consiste em riscar energeticamente a superfície da banda magnética com um objeto pontiagudo antes de proceder ao corte, de modo a danificá-la ainda mais. Para o chip, é crucial que seja estilhaçado ou cortado em vários pontos para o tornar completamente inutilizável.
Eliminação inteligente dos fragmentos
Uma vez que o cartão tenha sido reduzido a pequenos pedaços, a segurança ainda não está completa. Deitar todos os fragmentos no mesmo saco do lixo poderia, em teoria, permitir que um mal-intencionado paciente tentasse uma reconstrução. Para um nível máximo de segurança, é aconselhável dividir os pedaços por sacos diferentes e deitá-los fora em dias diferentes. Esta simples precaução, que combina a sabedoria tradicional com a paranoia moderna, torna praticamente impossível a recuperação das informações, garantindo uma proteção quase absoluta contra o “dumpster diving” (a procura de informações no lixo).
Tradição e Inovação na Segurança Financeira
Na cultura mediterrânica, e em particular em Itália, a gestão do dinheiro sempre foi um ato permeado de prudência e reserva. Esta abordagem tradicional, baseada na discrição e na proteção dos próprios bens, encontra uma nova dimensão na era digital. O cuidado com que se guardava o dinheiro em casa traduz-se hoje na necessidade de proteger os dados digitais com a mesma meticulosidade. A destruição de um cartão de pagamento não é apenas uma operação técnica, mas um verdadeiro rito de passagem que marca o encerramento seguro de um capítulo financeiro, em linha com uma herança cultural que valoriza a segurança pessoal.
A inovação tecnológica, que nos forneceu ferramentas como os pagamentos digitais seguros e a biometria, deve ser acompanhada por uma evolução paralela dos nossos hábitos de segurança. A consciência dos riscos ligados ao cibercrime, como as fraudes com cartões, leva-nos a adotar comportamentos virtuosos. Destruir corretamente um cartão é um exemplo perfeito de como a inovação (o conhecimento dos riscos digitais) pode reforçar uma prática tradicional (a prudência). É o equilíbrio entre a adoção de novas tecnologias e a manutenção de uma sã desconfiança que constitui a melhor defesa no panorama financeiro atual.
O contexto normativo e a eliminação ecológica
A proteção dos dados pessoais é um direito fundamental consagrado a nível europeu pelo RGPD (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados). Embora um cartão de pagamento contenha dados financeiros e não “sensíveis” segundo a classificação mais estrita, a sua violação pode ter graves repercussões na vida dos indivíduos. Instituições como a Autoridade para a Proteção de Dados Pessoais e o Banco de Itália sublinham a importância de gerir com cuidado toda a informação que possa levar à identificação de um indivíduo e do seu património. Destruir um cartão significa, portanto, também agir em conformidade com o espírito da normativa sobre a privacidade, que impõe a minimização dos riscos de perda ou difusão ilícita dos dados.
Um aspeto frequentemente negligenciado é o impacto ambiental. Os cartões de pagamento são feitos de PVC e contêm um microchip, enquadrando-se assim na categoria de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (REEE). Portanto, a sua eliminação correta não deve ser feita no saco do plástico nem sempre no lixo indiferenciado. Depois de o destruir por motivos de segurança, a solução ideal seria entregar os fragmentos num ecoponto ou num centro de recolha de REEE. Alguns bancos também oferecem um serviço de recolha e eliminação dos cartões antigos, uma solução prática que combina segurança e responsabilidade ambiental.
Conclusões

Em conclusão, destruir corretamente um cartão de pagamento antigo é um gesto de responsabilidade fundamental no mundo contemporâneo. Não se trata de um excesso de zelo, mas de uma medida de segurança necessária para se proteger de fraudes e roubos de identidade, fenómenos infelizmente em constante crescimento. A ação de cortar fisicamente o cartão, com especial atenção ao chip e à banda magnética, e de eliminar os fragmentos de forma separada, representa a barreira mais eficaz contra a recuperação fraudulenta dos dados. Este comportamento une a prudência enraizada na nossa cultura com a consciência exigida pela inovação digital. Adotar estas simples mas cruciais precauções significa proteger ativamente a própria identidade financeira e contribuir para um ecossistema de pagamentos mais seguro para todos, honrando um princípio de cautela que nunca passa de moda.
Perguntas frequentes

Mesmo que um cartão esteja caducado, ele ainda contém dados sensíveis como o seu nome e o número da conta (PAN). Muitas vezes, o número do novo cartão que recebe é idêntico ao do antigo. Uma pessoa mal-intencionada poderia recuperar estas informações do lixo e tentar usá-las para roubo de identidade ou fraudes online, aproveitando-se de circuitos de pagamento com controlos menos rigorosos. Destruí-lo é um gesto simples para proteger a sua identidade financeira.
Não, cortar um cartão apenas em dois pedaços não é um método seguro. Os fragmentos podem ser facilmente juntos para ler os dados. A prática recomendada é reduzir o cartão a muitos pequenos pedaços, usando uma tesoura robusta ou, melhor ainda, um destruidor de documentos com corte em fragmentos (cross-cut). É fundamental que tanto o chip como a banda magnética sejam completamente destruídos e tornados ilegíveis.
Não, os cartões de pagamento não devem ser deitados na recolha de plástico porque não são embalagens. O destino correto depende do tipo: os cartões com microchip são considerados resíduos eletrónicos (REEE) e deveriam ser levados a um ecoponto. Já os cartões antigos sem chip devem ir para o lixo indiferenciado. Para uma segurança extra, recomenda-se deitar os pedaços em sacos diferentes ou em dias diferentes.
Estes dois componentes são os mais importantes a tornar inutilizáveis. Para o *chip*, use uma tesoura robusta para o estilhaçar no maior número de partes possível. Para a *banda magnética*, o melhor é fazer vários cortes verticais ao longo de todo o seu comprimento. Desta forma, as informações magnéticas gravadas são interrompidas em vários pontos, tornando a leitura impossível.
Os cartões de metal não podem ser destruídos com tesouras normais ou com destruidores de documentos comuns. O método mais seguro e recomendado é contactar o seu banco. Muitas instituições de crédito, de facto, fornecem um envelope pré-pago para devolver o cartão de metal antigo, garantindo a sua destruição profissional e segura. Alternativamente, pode levá-lo diretamente a uma agência física da sua instituição.

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