Em Resumo (TL;DR)
Os pagamentos contactless estão no centro de um debate aceso sobre segurança: este guia definitivo esclarece mitos a desmistificar e riscos reais, para usar cartões e smartphones sem receios.
Analisamos os verdadeiros riscos, explicamos os mecanismos de proteção e oferecemos conselhos práticos para utilizar cartões e smartphones sem medos.
Analisamos os mecanismos de proteção, desde os limites de despesa à criptografia, e fornecemos conselhos práticos para usar os seus cartões sem receios.
O diabo está nos detalhes. 👇 Continue lendo para descobrir os passos críticos e as dicas práticas para não errar.
O gesto faz agora parte do nosso dia a dia: um café no bar, as compras no supermercado, o bilhete de metro. Aproximamos o cartão, o smartphone ou o smartwatch do terminal, um “bip” confirma a transação e o pagamento está feito. Rápido, cómodo, quase mágico. Os pagamentos contactless revolucionaram os nossos hábitos, especialmente em Itália e na Europa, onde a sua adoção cresceu de forma exponencial. No entanto, numa cultura como a mediterrânica, muitas vezes em equilíbrio entre o abraço à inovação e o sólido apego à tradição, permanece uma questão: quão seguro é realmente este sistema? A ideia de pagar sem inserir um PIN ou entregar o cartão levanta dúvidas e alimenta falsos mitos. Este artigo propõe-se a esclarecer a situação, separando as lendas urbanas dos riscos concretos e fornecendo um guia completo para utilizar a tecnologia contactless com serenidade e consciência.

Como Funciona a Magia do Contactless
Na base dos pagamentos “sem contacto” está uma tecnologia chamada NFC (Near Field Communication), um sistema de comunicação sem fios de curtíssimo alcance. Imagine-a como um aperto de mão secreto e rapidíssimo entre dois dispositivos: o chip presente no seu cartão (ou no seu telemóvel) e o terminal TPA do comerciante. Para que esta comunicação ocorra, os dois dispositivos devem estar a uma distância mínima, geralmente não superior a 4 centímetros. Esta proximidade física representa o primeiro, e fundamental, nível de segurança. Não é possível, portanto, iniciar uma transação à distância. Para aprofundar o mecanismo, pode consultar o nosso guia sobre como funciona a tecnologia NFC, que explica em detalhe este pequeno milagre tecnológico quotidiano.
Os Mitos sobre a Segurança Contactless: Desmistificar as Falsas Crenças

A difusão de uma nova tecnologia traz muitas vezes consigo uma bagagem de receios e desinformação. Os pagamentos contactless não são exceção. É fundamental, no entanto, distinguir os medos irracionais dos factos concretos, analisando os mitos mais difundidos para perceber por que razão, na maioria dos casos, não têm fundamento.
Mito 1: “Podem roubar-me o dinheiro simplesmente ao passar por mim”
Este é talvez o medo mais comum, mas também o mais infundado. Um indivíduo mal-intencionado não pode esvaziar a sua conta “roçando” em si no metro com um terminal TPA. Como já mencionado, a tecnologia NFC requer uma distância de poucos centímetros para funcionar. Além disso, o criminoso teria de possuir um terminal TPA, que está sempre ligado a uma conta empresarial registada e rastreável, tornando a operação extremamente arriscada para ele. Por fim, existe um limite de despesa para as transações sem PIN, fixado em Itália (e em Portugal) nos 50 euros, o que circunscreve o eventual dano.
Mito 2: “Os criminosos podem clonar o meu cartão à distância”
Outro mito difícil de erradicar é o da clonagem “wireless”. As transações contactless estão protegidas por normas de segurança avançadas, como o protocolo EMV (o mesmo dos pagamentos com Chip & PIN). Durante um pagamento, os dados trocados entre o cartão e o terminal são criptografados. O cartão não transmite o número real, mas um código único e temporário, chamado “token”, válido para essa única transação. Mesmo que um hacker conseguisse intercetar esta comunicação (uma operação já de si complexa), o dado roubado seria totalmente inútil para efetuar outras transações ou para clonar o cartão.
Mito 3: “Se perder o cartão, podem esvaziar a minha conta”
O receio de que a perda do cartão se traduza numa conta a zeros é compreensível, mas exagerado. O primeiro e mais importante escudo é o limite de 50 euros por operação única sem PIN. Mas há mais: a diretiva europeia PSD2 introduziu proteções adicionais, como um limite cumulativo (frequentemente fixado em 150 euros) ou um número máximo de transações consecutivas (geralmente cinco) sem autenticação. Atingido um destes patamares, o sistema solicitará obrigatoriamente a inserção do PIN, bloqueando de facto tentativas adicionais. Em caso de extravio, é crucial agir atempadamente: o nosso guia sobre como bloquear o cartão explica todos os passos a seguir.
Os Riscos Reais do Contactless e Como Mitigá-los

Desmistificados os mitos, é justo reconhecer que nenhum sistema de pagamento é 100% imune a riscos. No entanto, as vulnerabilidades do contactless são específicas, conhecidas e, sobretudo, mitigáveis com a consciência certa e alguns cuidados simples. A ameaça mais concreta não reside em ataques tecnológicos complexos, mas em cenários mais tradicionais.
O Risco de “Relay Attack”
O ataque “relay” (ou “de estafeta”) é um dos cenários tecnologicamente mais sofisticados. Requer dois criminosos a agir em simultâneo: um posiciona-se perto da vítima com um dispositivo que captura o sinal NFC do cartão, enquanto o cúmplice, à distância, utiliza um segundo dispositivo ligado ao primeiro para efetuar um pagamento num terminal TPA real. Embora tecnicamente possível, este tipo de fraude é muito raro e complexo de executar para montantes reduzidos. Os sistemas de segurança dos bancos estão também concebidos para identificar transações anómalas que possam sugerir um ataque deste tipo.
Roubo ou Perda do Cartão Físico
Este permanece o risco mais tangível e comum. Se um ladrão entrar na posse do seu cartão contactless, pode tentar efetuar uma série de pequenas compras abaixo do limite de 50 euros, até atingir os limites cumulativos. A rapidez é a arma deles. Por isso, a sua melhor defesa é a reatividade. Ative sempre as notificações via SMS ou app para cada transação: avisá-lo-ão em tempo real de qualquer despesa não autorizada. Guarde o número para o bloqueio do cartão na sua lista de contactos para poder agir instantaneamente. Verificar regularmente o extrato bancário é outro hábito fundamental.
A Segurança Adicional de Smartphones e Smartwatches
Se a segurança é a sua prioridade, pagar com o smartphone ou o smartwatch é a melhor escolha. Estes dispositivos adicionam um nível de proteção superior graças a duas tecnologias-chave: a tokenização e a autenticação biométrica. Tal como nos cartões, a tokenização garante que o número real do seu cartão nunca seja partilhado com o comerciante. Mas a verdadeira vantagem é que cada transação individual, independentemente do valor, deve ser autorizada através de reconhecimento facial (Face ID), impressão digital (Touch ID) ou com o código de desbloqueio do dispositivo. Isto torna o roubo do dispositivo quase inútil para fins fraudulentos, pois sem a sua autenticação não é possível efetuar pagamentos. Para saber mais, pode consultar o nosso guia sobre tokenização e biometria nos pagamentos móveis.
A Legislação Europeia de Proteção dos Consumidores
A vigiar a segurança dos nossos pagamentos está um sólido quadro normativo europeu, a Diretiva de Serviços de Pagamento (PSD2). Esta legislação introduziu requisitos mais rigorosos para todos os operadores do setor, com o objetivo de tornar as transações digitais mais seguras e proteger os consumidores. Um dos pilares da PSD2 é a Strong Customer Authentication (SCA), ou “Autenticação Forte do Cliente”. No mundo contactless, a SCA traduz-se nos já citados limites cumulativos de despesa e de número de transações, superados os quais é obrigatório autenticar-se com o PIN. Esta medida cria uma barreira automática contra o uso fraudulento e prolongado de um cartão perdido ou roubado. Além disso, a normativa estabelece responsabilidades precisas para os bancos em caso de fraude, reduzindo a franquia a cargo do cliente para operações não autorizadas ocorridas antes do bloqueio do cartão a um máximo de 50 euros, desde que não tenha havido negligência grave por parte do utilizador.
Conselhos Práticos para uma Experiência Contactless Serena
Adotar a tecnologia contactless significa simplificar a vida, não complicá-la com ansiedades injustificadas. Com poucos e simples hábitos, é possível aproveitar toda a comodidade deste sistema minimizando qualquer risco residual. Aqui está uma lista de conselhos práticos:
- Ative as notificações de despesa: Configure a sua app bancária ou o serviço de SMS para receber um aviso instantâneo por cada transação. É a forma mais rápida de identificar atividades suspeitas.
- Verifique o extrato bancário: Crie o hábito de verificar regularmente os movimentos do seu cartão, mesmo que seja apenas uma vez por semana.
- Não entregue o cartão: Quando pagar, mantenha sempre o cartão nas suas mãos. Aproxime-o você mesmo do terminal.
- Prefira os pagamentos por dispositivo: Para uma segurança maximizada, use carteiras digitais como Apple Pay ou Google Pay. A autenticação biométrica oferece uma proteção superior.
- Use capas de proteção RFID (opcional): Embora o risco de skimming à distância seja extremamente baixo, o uso de carteiras blindadas pode oferecer uma maior tranquilidade psicológica.
- Guarde os números úteis: Tenha à mão, talvez na lista de contactos do telemóvel e também num local seguro em casa, o número verde para bloquear imediatamente o seu cartão em caso de roubo ou perda.
Conclusões

À luz da análise, podemos afirmar com razoável certeza que os pagamentos contactless são um método de transação extremamente seguro. Os medos mais difundidos, como o roubo de dinheiro à distância ou a clonagem “em movimento”, pertencem mais ao reino dos mitos do que à realidade. A segurança baseia-se em múltiplos níveis de proteção: a necessidade de proximidade da tecnologia NFC, a criptografia dos dados, a tokenização e, sobretudo, os limites de despesa impostos pela normativa europeia PSD2. O risco mais concreto e comum continua a ser o roubo físico do cartão, um perigo, no entanto, contido eficazmente pelos limites por operação única e pelos cumulativos, que requerem um PIN após um certo número de utilizações. A evolução tecnológica, com a introdução dos pagamentos via smartphone e smartwatch, elevou ainda mais a fasquia da segurança, tornando a autenticação biométrica a nova fronteira da proteção. Numa sociedade que se move entre tradição e inovação, compreender e confiar nestas tecnologias significa abraçar o futuro, simplificando a vida de todos os dias sem renunciar à tranquilidade.
Perguntas frequentes

Este é um mito muito difundido, mas extremamente improvável na realidade. Para efetuar uma transação, um terminal TPA deve estar ligado a uma conta comercial registada, tornando o burlão facilmente rastreável. Além disso, a tecnologia NFC requer uma distância mínima de 3-4 centímetros para funcionar, e os cartões estão equipados com mecanismos de segurança que impedem transações múltiplas e muito próximas não autorizadas.
Em Itália, tal como na maior parte da Europa, o limite para uma única transação contactless sem necessidade de inserir o PIN é de 50 euros. Existem também limites cumulativos: após 5 operações consecutivas ou ao atingir um total de 150 euros gastos, o sistema solicitará a inserção do PIN para uma maior segurança.
Ambos os métodos são muito seguros, mas o smartphone oferece níveis de proteção adicionais. Quando paga com o telemóvel, cada transação, independentemente do valor, deve ser autorizada através de um método biométrico (impressão digital ou reconhecimento facial) ou com o código de desbloqueio do dispositivo. Além disso, o smartphone utiliza a «tokenização», um processo que substitui os dados reais do seu cartão por um código virtual único para cada compra, impedindo o comerciante de ver ou memorizar o número do seu cartão.
A primeira coisa a fazer é bloquear imediatamente o cartão para prevenir qualquer uso fraudulento. Pode fazê-lo ligando para o número de emergência do seu banco, ativo 24/7, ou utilizando a app de mobile banking ou o site de home banking. Logo de seguida, é fundamental apresentar uma queixa às autoridades policiais (Polícia ou GNR).
A clonagem à distância de um cartão contactless é um risco muito baixo. O chip EMV gera um código criptografado único para cada transação individual, tornando os dados intercetados inutilizáveis para operações posteriores. Embora em teoria seja possível capturar alguns dados com um leitor RFID, as informações obtidas não incluiriam o código de segurança CVV (o número de 3 dígitos no verso), que é indispensável para a maioria das transações online, nem seriam suficientes para criar um cartão físico funcional.

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