Em Resumo (TL;DR)
Descubra como o tipo de contrato de trabalho e a antiguidade são fatores determinantes para o banco ao decidir sobre a concessão de um crédito habitação.
Analisamos como o tipo de contrato e a antiguidade são determinantes para a avaliação do banco e a aprovação do seu pedido.
Descubra como o tipo de contrato e a antiguidade são analisados pelo banco para a aprovação do financiamento.
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A compra de uma casa representa um dos marcos mais significativos na vida de uma pessoa, um sonho que muitas vezes se concretiza graças à contratação de um crédito habitação. No entanto, o caminho para obter um financiamento pode ser complexo, e um dos principais obstáculos é a avaliação da própria situação profissional por parte do banco. Em Itália, um país onde a cultura do “emprego fixo” está profundamente enraizada, a estabilidade profissional sempre foi considerada a chave de acesso ao crédito. Mas num mercado de trabalho em constante evolução, com um aumento de contratos atípicos e trabalhadores independentes, como se estão a adaptar as instituições de crédito? Compreender os critérios com que um banco analisa o tipo de contrato, a antiguidade e a continuidade do rendimento é fundamental para se preparar adequadamente e aumentar as probabilidades de sucesso.
Este artigo explora em detalhe como a estabilidade profissional influencia a concessão do crédito habitação, analisando as diferenças de avaliação entre os vários tipos de contrato. O objetivo é fornecer um guia claro, destinado a trabalhadores por conta de outrem, independentes e com contratos atípicos, para navegar com maior consciência no processo de pedido, transformando a aspiração de uma casa própria numa realidade sólida.

O Contexto Italiano: Tradição e um Mercado de Trabalho em Mudança
Na cultura mediterrânica, e em particular em Itália, o conceito de estabilidade é um pilar social e económico. Durante décadas, o contrato sem termo, o chamado “posto fisso”, não representou apenas uma segurança económica, mas um verdadeiro símbolo de status, a condição indispensável para planear o futuro, formar uma família e, sobretudo, comprar uma casa. Esta mentalidade moldou as políticas de crédito dos bancos, que sempre privilegiaram os requerentes com um rendimento previsível e constante a longo prazo. A lógica é simples: uma entrada segura reduz drasticamente o risco de incumprimento para a instituição de crédito.
No entanto, o panorama profissional italiano sofreu profundas transformações. A flexibilidade exigida pelo mercado global levou a uma proliferação de contratos a termo, colaborações com recibos verdes, trabalho intermitente e outras formas de emprego atípico. Esta “nova normalidade” colide com um sistema bancário tradicionalmente cauteloso, criando um fosso entre as aspirações de uma fatia crescente da população e a possibilidade concreta de aceder a um crédito habitação. Embora a adaptação seja lenta, os bancos estão a começar a desenvolver novos modelos de avaliação para responder a uma economia que já não se baseia exclusivamente no trabalho dependente a tempo inteiro.
A Avaliação do Banco: Para Além do Contrato Sem Termo
Quando um banco avalia um pedido de crédito habitação, o seu objetivo principal é medir a fiabilidade de crédito do requerente. Não se trata apenas de analisar o tipo de contrato, mas de construir um perfil de risco completo. A pergunta fundamental a que a instituição procura responder é: “Este cliente será capaz de reembolsar pontualmente as prestações durante toda a duração do financiamento?”. Para tal, são examinados diversos fatores que, no seu conjunto, desenham a capacidade de reembolso de uma pessoa. Entre estes, a relação entre a prestação do crédito e o rendimento líquido mensal é crucial: por norma, a prestação não deve exceder um terço dos rendimentos (cerca de 30-35%). Além disso, o banco examina o historial de crédito do cliente, a existência de outras dívidas e a sua capacidade de poupança, demonstrada, por exemplo, por uma entrada substancial.
O Contrato de Trabalho: A Hierarquia da Estabilidade
Apesar de uma abordagem mais holística, o tipo de contrato de trabalho continua a ser um elemento central na análise. Os bancos tendem a seguir uma espécie de hierarquia da estabilidade.
O contrato sem termo é universalmente considerado o mais seguro. Superado o período experimental, garante um fluxo de rendimento constante e previsível, minimizando o risco para o banco. Mesmo neste caso, porém, a antiguidade no serviço desempenha um papel: uma contratação recente pode ser vista com maior cautela em comparação com uma relação de trabalho consolidada há anos. Para os trabalhadores por conta de outrem, a documentação exigida é padrão e inclui os últimos recibos de vencimento, a Declaração Anual de Rendimentos e uma declaração de antiguidade do empregador.
O contrato a termo apresenta maiores desafios. Os bancos avaliam atentamente a duração restante do contrato (geralmente são exigidos pelo menos 3-6 meses), o historial de renovações anteriores e o setor em que o requerente opera. Ter uma continuidade profissional, mesmo que com contratos a termo sucessivos no mesmo empregador, pode ser um fator positivo. Em muitos casos, para equilibrar a incerteza, o banco pode exigir garantias adicionais, como uma entrada mais elevada ou a assinatura de um fiador.
Para os trabalhadores independentes e a recibos verdes, a avaliação é ainda mais complexa, pois o rendimento é, por natureza, variável. Neste cenário, a palavra-chave é continuidade. Os bancos exigem a consulta das declarações de rendimentos (Modelo 3 do IRS) dos últimos dois ou três anos para verificar a estabilidade e a tendência da faturação. Um rendimento constante ou em crescimento é um sinal muito positivo. É também fundamental não ter pendências fiscais e apresentar uma documentação impecável, que pode incluir a inscrição numa ordem profissional ou a certidão de registo comercial.
Estratégias para Aumentar as Probabilidades de Sucesso
Independentemente do tipo de contrato, existem estratégias concretas para se apresentar ao banco com um perfil mais sólido e aumentar as probabilidades de obter um crédito habitação. A preparação desempenha um papel fundamental e demonstra à instituição de crédito maturidade e consciência financeira.
Para os trabalhadores atípicos, a termo ou independentes, o caminho principal é reforçar as garantias. Uma das soluções mais comuns é a figura do fiador, uma pessoa com um rendimento estável (idealmente um trabalhador por conta de outrem com contrato sem termo) que se compromete a assumir o pagamento das prestações em caso de dificuldade do mutuário. Outra opção é ser cotitular do crédito com um parceiro que possua requisitos de estabilidade maiores. Além disso, apresentar-se com uma entrada substancial, superior aos canónicos 20%, reduz o montante do financiamento (o chamado Loan-to-Value) e, consequentemente, o risco para o banco.
Para os jovens e os trabalhadores com contratos não standard, é importante informar-se sobre os apoios estatais. O Fundo de Garantia para a Primeira Casa (Consap), por exemplo, oferece uma garantia pública que pode cobrir até 80% do capital, facilitando o acesso ao crédito para categorias prioritárias, como os jovens com menos de 36 anos. Esta medida reduz consideravelmente o risco para os bancos, que se tornam mais propensos a financiar mesmo quem não possui um crédito para trabalhadores atípicos. Ter um perfil de crédito impecável, sem registos negativos nas bases de dados, e apresentar todos os documentos necessários para o crédito habitação de forma ordenada e completa é outro passo crucial.
Conclusões

A ligação entre estabilidade profissional e concessão de crédito habitação continua a ser um ponto assente no sistema de crédito italiano, uma herança cultural que vê no “emprego fixo” a garantia por excelência. No entanto, o mercado de trabalho evoluiu, levando até as instituições de crédito mais tradicionais a reconsiderar os seus paradigmas. Embora o contrato sem termo continue a oferecer um caminho privilegiado, hoje já não é a única via para comprar casa.
A chave do sucesso reside na capacidade de demonstrar fiabilidade e continuidade de rendimentos, independentemente do rótulo do seu contrato. Para um trabalhador independente, isto significa apresentar um historial de faturação sólida; para um trabalhador a termo, demonstrar uma continuidade de emprego. Estratégias como a inclusão de um fiador, o recurso a fundos estatais ou a apresentação de uma entrada significativa podem fazer a diferença. É aconselhável, além disso, comparar as ofertas dos melhores bancos para crédito habitação, pois alguns podem ter políticas mais flexíveis do que outros. Em suma, o planeamento financeiro e uma preparação meticulosa do pedido são as ferramentas mais poderosas à disposição de quem sonha em abrir a porta da sua própria casa.
Perguntas frequentes

Sim, é possível, mas os bancos consideram este tipo de contrato menos estável e podem exigir garantias adicionais. Entre estas, a presença de um cotitular ou de um fiador com um rendimento sólido, uma entrada mais substancial na compra do imóvel ou a subscrição de uma apólice de seguro. O banco avaliará também a duração restante do contrato e a continuidade profissional demonstrada nos anos anteriores. Para os jovens com menos de 36 anos, está também disponível o Fundo de Garantia para a Primeira Casa (Consap), que pode facilitar o acesso ao crédito.
Não existe uma regra fixa válida para todos os bancos, mas geralmente é exigida uma certa antiguidade profissional para demonstrar estabilidade. Muitas instituições de crédito consideram suficiente um período mínimo de 6-12 meses de trabalho contínuo no mesmo empregador, excluindo o período experimental. No entanto, uma antiguidade de pelo menos dois ou três anos é considerada um requisito mais sólido e pode aumentar as probabilidades de aprovação, especialmente para requerentes mais jovens ou com rendimentos médios-baixos. A estabilidade profissional é um dos fatores-chave que o banco avalia para garantir a capacidade de reembolso do requerente ao longo do tempo.
Para os trabalhadores independentes e profissionais liberais, o banco não avalia um recibo de vencimento fixo, mas sim a evolução do rendimento ao longo do tempo. É fundamental demonstrar estabilidade económica e de rendimentos, apresentando geralmente as declarações de rendimentos (Modelo 3 do IRS) dos últimos dois ou três anos. As instituições de crédito analisam a constância e o crescimento da faturação, a solidez da atividade e o historial de crédito do requerente. Ter uma atividade iniciada há pelo menos dois anos é um fator positivo. Frequentemente, também neste caso, podem ser exigidas garantias adicionais, como um fiador ou uma hipoteca sobre outro imóvel.
Sim, a antiguidade profissional é um fator muito importante porque, para o banco, representa um indicador fundamental de estabilidade profissional e, consequentemente, de capacidade de reembolso do crédito a longo prazo. Um trabalhador com uma longa permanência no mesmo empregador ou com uma atividade independente consolidada é percebido como menos arriscado. Embora não seja o único elemento considerado (contam também o rendimento, a fiabilidade de crédito e a relação prestação-rendimento), uma antiguidade profissional sólida aumenta significativamente as probabilidades de obter o financiamento em condições favoráveis.
Se não tiver um contrato sem termo, existem várias estratégias para aumentar as possibilidades de obter um crédito habitação. Uma das soluções mais comuns é apresentar um fiador, ou seja, uma pessoa (frequentemente um familiar) que se compromete a pagar as prestações em caso de incumprimento da sua parte. Outras opções incluem ser cotitular do crédito com uma pessoa que possua os requisitos de estabilidade exigidos, dar uma entrada mais elevada para reduzir o montante do financiamento, ou verificar o acesso a fundos de garantia estatais como o Fundo Consap para a primeira casa, que pode cobrir uma parte do risco para o banco.



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