Em Resumo (TL;DR)
A diferença fundamental entre um crédito hipotecário e um quirografário reside na garantia exigida: o primeiro está vinculado a uma hipoteca sobre um imóvel, enquanto o segundo se baseia unicamente na assinatura e na fiabilidade de crédito do devedor.
Enquanto o crédito hipotecário é garantido por uma hipoteca sobre um imóvel, o quirografário baseia-se apenas na assinatura e fiabilidade do requerente.
Compreender as suas particularidades é, portanto, essencial para se orientar para a solução mais alinhada com os seus objetivos financeiros.
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A escolha de um crédito representa um passo fundamental na vida de uma pessoa, uma decisão que entrelaça sonhos, projetos e planeamento financeiro. Seja para comprar a casa de sonho, iniciar uma remodelação ou dar fôlego à própria atividade, o mercado oferece diversas soluções de financiamento. Entre estas, destacam-se dois tipos principais: o crédito hipotecário e o crédito quirografário. Embora ambos sirvam para obter liquidez, baseiam-se em pressupostos e garantias profundamente diferentes, que determinam as suas condições, custos e finalidades de utilização. Compreender a fundo as suas características é o primeiro passo para uma escolha consciente e alinhada com as próprias necessidades.
Este guia propõe-se a esclarecer as diferenças substanciais entre estas duas formas de financiamento, analisando os seus mecanismos, vantagens e desvantagens. Exploraremos o contexto italiano e europeu, onde a tradição do “tijolo” como bem de refúgio se confronta com instrumentos financeiros cada vez mais inovadores e flexíveis, pensados para responder a uma vasta gama de necessidades pessoais e empresariais.

O Crédito Hipotecário: a Garantia sobre a Casa
O crédito hipotecário é a forma de financiamento mais conhecida e utilizada, sobretudo para a compra de um imóvel. A sua característica distintiva é a presença de uma garantia real: a hipoteca. A hipoteca é um direito que o banco adquire sobre o imóvel para proteger o empréstimo concedido. Em caso de incumprimento no pagamento das prestações por parte do devedor, a instituição de crédito pode iniciar os procedimentos para a venda forçada do bem e recuperar assim a quantia devida. Esta sólida garantia permite aos bancos conceder montantes elevados, muitas vezes até 80% do valor do imóvel (o chamado Loan-to-Value), e planos de reembolso muito longos, que podem estender-se até 30 anos.
Precisamente graças ao menor risco percebido pelo banco, as taxas de juro aplicadas são geralmente mais baixas em comparação com outras formas de financiamento. O processo para o obter é estruturado e requer uma série de passos, incluindo a avaliação do imóvel para a determinação do valor do bem e a escritura notarial para o registo da hipoteca, com os respetivos custos. É a escolha ideal para quem enfrenta a compra da primeira casa, também graças a benefícios fiscais específicos sobre os juros do empréstimo.
Tipos e Finalidades do Crédito Hipotecário
Embora a compra de casa seja a finalidade mais comum, o crédito hipotecário é um instrumento versátil. Pode ser solicitado também para a construção ou remodelação de uma habitação. Nestes casos, a libertação do capital pode ocorrer em várias tranches, com base no estado de avanço das obras (EAO). Existe também o crédito para liquidez, que permite obter uma quantia em dinheiro hipotecando um imóvel próprio, sem um vínculo de destinação específico. Outra variante importante é o crédito fundiário, uma subcategoria do crédito hipotecário que goza de condições vantajosas, como despesas notariais reduzidas, mas está legalmente vinculado à compra da primeira casa e a um limite de financiamento de 80%.
O Crédito Quirografário: a Força da Assinatura
Ao contrário do seu “primo” hipotecário, o crédito quirografário não se baseia numa garantia real. O seu nome, que deriva do grego cheir (mão) e grapho (escrevo), indica que a garantia é constituída unicamente pela assinatura do devedor. Este último compromete-se a restituir a quantia recebida com base na sua própria fiabilidade de crédito e solidez patrimonial. Precisamente pela ausência de uma hipoteca, este tipo de financiamento acarreta um risco maior para o banco. Consequentemente, as condições são diferentes: os montantes concedidos são mais contidos (geralmente não ultrapassam os 120.000 euros para particulares), a duração do reembolso é mais curta (geralmente entre 10 e 15 anos) e as taxas de juro são mais elevadas.
A grande vantagem do crédito quirografário reside na sua rapidez e simplicidade. O processo burocrático é ágil: não são necessárias nem a avaliação do imóvel nem a escritura notarial para a hipoteca, reduzindo assim tempos e custos. Para o conceder, o banco efetua uma avaliação cuidadosa do historial de crédito do requerente, verificando que não existem registos como mau pagador. Em alguns casos, pode ser exigida uma garantia adicional, como a assinatura de um fiador (fiança).
Quando Compensa o Crédito Quirografário
O crédito quirografário revela-se a solução ideal para quem necessita de liquidez em prazos curtos e para montantes não excessivamente altos, sem querer ou poder hipotecar um imóvel. É frequentemente utilizado para financiar projetos específicos como a remodelação de um apartamento, a compra de mobiliário, despesas médicas ou a compra de um carro. Trata-se de um instrumento muito apreciado também pelas empresas para financiar a aquisição de bens de equipamento ou para necessidades de tesouraria. Um exemplo típico de aplicação é o financiamento das obras de manutenção nas partes comuns de um condomínio, onde o registo de uma hipoteca seria complexo e pouco prático.
Tradição e Inovação no Mercado de Crédito Ítalo-Europeu
Em Itália e no resto da Europa mediterrânica, a compra de casa está profundamente enraizada na cultura, vista como um marco de estabilidade e um investimento para o futuro. Esta tradição sempre tornou o crédito hipotecário o protagonista indiscutível do mercado de crédito. No entanto, as dinâmicas económicas e sociais recentes estão a redesenhar o panorama. A inovação financeira introduziu produtos mais flexíveis e acessíveis, como o crédito quirografário, que respondem a necessidades mais imediatas e diversificadas. Esta evolução reflete uma mudança cultural, onde à solidez do “tijolo” se junta a necessidade de liquidez para projetos pessoais e profissionais a curto-médio prazo.
Dados recentes mostram uma recuperação do mercado de crédito em Itália, com condições de financiamento que se revelam muitas vezes mais favoráveis em comparação com a média europeia. Análises comparativas indicam que, dependendo do período e do tipo de taxa (fixa ou variável), a Itália pode oferecer condições competitivas em relação a países como a Alemanha e a França. Esta situação, aliada a uma maior diversificação da oferta, testemunha um mercado maduro, capaz de equilibrar a tradicional propensão para o investimento imobiliário com as modernas necessidades de crédito ao consumo e de financiamento para as empresas, num diálogo constante entre estabilidade e flexibilidade.
Conclusões

A escolha entre um crédito hipotecário e um quirografário depende essencialmente de três fatores: o montante necessário, a finalidade do empréstimo e a possibilidade de oferecer um imóvel como garantia. O crédito hipotecário continua a ser o caminho principal para quem necessita de somas elevadas e planos de reembolso longos, tipicamente para a compra de uma casa, beneficiando de taxas de juro mais vantajosas graças à sólida garantia da hipoteca. Por outro lado, o crédito quirografário representa uma solução ágil e rápida para quem precisa de liquidez contida para projetos a curto prazo, valendo-se de um procedimento simplificado e custos iniciais reduzidos, mas em contrapartida de taxas mais altas. Avaliar atentamente o próprio perfil financeiro e o objetivo a alcançar é crucial. Consultar um especialista, como um intermediário de crédito, pode fornecer um apoio valioso para navegar entre as diversas ofertas e identificar o produto mais adequado, transformando uma importante decisão financeira num passo sereno em direção à realização dos próprios projetos.
Perguntas frequentes

A diferença fundamental reside na garantia exigida pelo banco. O crédito hipotecário é garantido por uma hipoteca sobre um imóvel: se o devedor não pagar as prestações, o banco pode executar a hipoteca sobre a casa. O crédito quirografário, por outro lado, não tem uma garantia real como a hipoteca. A sua garantia principal é a assinatura do devedor (daí o nome “quirógrafo”, que significa “escrito à mão”), suportada pela sua solidez económica e patrimonial.
O crédito quirografário é pensado para necessidades de liquidez mais contidas e a curto-médio prazo, como remodelações, compra de mobiliário, despesas médicas ou pequenos investimentos para uma empresa. Geralmente, não é o instrumento adequado para a compra da primeira casa, tanto pelos montantes máximos concedidos (geralmente não superiores a 80.000-120.000 euros para particulares) como pela duração mais curta (até 10-15 anos). Para a compra de um imóvel, o produto específico é o crédito hipotecário, que permite obter somas mais elevadas com durações mais longas.
Sim, geralmente o crédito quirografário tem taxas de juro mais altas em comparação com um crédito hipotecário. Isto acontece porque, sem uma hipoteca como garantia, o risco para o banco é maior. No entanto, o quirografário tem custos acessórios iniciais inferiores, uma vez que não são necessárias as despesas com o notário para o registo da hipoteca e para a avaliação técnica do imóvel.
Não sendo exigida uma hipoteca, o banco avalia atentamente a fiabilidade de crédito e a solidez patrimonial do requerente. A garantia principal é a assinatura no contrato, mas a instituição de crédito realiza uma análise para verificar o rendimento, a estabilidade laboral e a ausência de registos como “mau pagador” em centrais de responsabilidades de crédito. Em alguns casos, o banco pode solicitar garantias adicionais, como a assinatura de um fiador (fiança) ou o penhor sobre títulos.
Mesmo sem hipoteca, o incumprimento no pagamento das prestações tem consequências sérias. O banco aplicará juros de mora pelo atraso. Se a inadimplência persistir, o devedor será reportado às centrais de risco (ex. o Mapa de Responsabilidades de Crédito), tornando muito difícil obter futuros empréstimos. O banco pode, ainda, iniciar uma ação legal para a recuperação do crédito, que pode levar à penhora de outros bens do devedor, como o salário, a conta bancária ou outros imóveis de sua propriedade.



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