Qualquer pessoa que possua um smartphone já se deparou, mais cedo ou mais tarde, com um aviso irritante de espaço de armazenamento esgotado. Ao analisar as definições do dispositivo, descobre-se quase sempre que uma grande fatia dos gigabytes disponíveis está ocupada por uma rubrica misteriosa e inacessível. A memória outros smartphone (frequentemente renomeada para “Dados do Sistema” nos sistemas operativos mais recentes como iOS 19 e Android 16) representa um verdadeiro buraco negro digital. Neste guia definitivo, analisaremos tecnicamente o que compõe esta partição, porque tende a inchar desmesuradamente e, sobretudo, como libertar espaço com total segurança sem comprometer o funcionamento do dispositivo ou perder dados vitais.
O que é realmente a Memória ‘Outros’ (ou Dados do Sistema)?
Antes de proceder às operações de limpeza, é fundamental compreender a arquitetura do armazenamento móvel. Segundo a documentação oficial da Apple e as diretrizes da Google para programadores Android, a categoria “Outros” não é um ficheiro único, mas um contentor dinâmico que agrupa tudo o que o sistema operativo não consegue classificar nas categorias padrão (Aplicações, Fotos, Vídeos, Áudio, Documentos).
Esta partição inclui tipicamente:
- Ficheiros de Cache do Sistema e das Aplicações: Dados temporários gerados pelas aplicações para carregar os conteúdos mais rapidamente (ex. as pré-visualizações das imagens no Instagram ou os vídeos pré-carregados no TikTok).
- Logs de Sistema e Relatórios de Falha (Crash Reports): Ficheiros de texto gerados pelo kernel e pelas apps para registar erros. Embora úteis para os programadores, para o utilizador final são espaço desperdiçado.
- Entradas da base de dados e ficheiros de indexação: Dados utilizados pelo Spotlight (no iOS) ou pelo motor de pesquisa interno do Android para encontrar rapidamente contactos e mensagens.
- Ficheiros de atualização OTA (Over-The-Air): Pacotes de instalação do sistema operativo descarregados em segundo plano e a aguardar instalação, ou resíduos de atualizações antigas não eliminados corretamente.
- Dados offline de streaming: Faixas de música ou filmes descarregados via DRM (ex. Netflix, Spotify) que o sistema por vezes tem dificuldade em categorizar como “Multimédia” devido à encriptação.
Pré-requisitos: Operações preliminares de segurança

Uma vez que iremos manipular ficheiros de sistema e caches de aplicações, a regra de ouro da informática impõe a criação de um paraquedas. Não salte este passo.
- Utilizadores Android: Certifiquem-se de que a cópia de segurança do Google One está ativa (Definições > Google > Cópia de segurança) e completem uma cópia de segurança manual no Google Drive para o WhatsApp.
- Utilizadores iOS: Executem uma cópia de segurança completa no iCloud (Definições > [O Teu Nome] > iCloud > Cópia de segurança em iCloud > Efetuar cópia de segurança agora) ou, preferencialmente, uma cópia de segurança local encriptada no Mac/PC via Finder ou iTunes.
Como esvaziar a memória ‘Outros’ no Android

O sistema operativo Android oferece uma gestão de ficheiros mais aberta em comparação com a contraparte da Apple, permitindo intervenções mais cirúrgicas. Eis os passos passo-a-passo para recuperar GB preciosos.
1. Esvaziar a cache das aplicações individuais
Ao contrário do iOS, o Android permite eliminar a cache de cada aplicação individual sem ter de a desinstalar. Este é o método mais eficaz para reduzir a rubrica “Outros”.
- Vá a Definições > Aplicações (ou Gestão de Aplicações).
- Ordene as apps por “Tamanho” ou procure aquelas que usa mais (Browser, Redes Sociais, Apps de Streaming).
- Toque na app desejada, selecione Armazenamento e cache.
- Toque em Limpar cache. Atenção: não toque em “Limpar armazenamento” ou “Limpar dados” a menos que queira repor a app ao estado de fábrica (perdendo logins e definições).
2. Utilizar a ferramenta “Files by Google”
Como evidenciado pela Google, a app oficial Files está equipada com um algoritmo excelente para identificar ficheiros lixo e resíduos de sistema.
- Descarregue e abra a app Files da Google (frequentemente pré-instalada nos dispositivos Pixel e Motorola).
- Selecione o separador Limpar no canto inferior esquerdo.
- A app calculará automaticamente os “Ficheiros lixo” (Junk files). Toque em Limpar [X] MB/GB para eliminá-los em segurança.
- Verifique também a secção “Ficheiros grandes” para identificar downloads antigos esquecidos.
3. Eliminar os ficheiros de atualização residuais
Por vezes, os pacotes de atualização Android permanecem na memória. Pode forçar a limpeza reiniciando o dispositivo em Recovery Mode e selecionando a opção Wipe Cache Partition (o procedimento varia consoante o fabricante, ex. Samsung, Xiaomi, OnePlus). Nota bem: a partir do Android 13, muitos fabricantes removeram esta opção, gerindo a partição cache dinamicamente.
Como esvaziar a memória ‘Outros’ no iOS (iPhone)
O ecossistema Apple é notoriamente fechado (sandboxed). O iOS gere a memória “Dados do Sistema” de forma autónoma, mas por vezes o algoritmo encrava. Eis como forçar o sistema a fazer uma limpeza.
1. O truque do Reinício Forçado e da Sincronização
Segundo a documentação oficial de suporte da Apple, o iOS está programado para eliminar os ficheiros temporários durante o reinício. Se isto não bastar, ligar o iPhone a um computador força o sistema a compactar os logs.
- Ligue o iPhone ao Mac (via Finder) ou ao PC Windows (via app Dispositivos Apple ou iTunes).
- Desbloqueie o iPhone e autorize o computador.
- Deixe o dispositivo ligado durante cerca de 10-15 minutos. Durante este lapso de tempo, o iOS transferirá os logs de diagnóstico para o computador e apagará a cache interna para se preparar para uma eventual cópia de segurança.
- Execute um Reinício Forçado (Prima e solte Aumentar Volume, prima e solte Diminuir Volume, mantenha premido o botão Lateral até aparecer o logótipo da Apple).
2. A função “Descarregar aplicação” (Offload)
Se uma app acumulou demasiados dados temporários, o iOS não oferece um botão “Esvaziar cache”. A única solução é o chamado Offloading.
- Vá a Definições > Geral > Armazenamento no iPhone.
- Percorra a lista de apps e identifique aquelas que ocupam muito espaço na rubrica “Documentos e dados”.
- Toque na app e selecione Descarregar aplicação (NÃO “Eliminar aplicação”). Esta função desinstala o motor da app mas conserva os seus dados pessoais.
- Reinstale a app tocando no seu ícone no Ecrã Principal. A cache terá sido reposta a zero.
3. Limpeza da cache do Safari e Mensagens
O Safari e o iMessage são dois dos maiores contribuintes para a memória “Outros”.
- Safari: Vá a Definições > Safari > Limpar histórico e dados dos sites.
- Mensagens: Vá a Definições > Mensagens > Manter mensagens e altere de “Para sempre” para 1 ano ou 30 dias. Isto eliminará milhares de anexos antigos invisíveis.
Os “Devoradores” silenciosos: Foco em apps específicas
Muitas vezes, a memória outros smartphone é inchada por apps de terceiros que gerem mal a sua própria cache interna. Eis os culpados mais comuns e como geri-los:
Telegram
O Telegram guarda no dispositivo cada foto, vídeo ou GIF visualizada para acelerar os carregamentos futuros. Isto pode ocupar dezenas de GB em poucas semanas.
- Solução: Abra o Telegram > Definições > Dados e armazenamento > Utilização do armazenamento > Limpar a cache do Telegram. Defina também a opção “Manter multimédia” para um máximo de 1 mês ou 1 semana.
As cópias de segurança locais e as bases de dados das mensagens corrompidas podem acabar na partição de sistema.
- Solução: No Android, use um gestor de ficheiros para navegar em Android > media > com.whatsapp > WhatsApp > Databases e elimine as cópias de segurança antigas (mantenha apenas a mais recente, habitualmente chamada msgstore.db.crypt14).
Apps de Streaming (Spotify, Netflix, YouTube)
As transferências inteligentes descarregam conteúdos em segundo plano baseando-se nas suas preferências. Estes ficheiros muitas vezes não são lidos como “Multimédia” pelo sistema operativo.
- Solução: Entre nas definições de cada app e desative as “Transferências inteligentes” ou “Smart Downloads”, procedendo depois a apagar a cache interna através da opção apropriada no menu da aplicação.
Resolução de problemas: O que fazer se o espaço não for libertado (Extrema Ratio)
Seguiu todos os passos, mas a memória “Outros” ou “Dados do Sistema” ainda ocupa 30 GB ou mais? Neste caso, estamos perante um memory leak (fuga de memória) ou um ficheiro de sistema corrompido que o sistema operativo não consegue sobrescrever.
A única solução tecnicamente válida, recomendada tanto pela assistência da Apple como pela dos principais fabricantes Android, é a Reposição das definições de fábrica (Factory Reset).
- Certifique-se de que tem uma cópia de segurança completa e atualizada (ver secção Pré-requisitos).
- Proceda à reposição (iOS: Definições > Geral > Transferir ou repor o iPhone; Android: Definições > Sistema > Opções de reposição > Apagar todos os dados).
- Passo Crucial: Durante a configuração inicial, evite restaurar imediatamente a cópia de segurança. Configure o telemóvel como novo, verifique se a memória “Outros” voltou a níveis normais (habitualmente entre 2 e 5 GB para os ficheiros base do SO), e só posteriormente importe os seus dados. Restaurar uma cópia de segurança corrompida poderia reintroduzir o problema.
Em Resumo (TL;DR)
A memória Outros do smartphone é um contentor dinâmico que acumula ficheiros temporários, cache das apps e logs de sistema ocupando muito espaço precioso.
Antes de iniciar qualquer operação de limpeza profunda, é fundamental executar uma cópia de segurança completa para proteger os seus dados pessoais de eventuais perdas acidentais.
Nos dispositivos móveis é possível recuperar facilmente estes gigabytes esvaziando a cache das aplicações ou empregando ferramentas dedicadas à remoção segura dos ficheiros lixo.
Conclusões

A gestão da memória outros smartphone não deve ser um mistério. Como vimos, trata-se simplesmente de uma acumulação fisiológica de dados temporários, logs e cache que os sistemas operativos modernos têm dificuldade em eliminar autonomamente. Executando uma manutenção periódica—esvaziando a cache das apps mais pesadas, gerindo a multimédia do Telegram e WhatsApp, e forçando a limpeza dos logs através de reinícios estratégicos—é possível manter o seu dispositivo rápido e ter sempre espaço disponível para o que realmente importa: as suas fotos, os seus vídeos e as suas aplicações essenciais.
Perguntas frequentes

Esta secção agrupa todos os ficheiros que o sistema operativo não consegue classificar nas categorias padrão de armazenamento. Inclui principalmente dados temporários das aplicações, logs de sistema para o registo de erros, ficheiros de indexação para pesquisas rápidas, pacotes de atualização pendentes e dados offline encriptados das plataformas de streaming.
Para recuperar espaço no Android pode esvaziar a cache das aplicações individuais diretamente a partir das definições do dispositivo sem ter de as desinstalar. Além disso, resulta muito útil empregar ferramentas oficiais de gestão de ficheiros para identificar o lixo digital e eliminar os pacotes de atualização antigos residuais reiniciando o telemóvel em modo de recuperação.
No sistema operativo da Apple pode forçar a limpeza dos ficheiros temporários ligando o dispositivo a um computador por alguns minutos e executando um reinício forçado. Outro método eficaz consiste em aproveitar a função para descarregar as aplicações mais pesadas, que desinstala o programa mas conserva intactos os seus documentos pessoais.
Programas muito difundidos como o Telegram e o WhatsApp guardam no dispositivo cada conteúdo multimédia visualizado para acelerar os carregamentos futuros. Para resolver definitivamente o problema basta aceder às definições internas destas aplicações, esvaziar a cache multimédia e definir um limite temporal rigoroso para a conservação automática de fotos e vídeos.
Se os dados de sistema ainda ocuparem dezenas de gigabytes, poderá ter um ficheiro corrompido impossível de sobrescrever normalmente. Neste caso, a solução definitiva recomendada pelos fabricantes é a reposição das definições de fábrica, lembrando-se de executar primeiro uma cópia de segurança completa dos dados e de configurar inicialmente o telemóvel como um novo dispositivo.
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