Em Resumo (TL;DR)
Analisamos o mercado imobiliário atual para perceber se compensa investir no ‘tijolo’ em 2025, com um foco específico na tributação e gestão dos arrendamentos.
Examinamos a tributação, as estratégias de gestão e os rendimentos esperados para perceber se compensa hoje comprar casa para arrendar.
Aprofundamos o enquadramento fiscal e as estratégias de gestão para otimizar os ganhos com os arrendamentos.
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O fascínio do ‘tijolo’ permanece inalterado na cultura italiana, representando há décadas o porto seguro para as poupanças das famílias. No entanto, 2025 marca um ponto de viragem fundamental para quem deseja alocar capital no setor imobiliário. Já não basta comprar um apartamento e esperar que valorize; hoje, o mercado exige uma estratégia ativa e consciente.
As dinâmicas económicas atuais, influenciadas pelas decisões do Banco Central Europeu sobre as taxas de juro, estão a redesenhar a conveniência dos créditos à habitação e, consequentemente, o poder de compra dos investidores. Após um biénio de incertezas, vislumbram-se sinais de estabilização que poderão reabrir janelas interessantes para quem dispõe de liquidez ou capacidade de crédito.
Outro fator crucial é a evolução normativa europeia sobre a sustentabilidade energética. Este elemento já não é negligenciável: impacta diretamente o valor futuro do ativo e a sua liquidez a médio-longo prazo. Compreender como navegar entre estas variáveis é essencial para transformar uma propriedade numa verdadeira fonte de rendimento.

O Cenário Económico: Taxas e Inflação
O ano de 2025 abre com perspetivas moderadamente otimistas no que diz respeito ao custo do dinheiro. A política monetária restritiva dos anos anteriores deu lugar a uma abordagem mais acomodatícia, destinada a estimular a economia da Zona Euro. Para o investidor imobiliário, isto traduz-se em condições de acesso ao crédito mais favoráveis em comparação com o passado recente.
As taxas dos créditos à habitação, embora não regressem aos mínimos históricos da era pré-Covid, estão a estabilizar em níveis que tornam a alavancagem financeira sustentável. Quem planeia uma compra para investimento deve monitorizar atentamente a Euribor e a IRS, pois mesmo uma variação de 0,5% afeta significativamente o plano de amortização e o retorno líquido da operação (ROI).
O dinheiro custa menos do que no biénio anterior, mas a seleção do imóvel deve ser cirúrgica: a inflação erodiu as margens de erro.
Paralelamente, a inflação modificou os custos de gestão e manutenção. Investir hoje significa calcular com precisão as despesas acessórias, que podem erodir a renda se não forem devidamente orçamentadas. É fundamental ter uma visão clara das suas finanças pessoais e capacidade de poupança antes de se comprometer com operações imobiliárias complexas.
A Diretiva “Casas Verdes”: Impacto no Valor
A Diretiva europeia relativa ao desempenho energético dos edifícios (EPBD) é o verdadeiro “elefante na sala” para o mercado imobiliário italiano em 2025. O objetivo de reduzir as emissões impõe padrões cada vez mais rigorosos, criando, na prática, um mercado a duas velocidades. Por um lado, os imóveis de classe A e B mantêm e aumentam o seu valor; por outro, as classes energéticas inferiores (F e G) arriscam uma desvalorização progressiva.
Comprar um imóvel antigo a baixo custo pode parecer um bom negócio, mas esconde armadilhas. Os custos de remodelação necessários para a adequação energética devem ser calculados no preço de oferta. No entanto, para o investidor perspicaz, esta situação oferece oportunidades de flipping imobiliário: comprar, requalificar energeticamente e revender ou arrendar a um preço superior.
A atenção à sustentabilidade já não é apenas uma questão ética, mas puramente financeira. Os inquilinos estão cada vez mais sensíveis aos custos das faturas e preferem habitações eficientes. Integrar critérios de sustentabilidade na sua carteira é uma jogada estratégica, semelhante ao que acontece com os investimentos ESG que unem lucro e ética.
Arrendamentos de Curta Duração vs. Arrendamentos de Longa Duração
O dilema entre o arrendamento turístico (curta duração) e o residencial clássico (longa duração) está mais vivo do que nunca. O ano de 2025 assiste a uma consolidação do turismo em Itália, com cidades de arte e estâncias balneares a registarem taxas de ocupação elevadas. O arrendamento de curta duração promete rendimentos brutos muitas vezes superiores a 10%, mas exige um empenho de gestão constante e tem de lidar com regulamentações locais cada vez mais rigorosas, como a obrigação do código de identificação nacional (CIN).
Por outro lado, o arrendamento de longa duração oferece estabilidade. A procura por arrendamentos residenciais é altíssima, especialmente nas grandes áreas metropolitanas onde a compra da primeira casa se tornou proibitiva para muitos jovens trabalhadores. Com instrumentos como a ‘cedolare secca’ (regime fiscal italiano), a tributação permanece contida e o fluxo de caixa é previsível e constante.
Está também a surgir uma terceira via: o arrendamento de média duração (mid-term). Esta fórmula destina-se a estudantes, trabalhadores deslocados ou nómadas digitais que necessitam de alojamento por períodos de 3 a 18 meses. Esta solução reduz o risco de incumprimento em comparação com o arrendamento de longa duração e diminui os custos de gestão em relação ao de curta duração.
Geografia do Investimento: Para Além de Milão e Roma
Embora Milão e Roma continuem a ser os mercados mais líquidos e seguros, os preços de entrada são agora barreiras intransponíveis para muitos pequenos investidores. Em 2025, o interesse desloca-se para as cidades secundárias e as capitais de província bem servidas pela alta velocidade. Cidades como Bolonha, Turim, Pádua ou Verona oferecem uma relação preço/rendimento muitas vezes superior à das principais metrópoles.
Um fenómeno interessante é a redescoberta do Sul de Itália, impulsionada pela cultura mediterrânica e pelo fenómeno do “South Working”. Localidades na Apúlia, Sicília e Campânia estão a atrair compradores estrangeiros e trabalhadores remotos que procuram qualidade de vida, clima ameno e custos contidos. Aqui, a tradição funde-se com a inovação digital, criando micromercados imobiliários inesperadamente dinâmicos.
O verdadeiro negócio em 2025 poderá não ser um estúdio no centro de Milão, mas sim uma moradia independente com vista para o mar numa localidade do sul de Itália bem servida por fibra ótica.
Estratégias Fiscais e Gestão Patrimonial
O aspeto fiscal é determinante para o sucesso do investimento. A escolha entre o regime geral e a ‘cedolare secca’ deve ser ponderada com base no próprio escalão de IRS e no tipo de contrato. Além disso, é fundamental manter-se atualizado sobre as deduções fiscais para remodelações, que, embora reajustadas em relação ao passado, ainda oferecem oportunidades para reduzir a carga fiscal.
Para quem possui vários imóveis, a gestão patrimonial torna-se um trabalho. Não se trata apenas de cobrar a renda, mas de gerir manutenções, relações com os condóminos e obrigações burocráticas. Um planeamento correto permite evitar surpresas desagradáveis com a Autoridade Tributária; a este respeito, é útil consultar guias específicos sobre impostos e investimentos para evitar erros com o fisco.
Diversificar é a palavra de ordem. Não concentrar todo o capital num único imóvel reduz o risco específico. O imobiliário deve ser apenas uma parte de uma estratégia mais ampla, que pode incluir também instrumentos financeiros líquidos, como explicado no aprofundamento sobre a construção de uma carteira moderna.
Conclusões

Investir no ‘tijolo’ em 2025 continua a ser uma escolha válida, desde que abordada com profissionalismo e com base em dados. A era da compra “por impulso” acabou: hoje, vencem a análise dos fluxos de caixa, a atenção à eficiência energética e a capacidade de intercetar as novas necessidades habitacionais. Quer se opte pela estabilidade do arrendamento residencial ou pela dinâmica do turístico, a chave é considerar o imóvel não como um bem estático, mas como uma empresa a ser gerida com cuidado.
Perguntas frequentes

Sim, o ‘tijolo’ continua a ser o bem de refúgio por excelência na cultura italiana, mas é necessária seletividade. Em 2025, os preços estão em ligeira subida, especialmente nas grandes cidades como Milão e Roma, enquanto as taxas dos créditos à habitação estão a estabilizar entre 2,5% e 3%. A verdadeira conveniência hoje depende da localização (proximidade a universidades ou polos turísticos) e da classe energética, fundamental para evitar desvalorizações futuras ligadas à Diretiva ‘Casas Verdes’.
A novidade fiscal mais importante de 2025 diz respeito à ‘cedolare secca’. Se arrendar apenas uma casa, a taxa mantém-se nos 21%, mas da segunda à quarta unidade imobiliária destinada a arrendamentos de curta duração (inferiores a 30 dias), o imposto sobe para 26%. Além disso, se gerir mais de quatro imóveis, torna-se obrigatório abrir atividade (Partita IVA) e apresentar a SCIA, configurando-se como atividade empresarial.
Para os arrendamentos turísticos de curta duração, sim. O ano de 2025 assiste à plena aplicação da obrigatoriedade do CIN (Código de Identificação Nacional) a ser exibido em todo o lado. Além disso, para a segurança dos hóspedes, é agora obrigatório instalar detetores de gases combustíveis e de monóxido de carbono, bem como equipar o apartamento com extintores portáteis regulamentares (um a cada 200 m² ou por piso). Sem estes requisitos, arriscam-se multas pesadas.
Pode acontecer se o imóvel tiver uma classe energética baixa (F ou G). O mercado de 2025 já mostra uma crescente disparidade de preços: as casas remodeladas e ‘verdes’ (classe A ou B) ganham valor (+25% no segmento de luxo), enquanto as que consomem muita energia tornam-se mais difíceis de vender ou arrendar sem um desconto no preço, pois os compradores temem os futuros custos de adaptação obrigatórios devido às normativas europeias.
Em 2025, a situação é mais favorável do que no biénio anterior. A taxa fixa (cerca de 2,6-3%) continua a ser a escolha preferida para quem investe, garantindo custos certos para calcular o rendimento do arrendamento. No entanto, a taxa variável está a tornar-se competitiva (desceu para cerca de 2,35%) graças aos cortes do BCE, mas acarreta riscos se a inflação voltar a subir. Os ‘Créditos Habitação Verdes’ oferecem frequentemente taxas ainda mais vantajosas.

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