Em Resumo (TL;DR)
A nua propriedade é uma fórmula de compra e venda de imóveis que oferece vantagens significativas tanto para o comprador, que investe a um preço com desconto, como para o vendedor, que mantém o direito de usufruir do imóvel durante toda a vida.
Esta fórmula imobiliária revela-se uma oportunidade estratégica tanto para o vendedor, que pode monetizar o seu património sem renunciar ao direito de habitação, como para o comprador, que realiza um investimento a longo prazo em condições económicas vantajosas.
Descubra como funciona e quais são as vantagens económicas e fiscais concretas para quem vende e para quem compra.
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A nua propriedade representa uma solução imobiliária com raízes na tradição jurídica italiana, mas que hoje se revela um instrumento inovador e estratégico. Permite conciliar necessidades aparentemente distantes: a de um proprietário, muitas vezes idoso, de obter liquidez imediata sem deixar a sua casa, e a de um comprador de investir no mercado imobiliário a um preço vantajoso. Esta fórmula de compra e venda, que separa a propriedade das paredes do direito de habitar, está a ganhar cada vez mais interesse em Itália e no contexto europeu. Dados recentes mostram um crescimento significativo das transações, com um aumento de 1,7% entre 2022 e 2023, em contraciclo com a quebra geral do mercado imobiliário.
Compreender a fundo este mecanismo significa descobrir um ponto de encontro entre gerações, onde a cultura mediterrânica do apego à casa de uma vida se une às modernas necessidades financeiras. Para o comprador, trata-se de um investimento a longo prazo, uma forma de planear o futuro; para o vendedor, é um recurso para viver a terceira idade com maior serenidade. Num contexto económico em evolução, a nua propriedade emerge como uma escolha inteligente, capaz de oferecer vantagens concretas a ambas as partes envolvidas.

O que é a Nua Propriedade e Como Funciona
A nua propriedade consiste na aquisição da titularidade de um imóvel, mas sem o direito de o utilizar imediatamente. Este direito, chamado usufruto, permanece com o vendedor (o usufrutuário), que pode continuar a viver na habitação por toda a vida ou por um período de tempo pré-estabelecido. Na prática, a plena propriedade é dividida em duas: a nua propriedade, que pertence ao comprador, e o usufruto, que fica com o vendedor. O comprador, ou nu-proprietário, tornar-se-á proprietário de plenos direitos apenas no termo do usufruto, que geralmente coincide com a morte do usufrutuário. Este mecanismo é regulado pelo Código Civil e representa um direito real sobre um bem alheio. A transação é formalizada com uma escritura notarial normal, como qualquer outra compra e venda de imóveis.
As Vantagens para Quem Vende (O Usufrutuário)
Para o vendedor, ceder a nua propriedade oferece benefícios tangíveis e imediatos. A principal vantagem é obter uma soma de dinheiro considerável sem ter de deixar a sua própria casa. Isto é particularmente útil para pessoas idosas que desejam complementar a pensão, fazer face a despesas imprevistas ou simplesmente garantir uma velhice mais serena, mantendo os seus hábitos de vida. Outro aspeto fundamental diz respeito à redução das responsabilidades económicas. O usufrutuário, de facto, deixa de ser obrigado a suportar as despesas de manutenção extraordinária do imóvel, que passam a ser da responsabilidade do nu-proprietário. Além disso, também os impostos sobre a propriedade, como o IMU, deixam de ser da sua responsabilidade. Esta fórmula permite monetizar o património imobiliário, aliviando a si mesmo e, por vezes, também os herdeiros de futuras incumbências.
As Vantagens para Quem Compra (O Nu-Proprietário)
A aquisição da nua propriedade é, antes de mais, um investimento a longo prazo. O benefício mais evidente é o preço de aquisição, significativamente inferior ao valor de mercado da plena propriedade. O desconto é calculado com base na idade do usufrutuário: quanto mais jovem for, maior será a redução do preço. Isto torna a operação acessível a quem deseja investir no imobiliário com um capital inicial mais contido, talvez para garantir uma habitação para o futuro ou para os seus filhos. Do ponto de vista financeiro, o nu-proprietário não tem de suportar as despesas de manutenção ordinária, os impostos como o IMU e a TARI, nem as despesas ordinárias de condomínio, que ficam a cargo do usufrutuário. Com o tempo, o valor do imóvel tende a crescer, tanto pela valorização natural do mercado como porque, com o passar dos anos, o valor do usufruto diminui, aumentando o da nua propriedade.
Como se Calcula o Valor da Nua Propriedade
O cálculo do valor da nua propriedade é uma operação matemática que parte do valor de mercado do imóvel em plena propriedade, estabelecido através de uma avaliação profissional. Deste valor é subtraído o valor do usufruto. Para determinar este último, utilizam-se coeficientes específicos definidos periodicamente pelo Ministério da Economia e Finanças, que têm em conta dois fatores principais: a idade do usufrutuário e a taxa de juro legal em vigor. Em geral, o valor da nua propriedade aumenta com o aumento da idade do vendedor, pois reduz-se a sua esperança de vida e, consequentemente, a duração presumida do usufruto. Por exemplo, para o mesmo valor do imóvel, a nua propriedade vendida por um octogenário custará mais do que a vendida por um sexagenário. Estas tabelas ministeriais garantem um cálculo padronizado e transparente.
Aspetos Fiscais e Despesas: Quem Paga o Quê
A divisão das despesas e dos impostos entre o nu-proprietário e o usufrutuário está claramente definida por lei, para evitar mal-entendidos. O usufrutuário é responsável pelas despesas que derivam do uso e gozo do bem. Isto inclui a manutenção ordinária (como pequenas reparações), as contas de serviços públicos, as despesas ordinárias de condomínio e os impostos relacionados com a posse e utilização, como a TARI (taxa de resíduos) e o IMU. O nu-proprietário, por sua vez, assume as despesas extraordinárias, ou seja, aquelas necessárias para garantir a estabilidade e a conservação estrutural do edifício, como a renovação do telhado ou da fachada. No que diz respeito aos impostos sobre a aquisição, o nu-proprietário paga os impostos de registo, hipotecário e predial calculados sobre o valor apenas da nua propriedade, que é mais baixo, podendo também usufruir dos benefícios fiscais de “primeira habitação” se preencher os requisitos.
A Nua Propriedade no Contexto Cultural Mediterrâneo
Em Itália, e de forma mais geral na cultura mediterrânica, a casa não é apenas um bem material, mas um símbolo de estabilidade, um lugar de afetos e de continuidade familiar. A venda da nua propriedade insere-se perfeitamente neste contexto, representando uma ponte entre tradição e inovação. Permite aos idosos não se desenraizarem do seu ambiente e da sua comunidade, preservando aquele profundo laço com a casa de uma vida. Ao mesmo tempo, oferece uma resposta concreta a necessidades modernas, como a complementação de pensões cada vez menos adequadas e a gestão da sua autonomia financeira na idade avançada. Esta solução é também uma forma de planeamento patrimonial que pode prevenir futuras disputas de herança, uma vez que o imóvel não entrará na massa hereditária do usufrutuário. É uma escolha que reflete uma sociedade em evolução, onde se procuram instrumentos flexíveis como o empréstimo vitalício hipotecário ou, precisamente, a nua propriedade para valorizar o património acumulado.
Conclusões

A nua propriedade confirma-se como uma solução de grande interesse no panorama imobiliário italiano, capaz de criar um equilíbrio vantajoso para ambas as partes. Para o vendedor, representa uma preciosa fonte de liquidez que garante estabilidade económica sem renunciar ao direito de viver na sua própria casa. Para o comprador, é uma oportunidade de investimento imobiliário a longo prazo em condições económicas favoráveis, uma forma inteligente de entrar no mercado ou de planear o futuro. Embora a operação exija uma avaliação atenta e a consciência de não poder dispor imediatamente do bem, os benefícios económicos e fiscais são evidentes. Num contexto em que se procuram cada vez mais alternativas válidas ao crédito habitação tradicional, esta fórmula distingue-se pela sua capacidade de responder a diferentes necessidades, unindo segurança, tradição e visão estratégica.
Perguntas frequentes

Comprar a nua propriedade significa adquirir a titularidade de um imóvel, ou seja, as ‘paredes’, mas sem o direito imediato de o utilizar (habitar ou arrendar). Este direito, chamado usufruto, permanece com o vendedor (usufrutuário) por toda a sua vida ou por um período de tempo pré-estabelecido. O comprador tornar-se-á proprietário de plenos direitos, com pleno gozo do bem, apenas no termo do usufruto, que geralmente coincide com a morte do usufrutuário.
A divisão das despesas é clara. O usufrutuário, ao usufruir do imóvel, fica responsável por todas as despesas de manutenção ordinária, dos serviços públicos, das despesas ordinárias de condomínio e dos impostos como o IMU e a TARI. Ao nu-proprietário, por outro lado, cabem as despesas extraordinárias, como a renovação da fachada, do telhado ou a substituição da caldeira, ou seja, intervenções que aumentam o valor do imóvel ao longo do tempo.
O preço obtém-se partindo do valor de mercado da plena propriedade do imóvel. A este valor é subtraído o valor do usufruto. Este último calcula-se aplicando coeficientes estabelecidos pelo Ministério da Economia e Finanças, que variam com base na idade do usufrutuário. Quanto mais idoso for o usufrutuário, menor será o valor do usufruto e, consequentemente, mais alto será o preço da nua propriedade, pois presume-se que o comprador entrará na posse plena do imóvel num tempo mais curto.
A principal vantagem é económica: adquire-se um imóvel a um preço consideravelmente inferior ao de mercado. Trata-se de um investimento a longo prazo que se valoriza duplamente: tanto pelo aumento do valor de mercado imobiliário ao longo do tempo, como porque o valor da nua propriedade cresce com o avançar da idade do usufrutuário. Além disso, o nu-proprietário não paga os impostos sobre o imóvel (como o IMU) enquanto durar o usufruto.
Sim, o nu-proprietário pode vender a nua propriedade a outra pessoa a qualquer momento. A operação não prejudica os direitos do usufrutuário, que continuará a usufruir do imóvel até ao prazo acordado. O novo comprador sucederá no contrato nas mesmas condições, adquirindo a nua propriedade e tendo de aguardar, por sua vez, a extinção do usufruto para obter a plena disponibilidade do bem.



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