Em Resumo (TL;DR)
A proteção das suas poupanças e dos seus dados financeiros online começa com uma gestão segura das palavras-passe: descubra as estratégias e ferramentas para criar credenciais à prova de hackers.
Iremos aprofundar as melhores técnicas para a criação de palavras-passe seguras e a utilização estratégica de gestores de palavras-passe para uma gestão segura e organizada.
Descubra como utilizar os gestores de palavras-passe para guardar de forma segura e organizada as chaves de acesso às suas poupanças.
O diabo está nos detalhes. 👇 Continue lendo para descobrir os passos críticos e as dicas práticas para não errar.
Na era digital, a gestão das nossas poupanças e finanças pessoais passou, em grande parte, para o online. O home banking, as aplicações de pagamento e as carteiras digitais oferecem-nos uma comodidade sem precedentes, mas também abrem a porta a novos riscos. A segurança das nossas contas bancárias tornou-se uma prioridade absoluta, e a primeira linha de defesa é representada por um elemento tão simples quanto crucial: a palavra-passe. Num contexto como o português e europeu, onde a tradição de guardar os próprios bens colide com a rápida inovação tecnológica, compreender como criar e proteger as suas credenciais é fundamental para dormir descansado. Este artigo apresenta-se como um guia completo para navegar em segurança no mundo dos serviços financeiros digitais, criando palavras-passe à prova de hackers.
A fragilidade dos nossos hábitos digitais é um facto: um estudo da Keeper Security revelou que apenas 25% das pessoas utilizam palavras-passe fortes e únicas para cada conta. Isto significa que uma grande maioria dos utilizadores coloca em risco os seus dados, incluindo os financeiros, ao reutilizar as mesmas credenciais em várias plataformas. Um erro que pode sair caro, especialmente quando estão em jogo as poupanças de uma vida. A cultura mediterrânica, muitas vezes baseada na confiança pessoal e em relações diretas, deve agora integrar uma nova consciência: no mundo virtual, toda a prudência é pouca e a segurança começa com as nossas escolhas diárias, a começar pela criação de uma palavra-passe robusta e inexpugnável.

Porque é que as palavras-passe dos serviços financeiros são tão importantes
As credenciais de acesso à sua conta bancária online ou à sua aplicação de pagamento são as chaves virtuais do seu património. Se um indivíduo mal-intencionado conseguir obtê-las, pode ter acesso direto ao seu dinheiro, realizar transações não autorizadas e até mesmo roubar a sua identidade para cometer mais fraudes. Os ataques informáticos estão em constante aumento e a Itália revela-se um alvo particularmente vulnerável, com um crescimento dos ataques de 65% apenas em 2023. Os setores financeiro e de seguros estão entre os mais afetados, tornando a proteção das palavras-passe não uma opção, mas uma necessidade urgente. A perda económica resultante de fraudes de apropriação de contas é estimada em milhares de milhões a nível global, um dado que sublinha a urgência de adotar comportamentos mais seguros.
O hábito de reutilizar a mesma palavra-passe para vários serviços é uma das vulnerabilidades mais graves. Imagine que usa a mesma chave para a porta de casa, para o carro e para o cofre. Se um ladrão conseguisse duplicá-la, teria acesso a tudo. O mesmo acontece online: se a palavra-passe da sua rede social, talvez fraca e fácil de adivinhar, for comprometida durante uma violação de dados (data breach), os cibercriminosos irão experimentá-la imediatamente nas suas contas mais importantes, como a bancária. Esta técnica, conhecida como credential stuffing, é extremamente difundida e explora precisamente a tendência para a reutilização de palavras-passe. Por isso, cada serviço, especialmente os financeiros, deve ter uma palavra-passe única e dedicada.
As técnicas dos hackers para roubar as suas palavras-passe

Para se defender eficazmente, é essencial conhecer as estratégias utilizadas pelos cibercriminosos. Não se trata de obscuros magos da informática, mas sim de indivíduos que exploram erros humanos e software automatizado. Uma das técnicas mais comuns é o ataque de força bruta (brute force), no qual um programa tenta milhares de milhões de combinações de caracteres por segundo até encontrar a correta. Outra variante é o password spraying, que testa uma lista de palavras-passe muito comuns (como “123456” ou “password”) num grande número de contas, na esperança de encontrar uma correspondência. Estes métodos são particularmente eficazes contra palavras-passe curtas e simples.
Outra tática insidiosa é o ataque de dicionário. Neste caso, o software utiliza uma vasta lista de palavras de uso comum, nomes, lugares e as suas variantes para adivinhar a palavra-passe. Os hackers sabem que muitas pessoas usam palavras familiares e aplicam regras de substituição comuns, como transformar o “e” em “3” ou o “a” em “@”. Por isso, uma palavra-passe como “P@ssw0rd1” não é, de todo, tão segura como poderia parecer. Por fim, não nos podemos esquecer do phishing, uma fraude que, através de e-mails ou mensagens enganosas, tenta convencer a vítima a inserir as suas credenciais num site falso, idêntico ao do banco. Se quiser aprofundar como reconhecer estas fraudes, pode ler o nosso guia sobre phishing e smishing.
Criar uma palavra-passe à prova de hackers: as regras de ouro
Criar uma palavra-passe verdadeiramente segura não é uma arte misteriosa, mas segue regras precisas que qualquer pessoa pode aplicar. O objetivo é torná-la extremamente difícil de adivinhar por um software automático, mas, ao mesmo tempo, fácil de memorizar para si. Aqui estão os pilares para uma palavra-passe inexpugnável:
- Comprimento: É o fator mais importante. Uma palavra-passe deve ter, no mínimo, 12 a 15 caracteres. Cada caracter adicional aumenta exponencialmente o tempo necessário para a decifrar.
- Complexidade: Utilize uma mistura de letras maiúsculas e minúsculas, números e símbolos especiais (ex.: !, @, #, %). Esta variedade torna os ataques de dicionário e de força bruta muito menos eficazes.
- Exclusividade: Como já foi sublinhado, cada conta financeira deve ter a sua palavra-passe exclusiva. Nunca reutilize a mesma combinação, especialmente se já a usou para serviços menos seguros.
- Imprevisibilidade: Evite informações pessoais como datas de nascimento, nomes de familiares, animais de estimação ou sequências óbvias como “12345” ou “qwerty”. Os cibercriminosos são os primeiros a tentar estas combinações.
A técnica da passphrase: aliar segurança e memorização
Um método excelente para criar palavras-passe longas, complexas e fáceis de memorizar é a passphrase. Em vez de uma única palavra, utiliza-se uma frase inteira, talvez modificada com números e símbolos. Por exemplo, a frase “O meu primeiro concerto foi em Lisboa em 2015!” pode tornar-se “Ompcf@Le2015!”. Esta combinação é extremamente robusta porque é longa, contém vários tipos de caracteres e não faz sentido para mais ninguém. Outra estratégia é criar um acrónimo a partir de uma frase memorável: “Toda a gente se queixa da memória, mas ninguém do seu juízo” pode transformar-se em “TaqsdaM,mndsJ!”. A chave é a criatividade e a personalização, criando algo único que só você pode conhecer e recordar.
Guardar as credenciais: a importância dos gestores de palavras-passe
Ter dezenas de palavras-passe únicas e complexas representa um desafio: como memorizá-las todas? Escrevê-las num post-it ou num ficheiro de texto no computador é extremamente arriscado. A solução mais segura e inovadora é confiar num gestor de palavras-passe (password manager). Trata-se de software, verdadeiros “cofres digitais”, que armazenam de forma encriptada todas as suas credenciais de acesso. O utilizador precisa de memorizar apenas uma “palavra-passe mestra” (master password) para aceder a este arquivo protegido. Estas ferramentas não só guardam as palavras-passe, como também ajudam a gerar novas, extremamente complexas e aleatórias, para cada novo serviço em que se regista.
As vantagens de um gestor de palavras-passe são múltiplas. Além de resolverem o problema da memorização, muitos deles integram-se com o navegador e as aplicações, preenchendo automaticamente os campos de login. Isto não só é conveniente, como também aumenta a segurança, protegendo-o de sites de phishing: o software, na verdade, reconhece o endereço web correto e não inserirá as credenciais num site falso. Muitos gestores de palavras-passe oferecem também funcionalidades avançadas, como a monitorização da dark web para o avisar se as suas credenciais foram comprometidas numa violação de dados e a possibilidade de partilhar um acesso de forma segura com uma pessoa de confiança, sem revelar a palavra-passe.
Para além da palavra-passe: a autenticação multifator (MFA)
Até a palavra-passe mais forte pode ser roubada. Por isso, o mundo financeiro europeu introduziu um nível de segurança adicional e obrigatório: a Autenticação Forte do Cliente (SCA), também conhecida como autenticação multifator (MFA) ou de dois fatores (2FA). Esta medida, imposta pela diretiva europeia PSD2, exige a verificação da sua identidade através de, pelo menos, dois elementos independentes escolhidos entre três categorias:
- Conhecimento: algo que só você conhece (ex.: a palavra-passe ou o PIN).
- Posse: algo que só você possui (ex.: o smartphone no qual recebe um código OTP ou uma notificação push).
- Inerência: algo que o caracteriza (ex.: a sua impressão digital ou o reconhecimento facial).
Quando acede ao seu home banking ou autoriza um pagamento, depois de inserir a palavra-passe, o banco irá pedir-lhe uma segunda confirmação, por exemplo, inserindo um código de utilização única (OTP) recebido via aplicação ou confirmando a operação com a sua impressão digital. Este sistema torna quase impossível para um indivíduo mal-intencionado aceder à sua conta, mesmo que tenha conseguido roubar a sua palavra-passe. Ativar a autenticação multifator em todos os serviços que a oferecem é um dos passos mais importantes para blindar a sua vida digital, transformando a sua carteira digital numa fortaleza segura.
Conclusões

A gestão das palavras-passe para os serviços financeiros é um pilar fundamental da nossa segurança económica na era digital. Num contexto que une a tradicional prudência portuguesa à dinâmica inovadora europeia, a consciencialização é a primeira forma de defesa. Criar palavras-passe longas, complexas e únicas para cada conta, abandonando o hábito arriscado de as reutilizar, é o primeiro passo essencial. A adoção de ferramentas modernas como os gestores de palavras-passe transforma esta boa prática de uma tarefa onerosa num hábito simples e automatizado, elevando drasticamente o nível de proteção. Finalmente, a autenticação multifator, tornada obrigatória pelas normativas europeias, acrescenta um cadeado inviolável em defesa das nossas poupanças. Proteger as nossas finanças online não requer competências técnicas avançadas, mas sim uma abordagem consciente e a adoção de bons hábitos. No fundo, trata-se de aplicar o mesmo cuidado que os nossos avós tinham ao guardar os seus bens, mas com as ferramentas do nosso tempo.
Perguntas frequentes

É mesmo necessário usar uma palavra-passe diferente para cada site?
Sim, é absolutamente fundamental. Utilizar a mesma palavra-passe para vários serviços, especialmente para os financeiros, é uma das práticas mais arriscadas. Se um site menos seguro sofrer uma violação de dados (um evento muito comum), os cibercriminosos obterão a sua combinação de e-mail e palavra-passe. O primeiro passo deles será experimentar essas mesmas credenciais em plataformas mais importantes, como bancos, serviços de pagamento e contas de e-mail. Esta técnica, chamada credential stuffing, tem uma alta taxa de sucesso precisamente porque muitas pessoas reutilizam as palavras-passe por conveniência. Usar uma palavra-passe única para cada conta financeira garante que uma violação noutro serviço não coloque em risco as suas poupanças.
Os gestores de palavras-passe são realmente seguros? E se forem alvo de hackers?
Os gestores de palavras-passe fiáveis são concebidos com níveis de segurança muito elevados. Utilizam uma encriptação “ponta a ponta” de conhecimento zero (zero-knowledge), o que significa que os seus dados são encriptados no seu dispositivo antes de serem enviados para a nuvem. Nem mesmo a empresa que fornece o serviço pode aceder às suas palavras-passe. A única forma de decifrar o arquivo é através da sua palavra-passe mestra, que só você conhece. Claro que nenhum sistema é 100% infalível, mas o risco é consideravelmente menor em comparação com métodos como guardar as palavras-passe no navegador, em ficheiros de texto ou, pior ainda, reutilizar sempre as mesmas. Para uma segurança adicional, é crucial escolher uma palavra-passe mestra muito robusta e ativar a autenticação de dois fatores também para o acesso ao próprio gestor de palavras-passe.
O que significa autenticação de dois fatores (2FA) e porque é que é obrigatória para os bancos?
A autenticação de dois fatores (2FA), ou Autenticação Forte do Cliente (SCA) no setor bancário, é um método de segurança que exige duas provas diferentes para verificar a sua identidade. Tornou-se obrigatória na Europa com a diretiva PSD2 para aumentar a segurança dos pagamentos online e reduzir as fraudes. Na prática, para além de algo que “conhece” (a palavra-passe), deve fornecer prova de algo que “possui” (como o smartphone, no qual recebe um código) ou algo que “é” (como a sua impressão digital). Isto significa que, mesmo que um hacker conseguisse roubar a sua palavra-passe, não poderia aceder à sua conta ou autorizar pagamentos, porque lhe faltaria o segundo fator de autenticação.
Perguntas frequentes
Usar a mesma palavra-passe para vários serviços é muito arriscado. Se um site pouco seguro for violado, os hackers testam as credenciais roubadas (nome de utilizador e palavra-passe) noutros serviços, incluindo os bancários. Este ataque, chamado *credential stuffing*, é muito comum. Visto que as contas bancárias são o alvo principal, é fundamental usar uma palavra-passe única e complexa apenas para os serviços financeiros, para evitar que uma violação noutro site coloque em risco as suas poupanças.
É uma preocupação compreensível, mas os gestores de palavras-passe modernos são concebidos para serem extremamente seguros. Funcionam como um cofre digital protegido por uma única *Palavra-Passe Mestra*, que só você deve conhecer. Utilizam uma encriptação avançada (muitas vezes de ‘conhecimento zero’), o que significa que nem mesmo a empresa que fornece o serviço pode ver as suas palavras-passe. O risco de colocar tudo num só lugar é muito inferior ao de reutilizar palavras-passe fracas em vários sites.
Um método eficaz é criar uma *passphrase*, ou seja, uma frase fácil de memorizar, mas difícil de adivinhar. Escolha uma frase que tenha significado apenas para si, por exemplo, ‘AMinhaPrimeiraViagemaParisfoiFantástica!24’. Esta palavra-passe é muito longa, combina letras maiúsculas e minúsculas, palavras, um símbolo e números, tornando-a extremamente robusta contra ataques informáticos. Evite sempre informações pessoais óbvias, como datas de nascimento ou nomes de familiares.
Sim, é fundamental. A autenticação de dois fatores adiciona um nível de segurança decisivo. Mesmo que um criminoso consiga roubar a sua palavra-passe, não poderá aceder à conta porque lhe faltará o segundo fator de verificação, que geralmente é um código temporário enviado para o seu smartphone ou gerado por uma aplicação. Na Europa, para a maioria das operações bancárias online, a autenticação forte (SCA), que se baseia neste princípio, é obrigatória por lei (normativa PSD2) para proteger os consumidores.
Agir rapidamente é crucial. Em primeiro lugar, contacte imediatamente o seu banco através dos números oficiais para bloquear o acesso à conta e aos cartões associados. Em seguida, altere a palavra-passe do home banking e, se a usava noutros locais, altere-a em todas as outras contas. Por fim, apresente queixa junto das autoridades, como a Polícia Judiciária, e conteste formalmente quaisquer operações não autorizadas junto do seu banco.

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