Em Resumo (TL;DR)
Apesar dos desafios de compatibilidade, existem soluções eficazes para executar software não nativo no Mac, abrindo um mundo de novas possibilidades.
Descubra as estratégias mais eficazes para superar estas limitações, desde o uso de máquinas virtuais até à instalação do Windows no seu Mac.
O diabo está nos detalhes. 👇 Continue lendo para descobrir os passos críticos e as dicas práticas para não errar.
O ecossistema Apple conquistou uma fatia importante do mercado português e europeu, seduzindo profissionais e utilizadores domésticos com o seu design, estabilidade e eficiência. No entanto, para muitos, a transição para o macOS esconde uma armadilha significativa: a incompatibilidade com software específico, muitas vezes enraizado nas práticas de trabalho tradicionais. Este obstáculo digital representa um ponto de atrito entre a inovação promovida pela Apple e os hábitos consolidados, especialmente num contexto como o português, caracterizado por um tecido de pequenas e médias empresas (PME) e escritórios profissionais ligados a ferramentas de software históricas. Enfrentar este obstáculo não significa necessariamente abdicar de um Mac, mas sim conhecer as estratégias e soluções disponíveis para colmatar a lacuna.
O problema não se limita a programas de nicho. Aplicações cruciais em setores como a administração, o design técnico ou a gestão empresarial foram, durante anos, desenvolvidas exclusivamente para Windows, o sistema operativo dominante. Embora a situação esteja a mudar, com um crescimento constante da quota de mercado do macOS em Portugal, que se situa em torno dos 18%, a transição ainda não está completa. Muitos profissionais encontram-se, por isso, numa encruzilhada: manter-se fiéis a um software familiar, mas ligado a um sistema operativo específico, ou abraçar um novo hardware, procurando alternativas práticas e eficientes para não interromper a sua produtividade.

O panorama português: tradição e software específico
O tecido económico português é único, construído sobre uma rede capilar de pequenas e médias empresas, artesãos, advogados, contabilistas e médicos. Estes profissionais confiam há décadas em software de gestão e aplicações concebidas para responder a normativas e hábitos de trabalho específicos de Portugal. Programas de contabilidade, faturação eletrónica, gestão de um escritório de advocacia ou de um consultório médico nasceram e cresceram, muitas vezes, em ambiente Windows. Esta “herança digital” cria uma forte dependência, tornando a transição para o macOS uma escolha complexa. Um advogado habituado a um software de gestão específico para a entrega eletrónica de processos, ou um contabilista que usa um programa consolidado para a declaração de impostos, encara a mudança de sistema operativo como um risco para a sua operacionalidade.
Felizmente, o mercado está a evoluir. Reconhecendo a crescente adoção dos Macs no mundo profissional, muitas software houses começaram a oferecer soluções alternativas. Existem hoje softwares de gestão como o Nabirio Gaveira ou o Invoicex, pensados para artesãos e PMEs, que garantem total compatibilidade com o Mac por serem baseados em tecnologias multiplataforma como Java ou por serem acessíveis via web. Também para os profissionais da área jurídica, soluções como o TeamSystem Legal e o Jarvis Legal oferecem plataformas na nuvem acessíveis a partir de qualquer navegador, superando, na prática, as barreiras do sistema operativo. Esta tendência mostra uma clara mudança em direção à inovação, onde a flexibilidade e a acessibilidade se tornam mais importantes do que a própria plataforma.
A revolução Apple Silicon e a emulação com o Rosetta 2
A introdução dos processadores Apple Silicon (M1, M2, M3 e posteriores) marcou um ponto de viragem para o ecossistema Mac, oferecendo um desempenho e uma eficiência energética sem precedentes. Esta transição, no entanto, introduziu um novo desafio de compatibilidade: o software compilado para os antigos processadores Intel não podia funcionar nativamente na nova arquitetura ARM. Para resolver este problema, a Apple reintroduziu uma ferramenta genial: o Rosetta 2. Trata-se de um emulador que traduz em tempo real as instruções dos programas antigos, permitindo que funcionem nos novos Macs de forma quase transparente para o utilizador. Ao iniciar pela primeira vez uma aplicação não nativa, o macOS solicita a instalação do Rosetta 2, uma operação rápida que abre as portas a um vasto catálogo de software preexistente.
A eficácia do Rosetta 2 foi tal que tornou a transição quase indolor para a maioria dos utilizadores. Muitas aplicações, mesmo as complexas como as de edição de fotografia ou de produtividade, funcionam com um desempenho surpreendente, por vezes até superior ao registado nos Macs com processador Intel. No entanto, o Rosetta 2 tem os seus limites. Não consegue traduzir extensões do kernel ou software de virtualização que virtualizam plataformas x86_64, como as máquinas virtuais para executar versões do Windows baseadas em Intel. Embora a maioria das aplicações mais populares seja hoje “Universal” (ou seja, com código nativo tanto para Intel como para Apple Silicon), para aquele software de nicho ainda não atualizado, o Rosetta 2 continua a ser uma solução de transição indispensável. Se um programa parece não funcionar, é sempre boa ideia verificar se se trata de uma aplicação desatualizada que possa necessitar da intervenção deste emulador.
Virtualização: ter o Windows dentro do Mac
Quando um software é absolutamente indispensável e não existe uma versão para Mac ou uma alternativa válida, a solução mais poderosa é a virtualização. Este processo consiste em criar uma “máquina virtual” (VM), ou seja, um computador completo com o sistema operativo Windows que é executado como uma aplicação dentro do macOS. É como ter um PC Windows dentro de uma janela no seu Mac, podendo alternar entre um sistema e outro com um clique. Os softwares líderes neste campo são o Parallels Desktop, o VMware Fusion e o gratuito VirtualBox. Estes programas permitem instalar uma versão completa do Windows (é necessária uma licença válida) e executar qualquer aplicação como se estivesse num PC nativo.
O Parallels Desktop, em particular, oferece uma integração quase perfeita. Com o seu modo “Coherence”, as aplicações Windows aparecem no ambiente de trabalho do Mac como se fossem programas nativos, com os seus ícones na Dock e janelas que podem ser geridas individualmente. Isto elimina a necessidade de visualizar todo o ambiente de trabalho do Windows, tornando a experiência de utilização fluida e intuitiva. A virtualização é a escolha ideal para profissionais que dependem de software específico, como versões particulares do AutoCAD ou softwares de gestão empresarial não disponíveis para Mac. A principal desvantagem é o consumo de recursos: executar dois sistemas operativos em simultâneo requer uma boa quantidade de RAM e poder de processamento. No entanto, com a potência dos Macs modernos, esta solução tornou-se extremamente viável e eficaz.
Alternativas e soluções baseadas na nuvem
A incompatibilidade de software não tem de ser necessariamente um impedimento. Muitas vezes, a solução mais simples é procurar uma alternativa nativa para o macOS. O mercado de aplicações para Mac cresceu exponencialmente e, para quase todos os programas do Windows, existe hoje um equivalente de alta qualidade. Por exemplo, em vez do Microsoft Office, pode-se utilizar a suite iWork da Apple (Pages, Numbers, Keynote) ou alternativas de código aberto como o LibreOffice. Para design gráfico, edição de vídeo e produção musical, o Mac sempre foi uma plataforma de referência com software profissional como o Final Cut Pro, o Logic Pro e toda a suite Adobe Creative Cloud, agora totalmente compatível com o Apple Silicon.
Outra fronteira que está a derrubar as barreiras entre sistemas operativos é o software baseado na nuvem (SaaS – Software as a Service). Muitos serviços, que antes estavam ligados a uma instalação local, são agora acessíveis através de qualquer navegador web. Da contabilidade à gestão de relacionamento com o cliente (CRM), passando pelo design colaborativo, as aplicações web oferecem a vantagem de serem independentes da plataforma. Este modelo é particularmente vantajoso no contexto português, onde soluções para faturação eletrónica e gestão documental são cada vez mais oferecidas na nuvem. Recorrer a um serviço na nuvem não só resolve os problemas de compatibilidade, como também garante que os dados estão acessíveis a partir de qualquer dispositivo, seja um Mac, um PC Windows ou até mesmo um tablet, promovendo uma cultura de trabalho mais flexível e moderna.
Conclusões

A incompatibilidade de software no macOS, embora seja uma preocupação legítima para quem se aproxima do ecossistema Apple vindo do Windows, representa hoje um obstáculo amplamente superável. O fosso entre tradição e inovação está a diminuir graças a uma combinação de fatores. Por um lado, a inovação tecnológica da Apple, com ferramentas como o Rosetta 2, tornou a transição para os novos processadores Apple Silicon quase impercetível. Por outro, soluções consolidadas como a virtualização com o Parallels Desktop permitem manter um pé na tradição, executando software Windows indispensável sem sacrificar as vantagens do macOS. Por fim, o próprio mercado está a adaptar-se, com um número crescente de programadores, também no contexto português, a oferecer alternativas nativas para Mac ou soluções baseadas na nuvem, tornando a plataforma uma escolha cada vez mais viável para todo o tipo de profissional. A escolha, portanto, já não é se um software funciona no Mac, mas sim qual das muitas soluções disponíveis é a mais adequada às próprias necessidades.
Perguntas frequentes

Se uma aplicação não funcionar no seu Mac, a primeira coisa a verificar é se existem versões atualizadas ou alternativas nativas para o macOS. Se não houver, pode considerar várias soluções. Para os Macs com processador Apple Silicon (M1, M2, M3), a ferramenta **Rosetta 2** traduz automaticamente muitas aplicações criadas para os antigos Macs com processador Intel. Para executar software específico para Windows, pode utilizar software de virtualização como o **Parallels Desktop** ou o **VMware Fusion**, que criam uma máquina virtual Windows dentro do macOS. Outra opção são as camadas de compatibilidade como o **CrossOver**, que permitem executar aplicações Windows sem instalar todo o sistema operativo.
As formas de usar o Windows num Mac dependem do processador. Nos **Macs com processador Intel**, pode usar o **Boot Camp**, um utilitário gratuito da Apple que permite instalar o Windows numa partição separada do disco, garantindo o máximo desempenho. Nos **Macs mais recentes com processador Apple Silicon (M1/M2/M3)**, o Boot Camp não está disponível. A solução principal é a virtualização através de software como o **Parallels Desktop**, autorizado pela Microsoft para executar o Windows 11 ARM, ou o **VMware Fusion**. Estes programas permitem-lhe usar o Windows e as suas aplicações diretamente a partir do ambiente macOS, como se fossem uma única entidade.
Sim, na maioria dos casos. Os Macs com chip Apple Silicon (M1, M2, M3, etc.) utilizam um tradutor automático chamado **Rosetta 2**. Quando abre pela primeira vez uma aplicação criada para os Macs com processador Intel, o Rosetta 2 converte-a para a tornar compatível com a nova arquitetura. O processo é quase sempre transparente para o utilizador e garante um bom desempenho. No entanto, o Rosetta 2 não suporta software muito antigo de 32 bits, extensões do kernel ou aplicações de virtualização que virtualizam plataformas x86_64.
A partir do macOS Catalina (versão 10.15), a Apple removeu completamente o suporte para aplicações de **32 bits**. Os Macs modernos e os seus sistemas operativos são baseados numa arquitetura de 64 bits, que oferece maior velocidade e segurança. Se uma aplicação não foi atualizada pelo seu programador para uma versão de 64 bits, não poderá ser executada nas versões recentes do macOS. Para usar uma aplicação de 32 bits, é necessário recorrer a soluções como a criação de uma máquina virtual com uma versão mais antiga do macOS (como o Mojave) através de software como o Parallels Desktop ou o VirtualBox.
Sim, existem algumas opções gratuitas, embora muitas vezes exijam mais conhecimentos técnicos do que as soluções pagas. O **VirtualBox** é um software de virtualização de código aberto que permite criar uma máquina virtual Windows no seu Mac. Outra alternativa é o **WineHQ**, uma camada de compatibilidade que tenta executar aplicações Windows diretamente no macOS sem a necessidade de uma licença do Windows. Por fim, para os Macs com processador Intel, o **Boot Camp** é um utilitário gratuito integrado no macOS que permite instalar o Windows de forma nativa.

Achou este artigo útil? Há outro assunto que gostaria de me ver abordar?
Escreva nos comentários aqui em baixo! Inspiro-me diretamente nas vossas sugestões.