Em Resumo (TL;DR)
Compreender a diferença entre TAN e TAEG é fundamental para conhecer o custo real de um crédito à habitação e escolher com consciência a oferta mais vantajosa.
A TAEG, ao contrário da TAN, é o indicador que inclui todas as despesas acessórias e obrigatórias, oferecendo uma visão clara e completa do custo real do crédito.
Portanto, compreender a fundo a diferença entre estas duas taxas é o primeiro passo para uma escolha financeira consciente e vantajosa.
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Comprar casa é um sonho enraizado na cultura portuguesa, um passo que simboliza estabilidade e futuro. Mas entrar no mundo dos créditos à habitação pode parecer uma corrida de obstáculos, repleta de siglas e termos técnicos. Entre estes, TAN e TAEG são os protagonistas indiscutíveis. Compreender a diferença entre estes dois indicadores não é um mero exercício de finanças, mas sim a ferramenta fundamental para perceber o custo total do seu financiamento e evitar surpresas desagradáveis. Este artigo foi criado para esclarecer, guiando qualquer pessoa, desde o jovem profissional à família consolidada, para uma escolha consciente e transparente.
O objetivo é simples: transformar a incerteza em conhecimento. Analisaremos o que estas duas percentagens representam, que custos incluem e porque é que uma delas é muito mais importante do que a outra para comparar as ofertas dos bancos. Com exemplos práticos e uma linguagem direta, revelaremos como a informação correta é o primeiro e mais importante tijolo sobre o qual construir o seu projeto de casa, unindo a tradição do “sonho da casa própria” com a inovação de uma gestão financeira pessoal mais consciente.

A TAN: a Taxa de Juro Pura
A TAN, acrónimo de Taxa Anual Nominal, representa a taxa de juro pura aplicada ao capital que o banco nos empresta. Em palavras simples, é o “preço” do dinheiro que pedimos emprestado, expresso numa base anual. Quando um banco nos oferece um crédito à habitação com uma determinada TAN, está a comunicar exclusivamente a percentagem de juros que teremos de devolver sobre o capital financiado. Esta taxa é o elemento base para calcular a prestação do crédito, em particular a componente de juros que, especialmente nos primeiros anos de um plano de amortização segundo o método francês, constitui uma parte significativa do pagamento mensal. No entanto, a TAN é um indicador parcial porque não tem em conta quaisquer outros custos associados ao financiamento. Olhar apenas para a TAN é como escolher um produto no supermercado baseando-se apenas no preço exposto na prateleira, sem considerar custos adicionais na caixa.
A TAEG: o Indicador do Custo Total
A TAEG, ou Taxa Anual Efetiva Global, é o indicador que faz a verdadeira diferença. O seu objetivo é fornecer uma visão completa e transparente do custo total do financiamento. Além da TAN, a TAEG inclui uma série de despesas acessórias obrigatórias que influenciam o custo final do crédito. Entre as principais encontram-se: as despesas de dossier, os custos da avaliação do imóvel, os seguros obrigatórios (como o de incêndio e multirriscos), os impostos e eventuais despesas de manutenção da conta à ordem, se exigido pelo banco. Por lei, graças a diretivas europeias sobre a transparência, cada instituição de crédito é obrigada a comunicar a TAEG em todas as ofertas e documentos pré-contratuais, permitindo assim uma comparação justa e imediata entre as várias propostas. É este o número a que se deve prestar atenção para perceber qual o crédito que é realmente mais vantajoso.
TAN e TAEG em Comparação: um Exemplo Prático
Para compreender a importância de não nos ficarmos pela TAN, um exemplo prático é mais eficaz do que mil palavras. Imaginemos que temos de escolher entre duas ofertas de crédito à habitação de 150.000 euros a 25 anos.
- O Banco A propõe uma TAN de 2,90%. As despesas de dossier são de 1.500 euros, a avaliação custa 300 euros e não existem outras despesas iniciais.
- O Banco B chama a atenção com uma TAN mais baixa, de 2,80%. No entanto, as despesas de dossier ascendem a 2.500 euros e a avaliação a 400 euros.
À primeira vista, a oferta do Banco B parece mais vantajosa devido à TAN inferior. Mas quando calculamos a TAEG, que inclui todos os custos, a perspetiva muda. As maiores despesas acessórias do Banco B farão inevitavelmente subir a sua TAEG, que poderá acabar por ser superior à do Banco A. Por exemplo, a TAEG do Banco A poderia situar-se nos 3,05%, enquanto a do Banco B poderia subir para 3,10%. Isto demonstra que uma TAN mais baixa não garante um crédito mais económico. A comparação deve ser sempre feita com base na TAEG, o único indicador que revela o custo “tudo incluído” do financiamento.
Porque é que a Transparência é um Direito do Consumidor
A indicação clara da TAEG não é uma cortesia dos bancos, mas sim uma obrigação estabelecida por normativas europeias e nacionais precisas, como a Diretiva 2014/17/UE. O objetivo desta legislação é proteger os consumidores, garantindo um mercado de crédito mais transparente e competitivo. Em Portugal, o Banco de Portugal supervisiona para que os intermediários financeiros cumpram estas regras, impondo a máxima clareza nas comunicações publicitárias e nos documentos informativos. O documento-chave neste processo é a FINE (Ficha de Informação Normalizada Europeia), que deve ser entregue ao cliente antes da assinatura do contrato. A FINE resume todas as condições económicas da oferta, destacando precisamente a TAEG para facilitar a comparação entre as diferentes propostas no mercado. Estar ciente deste direito permite exigir sempre informações claras e completas.
Tradição e Inovação na Escolha do Crédito à Habitação
O desejo de possuir uma casa é uma tradição profundamente enraizada na nossa cultura, um marco que une gerações. Se antigamente a escolha do banco se baseava no passa-a-palavra ou na relação de confiança com a agência local, hoje a inovação tecnológica revolucionou este processo. Compreender a diferença entre TAN e TAEG é o exemplo perfeito de como uma competência moderna é essencial para realizar um sonho antigo. As ferramentas digitais, os comparadores online e os blogues de informação financeira democratizaram o acesso à informação, permitindo que qualquer pessoa analise e compare dezenas de ofertas. Saber ler corretamente estes dados é uma competência crucial. Enfrentar o percurso para pedir um crédito para a primeira casa com esta nova consciência significa unir o valor da tradição à força da inovação, para uma escolha não só sonhada, mas também informada e segura.
Conclusões

Em resumo, a distinção entre TAN e TAEG é clara e fundamental. A TAN indica apenas a taxa de juro aplicada ao capital, oferecendo uma visão parcial do custo do crédito. A TAEG, pelo contrário, é o indicador abrangente que inclui todos os custos obrigatórios associados ao financiamento, representando o verdadeiro custo total do crédito. Por este motivo, ao comparar diferentes ofertas de crédito à habitação, o único parâmetro que garante uma comparação justa e transparente é a TAEG. Uma TAN atrativa pode esconder despesas acessórias elevadas que tornam o financiamento mais oneroso do que outras propostas aparentemente menos convenientes. Ser um consumidor informado, capaz de decifrar estas siglas e de exigir clareza, é o primeiro passo para transformar o sonho de uma casa numa sólida realidade financeira, sem imprevistos.
Perguntas frequentes

A TAN (Taxa Anual Nominal) é a taxa de juro ‘pura’ que o banco aplica ao capital que lhe empresta. Indica apenas o custo dos juros. A TAEG (Taxa Anual Efetiva Global), por outro lado, é o indicador que expressa o custo total do crédito, porque inclui, além da TAN, todas as despesas acessórias obrigatórias, como os custos de dossier, as avaliações, os seguros impostos e as despesas de gestão.
A TAEG é definitivamente mais importante. Embora uma TAN baixa possa parecer atrativa, não conta a história toda. A TAEG, ao incluir todas as despesas obrigatórias, dá-lhe uma visão completa e realista do custo total do financiamento. Para comparar de forma justa as diferentes ofertas de crédito à habitação, o indicador fundamental a considerar é sempre a TAEG.
Uma grande diferença entre a TAEG e a TAN indica que existem custos acessórios significativos associados ao crédito. Estes custos podem incluir despesas de dossier elevadas, comissões, avaliações ou seguros obrigatórios. Portanto, uma oferta com uma TAN muito baixa mas uma TAEG desproporcional pode esconder custos adicionais que a tornam menos vantajosa do que parece à primeira vista.
Na TAEG estão incluídos: a TAN, as despesas de dossier, os custos dos seguros obrigatórios (como o de incêndio e multirriscos), as despesas de cobrança da prestação e outras comissões bancárias. Geralmente, estão excluídos do cálculo da TAEG os custos não obrigatórios ou não previsíveis, como as despesas notariais para a escritura de compra e venda e do crédito, os impostos, as penalizações por liquidação antecipada e os seguros facultativos.
Depende do tipo de crédito. Num crédito com taxa fixa, a TAN (e, consequentemente, a componente de juros da prestação) permanece inalterada durante toda a duração do financiamento. Num crédito com taxa variável, a TAN muda de acordo com as flutuações de um índice de referência (como a Euribor). Consequentemente, a TAEG de um crédito com taxa variável é também uma estimativa calculada no momento da contratação e pode variar ao longo do tempo.



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