Em Resumo (TL;DR)
Enviar dinheiro para o estrangeiro requer o conhecimento das transferências SEPA e SWIFT: este guia completo para estrangeiros explica as diferenças, os custos e como otimizar as remessas para o seu país de origem.
Descubra como utilizar os circuitos SEPA, para as transferências em euros, e SWIFT, para as outras moedas, para enviar dinheiro para o seu país de origem de forma segura e conveniente.
Utilize os códigos BIC/SWIFT corretos e escolha entre transferência SEPA ou SWIFT para enviar dinheiro para o seu país de origem de forma segura e otimizando os custos.
O diabo está nos detalhes. 👇 Continue lendo para descobrir os passos críticos e as dicas práticas para não errar.
Viver e trabalhar em Itália, imersos numa cultura rica em história e tradição, representa uma oportunidade para muitos cidadãos estrangeiros. No entanto, a gestão das próprias finanças, em particular o envio de dinheiro para o país de origem, pode apresentar desafios. Quer se trate de apoiar a família, investir ou gerir propriedades, compreender os mecanismos das transferências internacionais é fundamental. Num mundo cada vez mais conectado, onde os laços económicos e afetivos ultrapassam as fronteiras geográficas, ferramentas como as transferências SEPA e SWIFT tornam-se aliados preciosos. Este guia nasce para esclarecer estes sistemas, oferecendo uma visão completa para quem, a partir de Itália, tem a necessidade de transferir fundos para o estrangeiro, unindo a eficiência da inovação tecnológica ao valor da tradição do apoio familiar.
O envio de dinheiro, também conhecido como remessa, é um gesto que vai além do simples valor económico. Para muitos, representa um elo tangível com as suas raízes e uma contribuição essencial para o bem-estar dos seus entes queridos. Segundo os dados do Banco de Itália, em 2024 as remessas dos estrangeiros residentes em Itália atingiram cerca de 8,3 mil milhões de euros, com a Ásia como principal área de destino. Estes números evidenciam a importância de um sistema de transferência de dinheiro que seja não só eficiente e seguro, mas também economicamente vantajoso.

SEPA: A Europa sem fronteiras para os seus pagamentos
Para quem tem a necessidade de enviar dinheiro dentro da Europa, o sistema SEPA representa a solução mais simples e económica. O acrónimo significa Single Euro Payments Area, ou seja, Área Única de Pagamentos em Euros. Este sistema foi criado para tornar os pagamentos em euros entre os países aderentes simples, seguros e convenientes como os pagamentos nacionais. A ideia base é eliminar as diferenças entre pagamentos nacionais e transfronteiriços dentro desta área.
Graças à SEPA, uma transferência de Roma para Lisboa ocorre com a mesma facilidade e aos mesmos custos de uma transferência entre Roma e Milão.
A área SEPA inclui não só os 27 países da União Europeia, mas também outros estados como Islândia, Noruega, Liechtenstein, Suíça, Reino Unido e São Marino, num total de 41 países. Para efetuar uma transferência SEPA, é suficiente conhecer o IBAN (International Bank Account Number) do beneficiário. Os tempos de crédito são rápidos, geralmente um dia útil, e os custos são contidos, muitas vezes nulos ou muito baixos, equiparáveis aos de uma transferência nacional. Isto torna a transferência SEPA a ferramenta ideal para quem trabalha em Itália e precisa de enviar regularmente dinheiro a familiares ou gerir pagamentos noutros países europeus.
As vantagens da transferência SEPA em resumo
O sistema SEPA oferece inúmeras vantagens para quem precisa de transferir dinheiro na Europa. A rapidez é um dos pontos fortes: as quantias são creditadas, por norma, dentro de um dia útil após a emissão da ordem. A isto junta-se a conveniência económica, dado que as comissões são geralmente baixas ou inexistentes, tornando as transferências transfronteiriças em euros tão económicas quanto as domésticas. A simplicidade é outro fator chave: basta o IBAN do destinatário para iniciar a transação, sem necessidade de códigos complexos ou informações adicionais. Por fim, a ampla cobertura geográfica, que inclui também países não pertencentes à UE, garante uma grande flexibilidade.
SWIFT: A rede global para transferências extraeuropeias

Quando o destino do dinheiro se encontra fora da área SEPA, entra em jogo o sistema SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication). Trata-se de uma rede de mensagens global utilizada por mais de 11.000 instituições financeiras em mais de 200 países para trocarem de forma segura as instruções relativas às transferências de fundos. É importante sublinhar que a SWIFT não transfere materialmente o dinheiro, mas funciona como intermediário para a comunicação segura entre os bancos envolvidos na operação.
Ao contrário da transferência SEPA, para uma transferência SWIFT são necessárias mais informações. Além do nome do beneficiário e do seu número de conta, é indispensável o código BIC (Bank Identifier Code), também conhecido como código SWIFT. Este código, composto por 8 ou 11 caracteres, identifica de forma única o banco do destinatário a nível mundial. Para encontrar o código correto, é possível consultar o site do banco, os extratos de conta ou utilizar ferramentas de pesquisa online. Um exemplo prático é a necessidade de conhecer o código BIC SWIFT da UniCredit se se envia dinheiro para uma conta neste banco.
Custos e prazos das transferências SWIFT
As transferências SWIFT são geralmente mais caras e lentas em comparação com as SEPA. Os custos podem variar consideravelmente dependendo do banco, do país de destino e da moeda. As comissões podem incluir uma taxa fixa aplicada pelo banco ordenante, uma comissão variável com base no montante e, por vezes, custos cobrados por bancos intermediários que participam na transferência. Existem diferentes opções para a repartição destas despesas: OUR (todas as despesas a cargo do ordenante), BEN (todas as despesas a cargo do beneficiário) e SHA (despesas partilhadas), que é a opção mais comum.
Também os prazos são mais longos: uma transferência SWIFT pode demorar de 1 a 5 dias úteis, por vezes até mais, dependendo dos países envolvidos, dos fusos horários e da eficiência dos bancos intermediários. Esta complexidade deve-se ao facto de o dinheiro poder passar por vários bancos antes de chegar ao destino final, cada um dos quais deve processar a transação. Para quem precisa de enviar dinheiro para países como o Bangladesh ou o Paquistão, principais destinatários das remessas de Itália, compreender estes fatores é crucial para um correto planeamento financeiro.
Tradição e Inovação: Para além da transferência tradicional
Enviar dinheiro para casa é um gesto que tem as suas raízes na cultura mediterrânica e em muitas outras culturas do mundo, uma ponte que une famílias separadas pela distância. Hoje, esta tradição casa-se com a inovação tecnológica, oferecendo alternativas aos canais bancários tradicionais. Empresas fintech como a Wise (antiga TransferWise), Revolut e Western Union oferecem serviços de transferência de dinheiro internacional muitas vezes mais rápidos e convenientes.
Estas plataformas digitais estão a contribuir para reduzir os custos de transferência e a aumentar a transparência das transações, com um impacto positivo para milhões de famílias.
Estes serviços utilizam a taxa de câmbio real ou média de mercado, aplicando comissões transparentes e muitas vezes inferiores às bancárias. O processo é inteiramente digital, gerível através de uma aplicação no smartphone, tornando o envio de dinheiro uma operação rápida e acessível a qualquer pessoa. Por exemplo, um trabalhador estrangeiro em Itália pode enviar fundos para a sua família em Marrocos ou na Albânia em poucos minutos, com a certeza do custo final e dos tempos de crédito. Esta evolução representa uma grande vantagem, especialmente considerando que o custo das transações ainda pode representar um obstáculo. Para quem se aproxima destas ferramentas, é importante ter uma conta corrente para estrangeiros ativa e compreender os simples procedimentos necessários.
Aspetos práticos e normativos a considerar
Efetuar uma transferência internacional requer atenção a alguns detalhes práticos e normativos. É fundamental inserir corretamente todos os dados solicitados, como o IBAN para as transferências SEPA e o código BIC/SWIFT para as internacionais, além do nome completo e do endereço do beneficiário. Um erro nestes dados pode causar atrasos ou o bloqueio da transferência, com consequentes transtornos e custos adicionais. Em alguns casos, o banco pode solicitar informações adicionais, como o motivo da transferência, especialmente para montantes elevados, em conformidade com a normativa de combate ao branqueamento de capitais.
A normativa de combate ao branqueamento de capitais (AML) prevê, de facto, que os intermediários financeiros monitorizem as transações para prevenir o uso do sistema financeiro para fins ilícitos. Para montantes superiores a determinados limiares, pode ser necessário fornecer documentação que ateste a proveniência lícita dos fundos. Embora isto possa parecer um encargo burocrático, trata-se de uma medida de segurança para proteger todo o sistema. Para um cidadão estrangeiro, estar informado sobre estes aspetos e talvez sobre como gerir uma eventual conta bloqueada, faz parte de uma gestão financeira consciente e segura.
Conclusões

Enviar dinheiro para o estrangeiro a partir de Itália é uma operação quotidiana para muitíssimos cidadãos estrangeiros, um gesto que une o dever do apoio familiar à utilização de ferramentas financeiras modernas. A escolha entre uma transferência SEPA e uma SWIFT depende essencialmente do destino dos fundos: a primeira é a solução ideal para transferências em euros dentro da área europeia, graças à sua rapidez e conveniência; a segunda é o sistema de referência para todos os outros destinos no mundo, embora com custos e tempos maiores. Compreender as diferenças entre estes dois sistemas é o primeiro passo para otimizar as transferências e garantir que o seu dinheiro chegue ao destino da forma mais eficiente possível. A inovação, representada pelas plataformas fintech, oferece hoje alternativas ainda mais vantajosas, conjugando a tradição do apoio à distância com a simplicidade da tecnologia digital. Estar informado e escolher a ferramenta certa significa não só poupar tempo e dinheiro, mas também dar mais valor a cada euro enviado para casa.
Perguntas frequentes

Qual é a principal diferença entre uma transferência SEPA e SWIFT?
A diferença fundamental reside na área geográfica de aplicação e nos custos. A transferência SEPA (Single Euro Payments Area) é utilizada para as transferências em euros dentro de uma área que inclui 41 países, predominantemente europeus. É rápida (geralmente 1 dia útil) e económica, muitas vezes gratuita. A transferência SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication) é, por sua vez, o sistema padrão para as transferências internacionais fora da área SEPA, para mais de 200 países. É geralmente mais cara e requer mais tempo (de 1 a 5 dias úteis ou mais) devido à possível presença de bancos intermediários.
De que dados preciso para enviar uma transferência para o estrangeiro?
Os dados necessários variam consoante o tipo de transferência. Para uma transferência SEPA, são suficientes o nome completo do beneficiário e o seu código IBAN (International Bank Account Number). Para uma transferência SWIFT, além do nome, apelido e endereço do beneficiário e do seu número de conta, é indispensável fornecer o código BIC/SWIFT do banco de destino. Este código identifica de forma única a instituição de crédito a nível global.
Existem alternativas mais económicas às transferências bancárias internacionais?
Sim, existem diversas alternativas inovadoras e muitas vezes mais convenientes em comparação com os canais bancários tradicionais. Plataformas digitais e empresas fintech como a Wise, Revolut, Western Union e outras oferecem serviços de transferência de dinheiro internacional. Estes operadores são conhecidos por aplicarem comissões mais baixas e transparentes e por utilizarem a taxa de câmbio real ou média de mercado, reduzindo os custos ocultos. Além disso, as transferências são muitas vezes mais rápidas e podem ser geridas comodamente através de uma aplicação para smartphone.
Porque é que uma transferência SWIFT custa mais do que uma transferência SEPA?
Uma transferência SWIFT é mais cara por diversas razões. Em primeiro lugar, envolve frequentemente uma conversão de moeda, sobre a qual o banco aplica uma margem (spread) em relação à taxa de câmbio interbancária. Em segundo lugar, a transferência pode transitar por um ou mais bancos intermediários antes de chegar ao banco do beneficiário, e cada um destes pode cobrar uma comissão pelo serviço. Por fim, os bancos aplicam comissões fixas ou variáveis pela própria gestão da operação internacional, que é intrinsecamente mais complexa do que uma transferência padronizada como a SEPA.
O que acontece se eu inserir os dados do beneficiário incorretamente?
Inserir dados errados, como um IBAN ou um código BIC/SWIFT incorreto, pode ter diversas consequências. Na melhor das hipóteses, o banco pode recusar a operação antes de a executar. Se a transferência for enviada mesmo assim, poderá ser devolvida pelo banco do beneficiário, mas não antes de serem cobradas comissões pela gestão da operação e pela sua devolução. Na pior das hipóteses, se o IBAN errado corresponder a uma conta válida, os fundos podem ser creditados a uma pessoa errada e a recuperação pode tornar-se complexa e não garantida. É, portanto, de fundamental importância verificar com a máxima atenção todos os dados antes de confirmar uma operação.
Perguntas frequentes
A principal diferença é geográfica e de moeda. A transferência SEPA (Single Euro Payments Area) usa-se para transferir euros dentro de 36 países europeus e é geralmente rápida e económica, quase como uma transferência nacional. A transferência SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication) utiliza-se para enviar dinheiro a nível global, em diferentes moedas, para cerca de 200 países. Tende a ser mais cara e a demorar mais tempo.
O custo varia muito. Para uma transferência SEPA em euros, as comissões são baixas ou nulas, semelhantes às nacionais. Para uma transferência SWIFT, os custos são mais elevados e podem incluir uma comissão fixa, uma percentagem sobre o montante e uma majoração na taxa de câmbio aplicada pelo banco. Por vezes, adicionam-se também comissões de bancos intermediários. É sempre aconselhável verificar as condições específicas da sua instituição de crédito.
O código BIC/SWIFT identifica um banco específico a nível internacional e é essencial para as transferências extra-SEPA. Pode encontrá-lo no extrato de conta do beneficiário, solicitá-lo diretamente ao seu banco ou procurá-lo no site da instituição de crédito. Existem também ferramentas online para a verificação do código. Certifique-se de que está correto para evitar atrasos ou que a transferência seja rejeitada.
Se o erro for notado imediatamente, é possível cancelar a transferência antes que o banco a processe, geralmente dentro do horário de corte. Se a transferência já partiu com um IBAN ou SWIFT inexistente, será estornada automaticamente. Se, pelo contrário, o código corresponder a outra conta, a situação é mais complexa: é preciso contactar imediatamente o seu banco para iniciar um procedimento de recuperação de fundos, mas a recuperação nem sempre é garantida e depende da colaboração do banco recetor e da boa-fé de quem recebeu o dinheiro.
Sim, hoje existem numerosos serviços online e aplicações especializadas na transferência de dinheiro internacional. Muitas vezes, estas plataformas fintech oferecem comissões mais baixas e, sobretudo, aplicam a taxa de câmbio real ou com uma majoração mínima, resultando mais transparentes e convenientes do que os canais bancários tradicionais, especialmente para as transferências em moeda diferente do euro.

Achou este artigo útil? Há outro assunto que gostaria de me ver abordar?
Escreva nos comentários aqui em baixo! Inspiro-me diretamente nas vossas sugestões.