Em Resumo (TL;DR)
A avaliação do imóvel é uma análise técnica solicitada pelo banco para estabelecer o valor do imóvel como garantia do crédito habitação, um passo crucial cujo custo é geralmente suportado pelo requerente.
Descubra em detalhe como se realiza, quais os documentos necessários e quem deve suportar os custos deste passo crucial.
Analisaremos, por fim, quem assume os custos da avaliação e quais os fatores que determinam o seu valor.
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A compra de uma casa é uma jornada emocionante, um percurso que entrelaça sonhos e projetos de vida. Neste itinerário, a avaliação do imóvel representa uma etapa crucial, um momento de verificação indispensável para quem pretende financiar a operação através de um crédito habitação. Trata-se de uma avaliação técnica solicitada pelo banco para determinar o valor objetivo do imóvel que servirá de garantia para o empréstimo. Este passo não é uma mera formalidade burocrática, mas um mecanismo de proteção fundamental tanto para a instituição de crédito, que se certifica da adequação do seu investimento, como para o comprador, que obtém uma confirmação profissional sobre o valor e a regularidade do bem que está prestes a adquirir.
Compreender como funciona a avaliação, quem a executa, quais são os custos e que documentos são necessários é essencial para enfrentar com serenidade o processo de pedido de um crédito habitação. Este guia completo explora cada aspeto da avaliação de imóveis no contexto italiano, um mercado onde a tradição do investimento no “tijolo” se conjuga com as novas exigências de transparência, sustentabilidade e inovação tecnológica, em linha com as diretivas europeias.

O que é a avaliação de imóvel para o crédito habitação e por que é fundamental
A avaliação de imóvel, ou peritagem de avaliação, é uma análise técnica detalhada destinada a determinar o valor de mercado de um imóvel. Quando se solicita um crédito habitação, o banco encomenda esta avaliação a um profissional independente por uma razão muito simples: o próprio imóvel constitui a principal garantia do financiamento. Se o mutuário deixar de conseguir pagar as prestações, o banco poderá executar o imóvel para recuperar o crédito. Consequentemente, a instituição precisa de conhecer com precisão o valor do bem sobre o qual irá inscrever a hipoteca. Este passo é um momento chave na análise do crédito habitação; um resultado negativo pode bloquear todo o procedimento.
A importância da avaliação está também ligada ao conceito de Loan-to-Value (LTV), ou seja, a relação entre o montante do crédito solicitado e o valor do imóvel estimado pelo perito. Geralmente, os bancos financiam até 80% do valor da avaliação. Se a avaliação do perito for inferior ao preço de compra acordado, o banco poderá conceder um montante mais baixo do que o solicitado, obrigando o comprador a cobrir a diferença com fundos próprios. A avaliação, portanto, não só protege o banco, mas também oferece ao comprador uma segurança sobre a correção do investimento.
O papel do perito: um profissional independente
O protagonista da avaliação é o perito avaliador de imóveis, um técnico qualificado como um arquiteto, um engenheiro ou um engenheiro técnico, inscrito na respetiva ordem profissional. Embora a tarefa seja atribuída e paga pelo banco (que depois debita o custo ao cliente), o perito deve operar de forma independente e imparcial. A sua avaliação deve basear-se em critérios objetivos e padrões de avaliação reconhecidos a nível nacional e internacional, como os definidos pelas Diretrizes da Associação Bancária Italiana (ABI) e pelas normas UNI.
As competências do perito são vastas e multidisciplinares. Segundo a norma UNI 11558, um avaliador de imóveis deve possuir conhecimentos em matérias como avaliação, economia, direito urbanístico, cadastro, eficiência energética e estática das construções. Esta bagagem de competências assegura que a avaliação não é apenas uma estimativa numérica, mas uma análise completa que tem em conta todos os fatores que podem influenciar o valor de um imóvel ao longo do tempo. O profissionalismo do perito é uma garantia de transparência para todas as partes envolvidas no processo de compra e venda.
Como funciona a avaliação de imóvel: as fases do processo
O processo de avaliação articula-se em várias fases bem definidas, que começam depois de o banco ter concluído a primeira análise de rendimentos do requerente e ter dado um parecer de viabilidade. O envio do perito é geralmente um sinal positivo, indicando que o processo de crédito habitação está a avançar.
1. Mandato e análise documental
O banco encarrega um perito de confiança, geralmente escolhido de uma lista de profissionais convencionados. A primeira fase do trabalho do perito é a análise da documentação relativa ao imóvel. Os documentos fundamentais que o requerente do crédito deve fornecer incluem a certidão de teor (que comprova a propriedade), a planta cadastral e a caderneta predial. A estes juntam-se os documentos que atestam a regularidade urbanística, como a licença de utilização e os títulos de construção (licença de construção, CILA, SCIA), indispensáveis para excluir a presença de ilegalidades urbanísticas.
2. A vistoria: a inspeção do imóvel
O momento central da avaliação é a vistoria. Durante a visita, o perito inspeciona o imóvel para verificar as suas características e o estado de conservação. Controla a correspondência entre o estado de facto e a documentação cadastral e urbanística, medindo as áreas e verificando a distribuição dos espaços. São examinados os acabamentos, a qualidade dos materiais, o estado das instalações (elétrica, de água, de aquecimento) e a presença de eventuais pertenças como garagens, arrecadações ou jardins. Este controlo é essencial para identificar eventuais desconformidades ou ilegalidades que possam comprometer a concessão do crédito.
3. A estimativa do valor: métodos e critérios
Depois de recolher todas as informações, o perito redige o relatório de avaliação. Para determinar o valor de mercado, utiliza diversos métodos, conforme previsto pelos padrões internacionais. O mais comum é o método comparativo de mercado, que consiste em comparar o imóvel com outros semelhantes vendidos recentemente na mesma zona. Outros fatores que influenciam a avaliação incluem a localização, os serviços presentes no bairro, a exposição solar, o andar e, cada vez mais importante, a classe energética atestada pelo CE (Certificado Energético). O relatório final, completo com fotografias e toda a documentação, é entregue ao banco para a aprovação final do crédito.
Quem paga a avaliação e quais são os custos
Uma das perguntas mais frequentes é: quem paga a avaliação? Na quase totalidade dos casos, o custo da avaliação é suportado pelo requerente do crédito habitação. Mesmo que seja o banco a encomendar o trabalho e a escolher o técnico, a despesa é debitada ao cliente como parte dos custos acessórios do financiamento. O montante é geralmente pago diretamente ao perito no momento da vistoria ou retido pelo banco do montante concedido.
O custo da avaliação não é fixo, mas varia com base em diversos fatores, incluindo os honorários do profissional, a tipologia e a dimensão do imóvel e a sua localização. Em média, em Itália, o custo de uma avaliação para um imóvel residencial situa-se entre 200 e 400 euros, aos quais se devem adicionar o IVA e as contribuições para a segurança social. É uma despesa necessária para prosseguir com o seu pedido de crédito para a primeira casa e deve ser considerada no orçamento global para a compra do imóvel.
O resultado da avaliação: o que acontece depois da vistoria
O resultado da avaliação é determinante para o sucesso do pedido de crédito habitação. Se o relatório do perito for positivo, confirmando o valor do imóvel e a sua regularidade, o banco pode proceder à aprovação final do financiamento. A partir deste ponto, pode-se marcar a data para a escritura notarial. Geralmente, os prazos para receber o resultado da avaliação e a subsequente aprovação variam de uma a três semanas.
No entanto, podem ocorrer cenários menos favoráveis. Se o perito estimar um valor inferior ao preço de compra, o banco poderá reduzir o montante do crédito. Neste caso, o comprador tem várias opções: tentar renegociar o preço com o vendedor, cobrir a diferença com liquidez própria ou, em casos extremos, procurar outra instituição de crédito. Para se proteger, é sempre aconselhável incluir na proposta de compra uma cláusula suspensiva vinculada à obtenção do crédito. Esta cláusula permite rescindir o contrato sem perder o sinal se o financiamento não for concedido.
Tradição e inovação na avaliação imobiliária
O setor das avaliações imobiliárias em Itália e na Europa está a viver uma fase de profunda transformação, na qual a tradição se alia à inovação. As metodologias clássicas de avaliação, baseadas na vistoria e na comparação de mercado, continuam a ser o pilar do processo. No entanto, as novas tecnologias e uma crescente sensibilidade para com a sustentabilidade estão a introduzir elementos inovadores. As novas Diretrizes da ABI, por exemplo, dão cada vez mais atenção aos fatores ESG (Ambientais, Sociais e de Governança), como a eficiência energética e os riscos ligados às alterações climáticas.
O Certificado Energético (CE) já não é apenas um documento obrigatório, mas um fator que influencia concretamente o valor do imóvel. Uma casa com uma classe energética alta não só garante uma poupança nos custos de gestão, mas também tem um valor de mercado superior e pode facilitar o acesso a produtos específicos como um crédito habitação verde. Além disso, estão a difundir-se modelos de avaliação automatizados (AVM – Automated Valuation Models), ferramentas estatísticas que, embora não substituam a vistoria do perito, oferecem um suporte tecnológico para análises de mercado mais rápidas e amplas. Esta evolução reflete uma cultura mediterrânica que, embora enraizada na tradição da posse de imóveis, olha para o futuro com uma abordagem mais sustentável e tecnologicamente avançada.
Conclusões

A avaliação do imóvel é muito mais do que um simples custo a suportar no processo de compra de uma casa com crédito habitação. É uma análise fundamental que garante transparência e segurança, estabelecendo uma ponte de confiança entre o comprador, o banco e o vendedor. Compreender o seu funcionamento, os critérios de avaliação e os custos associados permite enfrentar este passo com maior consciência e preparação. Num mercado imobiliário em contínua evolução, onde tradição e inovação se encontram, uma avaliação bem executada representa a base sólida sobre a qual construir o seu futuro habitacional, assegurando que o valor do investimento é real, certificado e duradouro no tempo.
Perguntas frequentes

Se a avaliação estimar um valor inferior ao preço acordado, o banco calculará o montante do crédito (geralmente até 80%) sobre o valor da avaliação, que é mais baixo. Consequentemente, o montante financiado será menor do que o que tinha previsto. Para cobrir a diferença, terá de usar mais fundos pessoais, tentar renegociar o preço com o vendedor ou, em alguns casos, procurar outro banco para uma nova avaliação.
Geralmente, o perito é nomeado e mandatado diretamente pelo banco que vai conceder o crédito. Isto garante à instituição de crédito uma avaliação imparcial por parte de um profissional da sua confiança. Embora seja a prática comum, alguns bancos podem permitir que o comprador nomeie um técnico da sua confiança, mas as despesas continuarão a ser da sua responsabilidade.
Os prazos para uma avaliação podem variar, mas geralmente o processo é bastante rápido. Em condições normais, com toda a documentação pronta, pode demorar de alguns dias a um par de semanas. Os prazos podem prolongar-se devido à complexidade do imóvel, à disponibilidade do perito ou a atrasos na entrega dos documentos necessários.
Durante a vistoria, o perito examina vários aspetos do imóvel para verificar o seu valor e regularidade. Verifica a correspondência entre a planta cadastral e o estado de facto para excluir ilegalidades urbanísticas. Avalia o estado de conservação, os acabamentos, as instalações, a área e a classe energética. Considera também fatores externos como a localização do imóvel, a zona e a proximidade de serviços.
Não, geralmente o custo da avaliação não é reembolsável, mesmo que o crédito seja recusado. A despesa é suportada pelo requerente e serve para cobrir o trabalho realizado pelo profissional na avaliação do imóvel, uma atividade que ocorre independentemente do resultado final do pedido de financiamento. É importante saber que um crédito pode ser recusado mesmo com uma avaliação positiva por outros motivos relacionados com o rendimento ou a situação financeira do requerente.



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