Conta de Serviços Mínimos Bancários para Estrangeiros: Direito e Guia de Abertura

Descubra a Conta de Serviços Mínimos Bancários para estrangeiros: um direito à inclusão financeira. O nosso guia explica como abri-la de acordo com a legislação, mesmo com documentação limitada.

Publicado em 21 de Nov de 2025
Atualizado em 21 de Nov de 2025
de leitura

Em Resumo (TL;DR)

A Conta de Serviços Mínimos Bancários é um direito fundamental que garante a inclusão financeira, permitindo também a cidadãos estrangeiros e refugiados aceder aos serviços bancários essenciais de acordo com a legislação europeia.

Exploraremos a legislação que a regula e os passos necessários para a abrir, garantindo o acesso aos serviços bancários essenciais mesmo com documentação limitada.

Descubra como a legislação protege o direito à inclusão financeira e quais são os passos práticos para abrir a sua conta, mesmo com documentação limitada.

O diabo está nos detalhes. 👇 Continue lendo para descobrir os passos críticos e as dicas práticas para não errar.

Viver num novo país significa reconstruir o quotidiano, um processo no qual o acesso a serviços financeiros desempenha um papel crucial. Ter uma conta bancária é hoje indispensável para operações como receber o salário, pagar as contas de serviços públicos ou gerir as poupanças em segurança. Neste contexto, a inclusão financeira não é apenas uma necessidade prática, mas um direito fundamental que apoia a integração social e económica. Para responder a esta necessidade, a legislação europeia e italiana introduziu a Conta de Serviços Mínimos Bancários, um instrumento concebido para garantir a todos os cidadãos, incluindo estrangeiros, o acesso aos serviços bancários essenciais.

Este artigo explora em detalhe a legislação que regula a Conta de Serviços Mínimos Bancários para estrangeiros em Itália, analisando o seu papel no mercado europeu e o seu significado numa cultura mediterrânica que equilibra tradição e inovação. Serão fornecidas informações práticas sobre como solicitá-la, que documentos são necessários e o que fazer em caso de obstáculos, com o objetivo de oferecer um guia completo e acessível para quem deseje exercer o seu direito à inclusão financeira.

Persona firma un modulo per l'apertura di un conto di base, con un passaporto e una carta di debito appoggiati sul tavolo.
L’accesso a un conto di base è un diritto e un passo fondamentale per l’inclusione finanziaria. Scopri la normativa e i requisiti per l’apertura del conto per cittadini stranieri.

A Inclusão Financeira: Um Direito Fundamental no Contexto Europeu

O direito a uma conta de pagamento é um pilar da inclusão social e financeira na União Europeia. A Diretiva 2014/92/UE, também conhecida como PAD (Payment Accounts Directive), estabeleceu um quadro normativo comum para garantir que qualquer consumidor que resida legalmente na UE possa abrir uma “conta de pagamento com características básicas”. Esta intervenção legislativa visa eliminar as barreiras que impedem muitas pessoas, incluindo migrantes, refugiados e pessoas sem-abrigo, de aceder a serviços bancários essenciais. O objetivo é criar um mercado de serviços financeiros mais transparente, competitivo e inclusivo para todos.

A Itália transpôs esta diretiva com o Decreto Legislativo 15 de março de 2017, n.º 37, que alterou o Texto Único Bancário (TUB), introduzindo disposições específicas sobre a Conta de Serviços Mínimos Bancários. Esta legislação obriga os bancos, os Correios Italianos (Poste Italiane) e outros prestadores de serviços de pagamento a oferecer este instrumento, promovendo ativamente a inclusão financeira e combatendo o uso excessivo de dinheiro em numerário. Desta forma, o legislador reconheceu que o acesso a uma conta não é um privilégio, mas um direito necessário para participar plenamente na vida económica e social do país.

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O que é a Conta de Serviços Mínimos Bancários e a Quem se Destina

Conta de Serviços Mínimos Bancários para Estrangeiros: Direito e Guia de Abertura - Infográfico resumo
Infográfico resumo do artigo “Conta de Serviços Mínimos Bancários para Estrangeiros: Direito e Guia de Abertura”

A Conta de Serviços Mínimos Bancários é um produto bancário padronizado, concebido para oferecer serviços de pagamento essenciais a custos reduzidos ou nulos. Destina-se a quem tem necessidades operacionais simples, como creditar o salário ou a pensão, fazer levantamentos, pagar com um cartão de débito e realizar transferências bancárias. É importante sublinhar que neste tipo de conta não são concedidos descobertos nem livros de cheques, pois o seu propósito é puramente transacional e não de investimento ou crédito.

A Conta de Serviços Mínimos Bancários não é uma concessão, mas um direito consagrado por lei para garantir a todos o acesso aos serviços financeiros essenciais, sem discriminação.

O leque de beneficiários é muito vasto e inclui todos os consumidores que residam legalmente na União Europeia. Isto abrange não só os cidadãos italianos e comunitários, mas também os cidadãos de países terceiros, os requerentes de asilo, os refugiados e até as pessoas sem-abrigo. A lei proíbe explicitamente qualquer forma de discriminação baseada na nacionalidade ou no local de residência. O único requisito fundamental é a residência legal no território da União, tornando este instrumento um poderoso veículo de integração.

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A Legislação Italiana: O Decreto Legislativo 37/2017

A legislação italiana, através do Decreto Legislativo 37/2017 e do subsequente decreto de implementação do Ministério da Economia e Finanças (n.º 70/2018), definiu com precisão as características da Conta de Serviços Mínimos Bancários. A lei impõe aos bancos e outros intermediários a obrigação de oferecer este produto, que deve incluir um número predefinido de operações dentro de uma comissão anual global. Esta comissão deve ser “razoável” e, em alguns casos específicos, gratuita.

Um aspeto central da legislação é a limitação dos motivos de recusa. Uma instituição de crédito só pode negar a abertura de uma Conta de Serviços Mínimos Bancários em circunstâncias bem definidas, como a suspeita fundada de utilização para fins ilegais (por exemplo, branqueamento de capitais ou financiamento do terrorismo) ou se o requerente já for titular de outra conta em Itália que lhe permita usar os mesmos serviços essenciais. Qualquer recusa deve ser comunicada por escrito, fundamentada e fornecida no prazo de dez dias úteis a contar do pedido. O Banco de Itália desempenha um papel de supervisão, garantindo que os intermediários cumprem estas disposições e protegem a clientela.

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Serviços Incluídos e Custos da Conta de Serviços Mínimos Bancários

A Conta de Serviços Mínimos Bancários garante o acesso a um pacote de serviços essenciais para a gestão financeira diária. Embora os detalhes possam variar ligeiramente entre os bancos, a lei estabelece um núcleo de operações que devem ser sempre incluídas. Entre estas figuram a abertura e o encerramento da conta, o depósito e o levantamento de dinheiro, o crédito do salário ou da pensão, a execução de transferências SEPA (com um número definido de operações gratuitas por ano) e os pagamentos por débito direto. É também fornecido um cartão de débito para pagamentos em lojas físicas e online.

No que diz respeito aos custos, a legislação prevê condições vantajosas para categorias específicas. A conta é completamente gratuita, incluindo o imposto de selo, para os agregados familiares com um ISEE inferior a 11.600 euros. Está prevista uma comissão gratuita (mas com o imposto de selo a cargo do cliente, se devido) também para os pensionistas que recebem um rendimento anual bruto inferior a 18.000 euros. Para todos os outros consumidores, está prevista uma comissão anual fixa e transparente. É importante saber que eventuais operações extra, para além das incluídas no pacote, podem implicar custos adicionais, que devem ser claramente indicados na ficha de informação. Para evitar surpresas, é sempre aconselhável informar-se sobre eventuais custos ocultos antes de assinar o contrato.

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Como Abrir uma Conta de Serviços Mínimos Bancários: Documentos e Procedimento

A abertura de uma Conta de Serviços Mínimos Bancários é um processo regulamentado para ser simples e acessível. Compreender os passos e os documentos necessários é o primeiro passo para exercer este direito. O procedimento foi concebido para reduzir ao mínimo a burocracia, mas é fundamental apresentar-se ao balcão com tudo o que é necessário para evitar atrasos ou mal-entendidos. Em caso de dificuldades, existem instrumentos de proteção específicos aos quais o consumidor pode recorrer.

Os Documentos Necessários

Para abrir uma Conta de Serviços Mínimos Bancários, a lei italiana exige a apresentação de dois documentos fundamentais: um documento de identificação válido e o código fiscal. Para os cidadãos estrangeiros, o documento de identificação pode ser o passaporte ou outro documento de identificação equivalente, como a autorização de residência. É importante sublinhar que até o simples recibo do pedido de autorização de residência, se tiver fotografia, é considerado válido para a identificação. A solicitação de documentos adicionais, como um contrato de trabalho ou um certificado de residência, é ilegítima. De facto, o direito à Conta de Serviços Mínimos Bancários é garantido mesmo a quem não tem residência fixa. Para uma visão geral, é útil consultar o nosso guia completo sobre os documentos para a abertura de uma conta.

O Que Fazer em Caso de Recusa

Apesar da clareza da legislação, pode acontecer que um banco ou uma estação de correios recuse ilegitimamente a abertura de uma Conta de Serviços Mínimos Bancários. Uma recusa só é legítima por motivos relacionados com as normas de combate ao branqueamento de capitais ou se o cliente já possuir outra conta. Se a instituição se opuser sem uma justificação válida, por exemplo, exigindo a residência fiscal a um requerente de asilo, está a cometer um ato discriminatório. Neste caso, o primeiro passo é apresentar uma reclamação formal ao serviço de reclamações do próprio banco. Se não receber resposta no prazo de 30 dias ou se a resposta for insatisfatória, é possível recorrer gratuitamente ao Árbitro Bancário Financeiro (ABF), um organismo imparcial que resolve litígios entre clientes e intermediários. As suas decisões, embora não sejam sentenças, são quase sempre respeitadas pelos bancos para evitar danos reputacionais. Em situações complexas, como as que dizem respeito a problemas com uma conta bloqueada, a assistência de associações de defesa do consumidor ou de migrantes pode ser decisiva.

Tradição e Inovação: A Abordagem Mediterrânica à Inclusão

A introdução da Conta de Serviços Mínimos Bancários em Itália insere-se num contexto cultural único, o mediterrânico, onde a tradição da hospitalidade e das redes sociais se confronta com a necessidade de inovação. Historicamente, as comunidades mediterrânicas sempre confiaram em laços pessoais e confiança mútua, mesmo no âmbito económico. No entanto, a sociedade moderna, cada vez mais digitalizada e globalizada, exige instrumentos formais para garantir a todos as mesmas oportunidades. A Conta de Serviços Mínimos Bancários representa uma síntese destes dois mundos: é uma inovação normativa e tecnológica que se enxerta numa tradição de solidariedade.

Este instrumento pode ser visto como uma ponte moderna. Se outrora os portos do Mediterrâneo eram locais de troca de mercadorias e culturas, hoje uma conta bancária torna-se a porta de acesso à economia e à sociedade para quem chega a um novo país. Permite superar a exclusão financeira, que muitas vezes se traduz em exclusão social, e construir um futuro autónomo. Neste sentido, a abordagem italiana e mediterrânica à inclusão financeira não se limita a um mero cumprimento burocrático, mas reflete a vontade de integrar novas energias no tecido social e económico, valorizando a contribuição que cada pessoa pode oferecer.

Conclusões

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A Conta de Serviços Mínimos Bancários representa uma conquista fundamental no caminho para uma plena inclusão financeira e social para os cidadãos estrangeiros em Itália e na Europa. Não se trata de uma simples opção bancária de baixo custo, mas de um direito consagrado por lei, concebido para derrubar as barreiras que impedem o acesso aos serviços essenciais. Desde a diretiva europeia até à sua implementação em Itália, a legislação é clara: toda a pessoa que resida legalmente na UE, incluindo requerentes de asilo e pessoas sem-abrigo, tem direito a este instrumento.

Conhecer os seus direitos é o primeiro passo para poder exercê-los. Saber que documentos são necessários, que serviços estão incluídos e como agir em caso de uma recusa injustificada confere poder e autonomia. A Conta de Serviços Mínimos Bancários não é apenas um meio para receber um salário ou pagar uma conta; é uma chave que abre as portas à participação económica, à dignidade pessoal e a uma real integração na sociedade. Num mundo cada vez mais interligado, garantir a todos um ponto de partida equitativo é um investimento numa comunidade mais justa e próspera para todos.

Perguntas frequentes

disegno di un ragazzo seduto con nuvolette di testo con dentro la parola FAQ
O que é exatamente a Conta de Serviços Mínimos Bancários e quem a pode solicitar em Itália?

A Conta de Serviços Mínimos Bancários é uma conta à ordem com custos reduzidos ou nulos, concebida para garantir o acesso aos serviços bancários essenciais. É um direito para todos os consumidores que residam legalmente na União Europeia, incluindo estrangeiros, requerentes de asilo e pessoas sem-abrigo, desde que não sejam já titulares de outra conta semelhante em Itália.

Que documentos são necessários para um estrangeiro abrir uma Conta de Serviços Mínimos Bancários?

Para abrir uma Conta de Serviços Mínimos Bancários, um estrangeiro deve apresentar um documento de identificação válido e o código fiscal. É importante sublinhar que a autorização de residência (ou o recibo do pedido com fotografia) é considerado um documento de identificação suficiente, e não podem ser solicitados documentos adicionais como o contrato de trabalho.

O banco pode recusar-se a abrir uma Conta de Serviços Mínimos Bancários a um requerente de asilo?

Não, a recusa é ilegítima e considerada um ato discriminatório. Todos os consumidores que residam legalmente na UE, incluindo os requerentes de asilo, têm direito a abrir uma Conta de Serviços Mínimos Bancários. Em caso de recusa, é possível fazer uma denúncia à Associação Bancária Italiana (ABI), à UNAR ou a associações como a ASGI.

A Conta de Serviços Mínimos Bancários para estrangeiros é sempre gratuita?

Nem sempre. A conta prevê uma comissão anual reduzida que inclui um número definido de operações. No entanto, torna-se gratuita e isenta de imposto de selo para os grupos socialmente desfavorecidos, ou seja, quem tem um ISEE inferior a 11.600 euros. É também gratuita para pensionistas com um rendimento bruto anual inferior a 18.000 euros, embora neste caso o imposto de selo seja devido.

O que posso fazer com uma Conta de Serviços Mínimos Bancários e quais são os limites?

Com uma Conta de Serviços Mínimos Bancários pode realizar operações essenciais como receber o salário ou a pensão, efetuar e receber transferências bancárias, domiciliar contas de serviços e usar um cartão de débito para pagar e levantar dinheiro. No entanto, existem limites: não pode ficar ‘a descoberto’ (não são concedidos créditos), não tem livro de cheques e não pode associar uma conta de títulos para fazer investimentos.

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