Em Resumo (TL;DR)
Os leilões de imóveis são um canal alternativo e vantajoso para a compra de uma casa: descubra neste guia como funcionam, como participar e como obter um crédito habitação para financiar a arrematação.
Desde a procura do imóvel ao pedido de crédito habitação específico, descubra todos os passos para fazer uma compra segura e vantajosa.
Por fim, exploraremos as soluções de financiamento, como os créditos habitação específicos para leilões, para concluir com sucesso a compra.
O diabo está nos detalhes. 👇 Continue lendo para descobrir os passos críticos e as dicas práticas para não errar.
A compra de uma casa em leilão representa uma combinação interessante de tradição e inovação no mercado imobiliário italiano. Antigamente considerados um caminho para poucos especialistas, hoje os leilões estão cada vez mais acessíveis graças à digitalização, atraindo um público vasto e diversificado. Esta modalidade de compra e venda, enraizada no sistema judicial para a resolução de dívidas, oferece a oportunidade de adquirir imóveis a preços competitivos, muitas vezes inferiores aos de mercado. A evolução para as plataformas telemáticas ampliou ainda mais as possibilidades, permitindo participar a partir de qualquer lugar e tornando o processo mais transparente e menos intimidatório. Compreender como participar e como financiar a compra é o primeiro passo para transformar uma oportunidade num investimento concreto e seguro.
Este artigo explora em detalhe o mundo dos leilões de imóveis em Itália, um setor que, apesar de registar uma quebra no número de processos, mostra uma crescente maturidade e atratividade. Analisaremos o funcionamento do mercado, as formas de encontrar e avaliar um imóvel, os passos práticos para participar e as soluções para obter um crédito habitação. O objetivo é fornecer um guia claro e completo, adequado tanto para quem se aproxima pela primeira vez deste mundo, como para quem procura aprimorar a sua estratégia, equilibrando as notáveis vantagens com uma gestão consciente dos riscos.

O Mercado dos Leilões de Imóveis em Itália: Uma Visão Geral
O mercado dos leilões de imóveis em Itália está a passar por uma fase de profunda transformação, impulsionada pela tecnologia e por novas dinâmicas económicas. Embora o número total de leilões tenha registado uma quebra nos últimos anos, com cerca de 121.000 processos em 2024, o setor demonstra uma notável resiliência. Os dados indicam uma estabilização dos preços médios, especialmente no setor residencial, e uma crescente digitalização: os leilões telemáticos tornaram-se o modelo predominante, representando quase metade do total e tornando o processo mais acessível e transparente. Esta evolução, iniciada em 2020, ampliou o leque de potenciais compradores, superando as barreiras geográficas.
Os leilões judiciais surgem principalmente de processos executivos como penhoras ou de falências de empresas, com o objetivo de liquidar os bens para satisfazer os credores. A Lombardia, a Sicília e o Lácio são as regiões com o maior número de lotes, enquanto Roma se confirma como a província com mais leilões publicados. Um dado interessante é o aumento dos processos de liquidação judicial, introduzidos pelo novo código da crise empresarial, que assinalam uma abordagem mais estruturada à gestão das insolvências. Este cenário, que une tradição jurídica e inovação digital, oferece oportunidades significativas para quem procura casa ou um investimento, desde que se conheçam a fundo as suas regras.
Como Encontrar o Imóvel Certo em Leilão
O primeiro passo para quem quer aventurar-se no mundo dos leilões é saber onde procurar as oportunidades. O recurso institucional mais importante é o Portal das Vendas Públicas (PVP), um site gerido pelo Ministério da Justiça onde é obrigatória a publicação de todos os anúncios de venda relativos a processos executivos e concursais. Este portal garante a máxima transparência e permite realizar pesquisas filtradas por tipo de imóvel, localização e preço, além de dar acesso a toda a documentação oficial. Além do PVP, existem inúmeros sites especializados e autorizados pelo Ministério que republicam os anúncios, oferecendo muitas vezes interfaces mais intuitivas e serviços de apoio.
Uma vez identificado um imóvel de interesse, é crucial analisar atentamente a documentação anexa ao anúncio de venda. Os dois documentos fundamentais são a ordem de venda e a peritagem de avaliação. A primeira estabelece as regras do leilão: preço base, oferta mínima, prazos para o depósito da caução e data da licitação. A peritagem, elaborada por um técnico nomeado pelo tribunal, é ainda mais importante: descreve o estado de facto e de direito do imóvel, a sua conformidade urbanística e cadastral, a presença de eventuais abusos de construção sanáveis e o estado de ocupação. Ler estes documentos com atenção é essencial para evitar surpresas e, se necessário, é aconselhável ser assistido por um profissional como um topógrafo ou um advogado.
Compreender a Documentação: O Anúncio de Venda e a Peritagem
A participação num leilão de imóveis requer uma análise escrupulosa da documentação, o verdadeiro coração informativo de todo o processo. O anúncio de venda (ou ordem de venda) é o ato pelo qual o juiz determina a venda forçada e fixa as suas condições. Contém informações essenciais como o preço base, ou seja, o valor de partida estabelecido pelo perito, e a oferta mínima, que por lei não pode ser inferior a 75% do preço base. Especifica ainda o montante da caução, geralmente 10% do preço oferecido, e as modalidades para o seu pagamento. Por fim, indica a data e a hora do leilão e se este se realizará em modo telemático, presencial ou misto.
A peritagem técnica de avaliação é o documento mais detalhado e crucial para uma avaliação consciente. Elaborada por um perito nomeado pelo tribunal, fornece uma fotografia completa do imóvel. No seu interior encontram-se a descrição detalhada das divisões, os dados cadastrais, a planta e uma avaliação sobre o estado de manutenção. Elementos de fundamental importância são a verificação da conformidade urbanística e a sinalização de eventuais abusos de construção, com os respetivos custos para a sua legalização. A peritagem esclarece também se o imóvel está livre ou ocupado (por exemplo, pelo devedor ou por um inquilino com contrato oponível) e se existem dívidas de condomínio anteriores, que em parte poderão recair sobre o arrematante. Uma leitura atenta é a melhor forma de se proteger de riscos e custos imprevistos.
Como Participar num Leilão de Imóveis: Guia Prático
Participar num leilão de imóveis, seja no tribunal ou online, segue um procedimento bem definido. Uma vez estudada a documentação e decidido avançar, o primeiro passo é preparar a oferta. Os documentos quase sempre exigidos incluem uma cópia do documento de identificação e do número de contribuinte, o formulário de participação preenchido e o comprovativo do pagamento da caução. Esta última, geralmente equivalente a 10% do preço oferecido, deve ser paga através de cheque visado não à ordem, emitido à ordem do processo, ou por transferência bancária, dependendo do que for especificado no anúncio de venda.
O Leilão por Proposta Fechada e com Licitação Pública
Em Itália, a modalidade de venda mais difundida é o leilão por proposta fechada. Os participantes apresentam a sua oferta em envelope fechado (ou através de formulário telemático) dentro do prazo indicado. A oferta é secreta e irrevogável. Se for apresentada uma única oferta válida, e esta for pelo menos igual à oferta mínima, o proponente arremata o imóvel. Se houver mais do que uma oferta, inicia-se uma licitação com base na oferta mais alta. O leilão com licitação pública, hoje muito raro, prevê uma licitação pública imediata entre os proponentes. A sua principal diferença é que a arrematação é provisória, pois nos 10 dias seguintes são admitidas novas ofertas de compra, desde que superiores em um quinto ao preço alcançado.
O Leilão Telemático: A Nova Fronteira
A inovação mais significativa é o leilão telemático, que permite participar à distância através de portais web autorizados pelo Ministério da Justiça. Esta modalidade tornou-se o padrão para a maioria dos processos. Para participar, é necessário ter uma caixa de Correio Eletrónico Certificado (PEC) e uma assinatura digital, ferramentas que garantem a validade legal da oferta e a segurança das comunicações. Os leilões telemáticos podem ser síncronos, com licitações em tempo real entre os participantes conectados simultaneamente, ou assíncronos, onde as ofertas podem ser apresentadas num período de tempo definido de vários dias. Existe também uma modalidade mista, que permite participar tanto online como presencialmente.
Financiar a Compra: O Crédito Habitação para Leilão
Comprar uma casa em leilão sem dispor da totalidade da liquidez é possível graças ao crédito habitação para leilão de imóveis. Muitas instituições de crédito, frequentemente em convénio com os tribunais, oferecem produtos financeiros específicos para esta necessidade. O funcionamento é semelhante a um crédito habitação tradicional, mas com algumas particularidades ligadas aos prazos apertados do processo. É fundamental agir com antecedência: o conselho é contactar o banco antes de participar no leilão para obter uma pré-aprovação do crédito. Trata-se de uma avaliação preliminar com a qual o banco garante a sua disponibilidade para conceder o financiamento em caso de arrematação, desde que os requisitos de rendimento e do imóvel sejam satisfeitos.
Para o pedido, além dos documentos de identificação e de rendimentos, o banco solicitará a documentação relativa ao leilão, como o anúncio de venda e a peritagem. O montante financiável geralmente chega até 80% do valor de peritagem do imóvel, mas se o preço de arrematação for baixo, pode chegar a cobrir até 100% do custo de aquisição. Uma vez obtida a arrematação, tem-se de 60 a 120 dias para saldar o preço. O banco, graças à pré-aprovação, poderá finalizar o contrato e libertar o montante diretamente para o processo executivo, em simultâneo com a emissão do decreto de transmissão e a inscrição da hipoteca. Para se orientar entre as várias ofertas, pode ser útil consultar um guia completo de créditos habitação e as suas condições.
Vantagens e Riscos da Compra em Leilão
A vantagem principal da compra em leilão é, sem dúvida, de natureza económica. Os imóveis são frequentemente arrematados por um preço inferior ao seu valor de mercado, com uma poupança que pode ser significativa. O processo, sendo gerido por um tribunal, oferece ainda um elevado grau de transparência e segurança, eliminando os riscos de fraudes típicos das negociações privadas e os custos de mediação de uma agência imobiliária. A compra em leilão é uma forma de transação segura, pois o decreto de transmissão, emitido pelo juiz, cancela oficiosamente todas as hipotecas e penhoras anteriores que incidam sobre o imóvel.
No entanto, existem também riscos a não subestimar. O mais comum está ligado às condições do imóvel. Podem existir abusos de construção para legalizar, instalações que não cumprem as normas ou despesas de remodelação imprevistas. Outro aspeto crítico é o estado de ocupação: se o imóvel estiver ocupado pelo devedor ou por terceiros sem um título oponível, será necessário aguardar os prazos para a desocupação, que podem variar de 60 a 120 dias após a emissão do decreto de transmissão. Por fim, é preciso considerar as despesas de condomínio em atraso, que para o ano em curso e o anterior podem ser imputadas ao novo proprietário. Uma análise atenta da peritagem e uma visita ao imóvel são passos fundamentais para mitigar estes riscos. Em casos extremos, o imóvel pode provir de uma penhora imobiliária complexa, tornando ainda mais importante a assistência de um especialista.
Após a Arrematação: O que Acontece?
Uma vez obtida a arrematação, o comprador deve realizar alguns passos fundamentais para finalizar a compra. O primeiro e mais importante é o pagamento do preço. Este pagamento deve ser efetuado dentro do prazo peremptório indicado no anúncio de venda, geralmente entre 60 e 120 dias. O incumprimento deste prazo implica a revogação da arrematação e a perda da caução paga a título de sanção. Além do pagamento do preço, o arrematante terá de pagar os impostos (de registo, hipotecário e cadastral) e as despesas processuais, cujo montante é geralmente especificado na peritagem ou no anúncio. Gerir os impostos sobre a compra de casa é um passo essencial do processo.
Efetuado o pagamento, o juiz da execução emite o decreto de transmissão. Este ato tem o mesmo valor de uma escritura notarial e transfere oficialmente a propriedade do imóvel para o arrematante. O decreto ordena também o cancelamento de todas as hipotecas e penhoras anteriores, garantindo uma aquisição livre de ónus. Os prazos para a emissão do decreto podem variar de alguns meses a mais de seis, dependendo da carga de trabalho do tribunal. Se o imóvel estiver ocupado, o decreto contém também a ordem de desocupação, que o fiel depositário se encarregará de executar. Uma vez obtido o decreto e, se necessário, desocupadas as divisões, o comprador pode finalmente tomar posse da sua nova casa.
Conclusões

Os leilões de imóveis representam um canal de compra cada vez mais consolidado e acessível no panorama italiano, capaz de unir a solidez de um processo legal com as oportunidades oferecidas pela inovação digital. A compra em leilão já não é um tabu, mas uma escolha estratégica para quem procura um bom negócio imobiliário, seja para a primeira casa ou para um investimento. O percurso, embora exija atenção e preparação, é hoje mais transparente do que nunca, graças a ferramentas como o Portal das Vendas Públicas e à crescente difusão dos leilões telemáticos. A possibilidade de obter um crédito habitação específico para o leilão abriu ainda as portas a um número ainda maior de potenciais compradores. Enfrentar este mundo com a informação certa, analisando cuidadosamente a documentação e planeando o financiamento, permite aproveitar as notáveis vantagens económicas, minimizando os riscos. Num mercado em contínua evolução, o leilão confirma-se como uma alternativa válida, um ponto de encontro entre a tradição e o futuro do habitar mediterrânico.
Se está a considerar opções alternativas para a compra de um imóvel, poderá achar interessante o nosso guia sobre como comprar casa sem crédito habitação, que explora diversas soluções criativas para realizar o seu sonho.
Por fim, para quem já tem um crédito habitação e está a pensar em como geri-lo da melhor forma, o nosso guia sobre a aprovação do crédito habitação oferece informações preciosas sobre prazos e procedimentos, informações úteis também no contexto de uma compra em leilão.
Perguntas frequentes

Sim, é possível obter um crédito habitação para comprar uma casa em leilão. Muitos bancos oferecem produtos específicos, muitas vezes em convénio com os tribunais. É aconselhável agir atempadamente e solicitar uma pré-aprovação do crédito, ou seja, um compromisso do banco em conceder o montante em caso de arrematação. Para o pedido, são necessários documentos de identificação, de rendimentos, a peritagem do imóvel e o edital de participação no leilão. Geralmente, o financiamento pode cobrir até 80% do valor de peritagem do imóvel.
Além do preço de arrematação, é preciso considerar diversas despesas adicionais. Entre estas estão os impostos (de registo ou IVA, dependendo dos casos), os impostos hipotecário e cadastral, a remuneração do delegado de venda (que gere o processo) e as despesas para o cancelamento de eventuais hipotecas anteriores. Devem também ser calculadas as eventuais despesas de condomínio em atraso, pelas quais o comprador é responsável pelo ano em curso e pelo anterior. Por fim, se existirem abusos de construção para legalizar, os respetivos custos ficarão a cargo do arrematante.
Comprar em leilão apresenta oportunidades de poupança, mas não está isento de riscos. Um dos principais é o estado do imóvel, que é vendido ‘visto e aceite’, sem garantias sobre vícios ou desconformidades. Existe o risco de encontrar o imóvel ocupado pelo devedor ou por terceiros, o que poderia atrasar a tomada de posse. Outros riscos incluem a presença de abusos de construção para legalizar a expensas próprias ou ónus legais não evidentes. Uma leitura atenta da peritagem e, se possível, uma visita ao imóvel com um técnico de confiança são passos fundamentais para reduzir ao mínimo as surpresas.
Após a arrematação, o primeiro passo é a assinatura da ata de arrematação, que formaliza a vitória. Subsequentemente, tem-se geralmente entre 60 e 120 dias para pagar o saldo do preço, deduzida a caução já paga. O incumprimento deste prazo implica a perda da caução e do imóvel. Uma vez pago o preço e as despesas acessórias, o juiz emite o decreto de transmissão, o ato que estabelece a passagem definitiva de propriedade e ordena o cancelamento de hipotecas e penhoras.
Existem diversos canais para encontrar imóveis em leilão. Os principais são os portais especializados autorizados pelo Ministério da Justiça, como o Portal das Vendas Públicas (PVP). Além disso, podem-se consultar os sites dos próprios tribunais, que publicam os anúncios de venda. Existem também inúmeros sites e agências privadas que agregam os anúncios dos leilões judiciais, oferecendo frequentemente serviços de consultoria adicionais. É sempre fundamental consultar a documentação oficial, como o anúncio de venda e a peritagem, para obter informações completas e verdadeiras sobre o imóvel.



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