RC Profissional: Claims Made ou Loss Occurrence? Qual a mais vantajosa?

Publicado em 21 de Nov de 2025
Atualizado em 21 de Nov de 2025
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Escolher um seguro de Responsabilidade Civil Profissional é um passo crucial para quem trabalha por conta própria. Mas o mundo das apólices é um labirinto de cláusulas e termos técnicos. Entre estes, dois conceitos fundamentais determinam a eficácia da nossa cobertura: Claims Made e Loss Occurrence. Compreender a diferença não é apenas um exercício teórico, mas uma decisão estratégica que pode proteger ou expor o nosso património e a nossa serenidade profissional. Num mercado, como o italiano e europeu, em contínua evolução, a escolha entre tradição e inovação torna-se central.

Imaginemos que somos um arquiteto. Anos depois de concluir um edifício, uma fenda estrutural leva a um pedido de indemnização. Que apólice intervirá? A que estava ativa no momento da construção ou a que está em vigor quando o cliente apresenta o pedido? A resposta a esta pergunta define a fronteira entre as duas fórmulas. Este artigo explorará em detalhe os dois regimes, analisando o contexto normativo, as implicações práticas e fornecendo as ferramentas para uma escolha consciente, adequada a cada profissional, do neófito ao veterano.

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O Regime “Loss Occurrence”: a Tradição que Olha para o Passado

O modelo Loss Occurrence, ou “base em ocorrência do dano”, representa a abordagem tradicional ao seguro de responsabilidade civil, fundada no artigo 1917 do Código Civil italiano. Segundo esta fórmula, a companhia de seguros cobre os danos causados por um erro profissional cometido durante o período de validade da apólice, independentemente de quando o pedido de indemnização é apresentado. Na prática, o evento que ativa a cobertura é o “facto ocorrido” durante o tempo do seguro. Isto significa que um profissional pode receber um pedido de indemnização anos após o termo do contrato, mas estará, ainda assim, protegido pela apólice que estava ativa no momento do erro.

Pense na Loss Occurrence como uma fotografia: imortaliza o momento em que o erro foi cometido. Se nesse instante estava segurado, a cobertura para esse evento está garantida para sempre, mesmo à distância de anos.

Este regime oferece uma certeza granítica: uma vez concluído o período do seguro, o profissional sabe que “cristalizou” a cobertura para todos os atos praticados nesse lapso de tempo. No entanto, foi precisamente esta característica que tornou as apólices Loss Occurrence cada vez mais raras e dispendiosas no mercado da RC Profissional. As companhias de seguros encontravam-se expostas a riscos de “longa latência”, ou seja, danos que se manifestam muito tempo depois da conduta ilícita, tornando difícil o cálculo de prémios e reservas. Hoje, este modelo quase desapareceu para a RC profissional, embora sobreviva noutros âmbitos, como o da Proteção Jurídica.

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RC Profissional: Claims Made ou Loss Occurrence? Qual a mais vantajosa? - Infográfico resumo
Infográfico resumo do artigo “RC Profissional: Claims Made ou Loss Occurrence? Qual a mais vantajosa?”
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O regime Claims Made, ou “base em reclamação feita”, revolucionou o mercado segurador da responsabilidade profissional, tornando-se, de facto, o padrão em Itália e na Europa. Ao contrário do modelo tradicional, aqui o evento que aciona a cobertura não é o erro profissional, mas sim o pedido de indemnização recebido pelo profissional. Em palavras simples, a apólice que paga é a que está em vigor no momento em que o cliente (ou um terceiro) bate à porta a pedir uma indemnização, desde que o erro tenha ocorrido num determinado período de tempo.

Este modelo, importado do mundo anglo-saxónico, nasceu para oferecer maior previsibilidade de custos às companhias, especialmente para os riscos a longo prazo, como os da saúde ou da construção. Para o profissional, a principal vantagem reside em prémios geralmente mais acessíveis e numa maior flexibilidade. Por exemplo, um profissional liberal que inicia a sua atividade pode segurar-se com uma apólice Claims Made “pura” e obter cobertura mesmo para erros cometidos antes da celebração do contrato, desde que não tivesse conhecimento deles. No entanto, este sistema introduz dois conceitos cruciais: a retroatividade e a garantia póstuma, que se tornam essenciais para evitar perigosos “buracos” de cobertura.

A cláusula Claims Made funciona como um guarda-chuva: protege-o apenas enquanto o mantiver aberto (a apólice está ativa). Se deixar de pagar e chegar um pedido de indemnização por um erro passado, fica a descoberto, a menos que tenha negociado uma proteção adicional.

A validade destas cláusulas foi longamente debatida em tribunal. Hoje, graças a várias sentenças do Tribunal de Cassação, o modelo Claims Made é considerado plenamente legítimo, desde que não crie um desequilíbrio excessivo em detrimento do segurado. A chave é, portanto, compreender e negociar bem as condições acessórias.

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O Contexto Italiano: entre a Lei e as Sentenças do Tribunal de Cassação

Em Itália, a transição do regime Loss Occurrence para o Claims Made não foi apenas uma escolha comercial das companhias, mas uma evolução influenciada por leis e importantes sentenças. A introdução da obrigatoriedade de seguro para muitas profissões em 2012 acelerou a difusão das apólices Claims Made, que hoje dominam o mercado. Esta predominância levantou dúvidas sobre a sua validade, uma vez que pareciam derrogar o princípio do artigo 1917 do Código Civil, que liga a cobertura ao “facto ocorrido” durante o período do seguro.

O debate chegou até ao Tribunal de Cassação, que, com diversas decisões, em particular as das Secções Reunidas (como a n.º 9140/2016 e a n.º 22437/2018), esclareceu a questão. Os juízes estabeleceram que a cláusula Claims Made não é, por si só, vexatória ou nula. Ela não limita a responsabilidade da seguradora, mas define o próprio objeto do contrato, ou seja, delimita o risco segurado. Na prática, as partes são livres de escolher um modelo baseado no pedido de indemnização em vez de no evento danoso.

No entanto, o Tribunal de Cassação impôs limites. Uma cláusula Claims Made pode ser declarada nula se, no caso concreto, gerar um desequilíbrio contratual significativo em detrimento do segurado, deixando-o, de facto, sem uma cobertura real. Isto acontece, por exemplo, se a apólice oferecer uma retroatividade demasiado curta ou inexistente, tornando a proteção ineficaz. A jurisprudência, portanto, fez a transição destas cláusulas de “atípicas” para “típicas”, mas sujeitas a um controlo de adequação para proteger o profissional e, por conseguinte, os seus clientes.

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A Chave de Abóbada: Retroatividade e Garantia Póstuma

Ao escolher uma apólice Claims Made, dois termos tornam-se os nossos melhores aliados: retroatividade e garantia póstuma. Ignorá-los significa expor-se a riscos enormes. A retroatividade estende a cobertura a erros profissionais cometidos antes da data de celebração da apólice, com a condição de que o pedido de indemnização chegue quando o contrato está ativo. É fundamental para quem muda de seguradora ou se segura pela primeira vez depois de já ter começado a trabalhar. Uma retroatividade ilimitada oferece a máxima tranquilidade, cobrindo toda a história profissional anterior.

A garantia póstuma (ou ultratividade) é o exato oposto e igualmente vital. Ela estende a cobertura para os pedidos de indemnização que chegam após a cessação da atividade e o termo da apólice, mas relativos a erros cometidos quando se estava segurado. Como a lei italiana prevê um prazo de prescrição para a responsabilidade profissional que pode chegar a dez anos, encerrar a atividade para efeitos de IVA por motivo de reforma sem uma cobertura póstuma decenal equivale a deixar o próprio património exposto a futuros pedidos de indemnização.

Retroatividade e póstuma são as asas de uma apólice Claims Made. Sem elas, a cobertura corre o risco de não levantar voo ou de se despenhar precisamente quando mais precisa dela: no início e no fim da sua carreira.

A lei (como a “Lei Gelli” para as profissões da saúde) começou a impor requisitos mínimos para estas garantias, reconhecendo a sua importância crucial. No momento da celebração do contrato, é essencial verificar a amplitude da retroatividade oferecida e planear a aquisição de uma garantia póstuma adequada, cujo custo se situa geralmente num múltiplo do último prémio anual pago. Não basta estar segurado hoje; é preciso proteger também o seu ontem e o seu amanhã.

Que Cláusula Escolher? Conselhos para Profissionais

A escolha entre Loss Occurrence e Claims Made é hoje mais teórica do que prática, dado que o mercado da RC Profissional oferece quase exclusivamente apólices do segundo tipo. A verdadeira questão passa a ser: como escolher a apólice Claims Made certa? A resposta depende de vários fatores, incluindo a antiguidade profissional, o setor de atividade e a propensão ao risco. Um jovem profissional no início da carreira deve procurar uma apólice com retroatividade ilimitada ou, pelo menos, igual aos anos de atividade já exercidos, para cobrir eventuais erros iniciais.

Para um profissional estabelecido que muda de companhia, é vital garantir a continuidade do seguro, assegurando que a nova apólice cubra sem interrupções o trabalho realizado anteriormente. Neste cenário, a correta gestão de eventuais sinistros passados e a transparência nas declarações pré-contratuais são fundamentais. Independentemente da experiência, é crucial avaliar atentamente o capital seguro, que deve ser adequado ao volume de negócios e aos riscos específicos da própria profissão, como no caso de um contabilista certificado que emite vistos de conformidade.

Finalmente, pensar no futuro é um dever. Ao aproximar-se da reforma, a prioridade absoluta deve ser a negociação ou a aquisição de uma garantia póstuma decenal. Esta cláusula é o único escudo que protegerá o património acumulado numa vida de trabalho contra pedidos de indemnização tardios. A assessoria de um corretor de seguros experiente pode fazer a diferença, ajudando a decifrar a linguagem das apólices e a construir uma proteção à medida, que equilibre custos e benefícios de forma inteligente e previdente.

Em Resumo (TL;DR)

As apólices de RC Profissional baseiam-se em dois regimes distintos, Claims Made e Loss Occurrence: compreender as diferenças é fundamental para escolher a proteção mais eficaz para a sua atividade.

Aprofundamos as diferenças entre o regime de base em reclamação (Claims Made) e o de base em ocorrência do dano (Loss Occurrence) para o ajudar a fazer a escolha certa para a sua profissão.

Aprofundamos as características de ambas para o guiar na escolha mais consciente e vantajosa para a sua profissão.

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Conclusões

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O debate entre Claims Made e Loss Occurrence no panorama da RC Profissional italiana resolveu-se, de facto, com a predominância do primeiro modelo. A fórmula tradicional Loss Occurrence, apesar de oferecer uma certeza a longo prazo, tornou-se uma raridade devido à sua insustentabilidade económica para as seguradoras. O regime Claims Made, mais flexível e moderno, impôs-se como o padrão de mercado, validado também pela jurisprudência do Tribunal de Cassação, que reconheceu a sua legitimidade, embora salientando a necessidade de um equilíbrio contratual.

Para o profissional de hoje, o verdadeiro desafio já não é escolher entre os dois regimes, mas navegar com competência dentro da oferta Claims Made. A consciência torna-se o ativo mais valioso. Compreender a fundo o significado e a importância de cláusulas como a retroatividade e a garantia póstuma é a única forma de construir uma proteção eficaz, que proteja o seu trabalho passado, presente e futuro. Uma apólice não é apenas um custo ou uma obrigação legal, mas um investimento estratégico na sua serenidade e na segurança do seu património. Escolher com cuidado, informando-se e recorrendo a consultores experientes, é o primeiro passo para trabalhar melhor e dormir descansado.

Perguntas frequentes

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Em palavras simples, qual é a diferença entre uma apólice Claims Made e uma Loss Occurrence?

A diferença está no momento que aciona a cobertura. A apólice **Loss Occurrence** (ou ‘base em ocorrência do dano’) cobre os danos causados por um erro ocorrido durante o período de validade do contrato, independentemente de quando chega o pedido de indemnização. A apólice **Claims Made** (‘base em reclamação feita’), por outro lado, cobre os pedidos de indemnização recebidos durante o período de validade do contrato, independentemente de quando o erro foi cometido (desde que se enquadre no período de retroatividade). Atualmente, para as RC profissionais, o modelo Claims Made é, de longe, o mais difundido.

A cláusula Claims Made é legal em Itália?

Sim, a cláusula Claims Made é considerada **legítima e legal** em Itália. O Tribunal de Cassação pronunciou-se várias vezes, confirmando que este modelo não é contrário à lei. Embora o Código Civil (art. 1917) descreva um modelo mais semelhante à Loss Occurrence, as partes (segurado e companhia) são livres de acordar de forma diferente. A cláusula, no entanto, não deve criar um desequilíbrio excessivo em detrimento do profissional. Por isso, a sua validade está muitas vezes ligada à presença de garantias acessórias, como a retroatividade.

O que são a retroatividade e a garantia póstuma numa apólice Claims Made?

São duas garantias essenciais para tornar uma apólice Claims Made completa. A **retroatividade** estende a cobertura aos erros profissionais cometidos *antes* da data de celebração da apólice, desde que o pedido de indemnização chegue durante o período de validade do contrato e que o profissional não tivesse conhecimento deles. A **garantia póstuma** (ou ‘ultratividade’) estende a cobertura aos pedidos de indemnização que chegam *após* o termo da apólice, por factos ocorridos quando o seguro estava ativo. É fundamental, por exemplo, para quem cessa a atividade ou se reforma.

Se me reformar ou mudar de emprego, o que acontece à minha cobertura Claims Made?

Esta é uma situação crítica para quem tem uma apólice Claims Made. Se cessar a atividade e simplesmente não renovar a apólice, **não estaria coberto** por eventuais pedidos de indemnização futuros relativos ao seu trabalho passado. Como a Claims Made cobre apenas os pedidos recebidos *durante* a validade do contrato, a proteção termina com o seu termo. Por este motivo, é crucial ativar uma **garantia póstuma**, que é uma forma de seguro concebida precisamente para cobrir um determinado período (frequentemente 10 anos) após a cessação da atividade profissional.

No final, qual é a mais vantajosa para o profissional: Claims Made ou Loss Occurrence?

Hoje em dia, a escolha é mais teórica do que prática. O mercado de seguros de Responsabilidade Civil Profissional em Itália deslocou-se quase completamente para o modelo **Claims Made**. Encontrar uma apólice Loss Occurrence para um profissional tornou-se muito difícil. A verdadeira escolha para o profissional não é, portanto, *entre* as duas fórmulas, mas sim na seleção da **melhor apólice Claims Made possível**. Isto significa procurar um contrato com retroatividade adequada (ou ilimitada), capitais seguros generosos e a possibilidade de ativar uma sólida garantia póstuma no momento da cessação da atividade.

Francesco Zinghinì

Engenheiro Eletrônico especialista em sistemas Fintech. Fundador do MutuiperlaCasa.com e desenvolvedor de sistemas CRM para gestão de crédito. No TuttoSemplice, aplica sua experiência técnica para analisar mercados financeiros, hipotecas e seguros, ajudando os usuários a encontrar as soluções mais vantajosas com transparência matemática.

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