Em Resumo (TL;DR)
Do skimming ao phishing, este guia completo revela as principais ameaças à segurança das caixas automáticas e as estratégias mais eficazes para proteger as suas poupanças.
Do skimming ao phishing, este guia analisa as principais ameaças e oferece um manual completo para fazer levantamentos em total segurança.
Um manual completo para o utilizador, com conselhos práticos e estratégias de prevenção para se defender de todo o tipo de ameaça.
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A caixa automática, ou Multibanco, representa um ponto de encontro entre tradição e inovação, um símbolo do nosso quotidiano económico. Num contexto como o português e mediterrânico, onde o dinheiro físico mantém um valor cultural e prático, o Multibanco é mais do que um simples distribuidor de notas: é um serviço essencial que une a comodidade digital à tangibilidade do dinheiro. No entanto, esta familiaridade esconde riscos concretos. As fraudes em caixas automáticas estão em constante evolução, utilizando tecnologias cada vez mais enganadoras. Conhecer as ameaças, como o skimming e o phishing, e adotar medidas de prevenção simples mas eficazes é fundamental para proteger as suas poupanças e utilizar estas ferramentas com serenidade.
Apesar de os casos de fraude terem uma incidência limitada em relação ao volume total de transações, o fenómeno continua a ser insidioso. Segundo dados do Banco de Portugal, a taxa de fraude nos levantamentos em Multibanco é relativamente baixa, mas a própria natureza dos ataques torna-os um perigo a não subestimar. As estatísticas mostram que as fraudes informáticas e online estão a crescer, com um impacto económico significativo para os cidadãos. Compreender as estratégias dos criminosos é a primeira linha de defesa para qualquer utilizador, independentemente da idade ou da familiaridade com a tecnologia.

As Ameaças Mais Comuns nas Caixas Multibanco
A segurança das caixas automáticas é ameaçada por uma variedade de técnicas fraudulentas, que vão desde a manipulação física a sofisticados ataques informáticos. A ameaça mais conhecida é provavelmente o skimming, que consiste em clonar o cartão através de dispositivos ilegais instalados no Multibanco. A esta juntam-se o cash trapping, uma armadilha física para bloquear as notas, e o phishing (ou vishing quando ocorre por telefone), que visa roubar as credenciais através do engano. Existem ainda ataques mais complexos, como os baseados em malware, conhecidos como “jackpotting”, que ordenam à máquina que liberte dinheiro ilegalmente. Reconhecer os sinais destas ameaças é o primeiro passo para um levantamento seguro.
O Skimming em Detalhe: Como Funciona e Como Reconhecê-lo
O skimming é uma das burlas mais difundidas e consiste no roubo dos dados do seu cartão. Os criminosos instalam um dispositivo, chamado skimmer, na ranhura de inserção do cartão. Este aparelho, muitas vezes idêntico em aparência ao original, lê e armazena as informações contidas na banda magnética. Para roubar o PIN, os burlões combinam o skimmer com uma microcâmara, escondida num painel falso sobre o teclado, ou um teclado postiço sobreposto ao verdadeiro. Com estes dois dados, os criminosos podem clonar o cartão e utilizá-lo para levantamentos ou compras fraudulentas. A chave para se defender é a observação atenta antes de cada operação.
Reconhecer um Multibanco adulterado requer apenas alguns segundos de atenção. Antes de inserir o cartão, verifique a ranhura: se parecer saliente, solta ou apresentar sinais de cola, pode ser um skimmer. Tente movê-la ligeiramente; o componente original é sempre fixo. Em seguida, examine o teclado: se as teclas estiverem “borrachudas”, levantadas ou se toda a placa se mover, pode esconder um dispositivo para registar o PIN. Por fim, procure pequenos furos suspeitos por cima ou ao lado do ecrã, que possam ocultar uma microcâmara. E uma regra de ouro: tape sempre o teclado com a mão enquanto digita o código secreto. Em caso de dúvida, não utilize a caixa automática e avise o banco.
O Phishing e o Vishing: Burlas à Distância
Nem todas as ameaças exigem uma adulteração física do Multibanco. O phishing e o vishing são técnicas de engenharia social que exploram o engano para extorquir informações sensíveis. No phishing, os burlões enviam e-mails ou SMS (neste caso, fala-se de smishing) que parecem vir do seu banco, convidando-o a clicar num link ou a fornecer dados. O vishing, ou phishing por voz, é ainda mais insidioso: um falso operador bancário contacta-o por telefone, muitas vezes com a desculpa de um problema de segurança na sua conta ou no seu cartão. Pode até usar a técnica de “spoofing” para fazer aparecer no seu telemóvel o número real do banco.
O objetivo destes ataques é sempre o mesmo: convencê-lo a revelar dados pessoais como o número do cartão, as palavras-passe de acesso ao homebanking ou, sobretudo, os códigos de segurança (PIN e OTP). Muitas vezes, a chamada tem um tom alarmista, para o levar a agir por impulso sem refletir. A Polícia de Segurança Pública e as instituições bancárias são claras: nenhum banco lhe pedirá para fornecer os seus códigos secretos por telefone ou e-mail. Se receber uma comunicação deste género, interrompa imediatamente o contacto e, se tiver dúvidas, ligue você mesmo para o seu banco utilizando os números oficiais.
Outras Técnicas de Fraude: Do “Cash Trapping” ao Malware
Além do skimming, existem outras técnicas de fraude física. Uma delas é o cash trapping. Os criminosos aplicam uma falsa ranhura de saída de notas ou inserem um garfo metálico na abertura por onde saem as notas. Quando efetua o levantamento, o dinheiro é libertado pela máquina, mas fica preso no dispositivo. Convencido de que se trata de uma avaria, afasta-se para procurar ajuda, e nesse momento o burlão aproxima-se para recuperar o dinheiro retido. Se um Multibanco não libertar o dinheiro, nunca se afaste e contacte imediatamente o seu banco e as autoridades.
Os ataques mais sofisticados são os lógicos, que visam o software do Multibanco. O jackpotting é uma técnica que, através da instalação de um malware, força a caixa a libertar todo o dinheiro que contém, como uma slot machine que fez “jackpot”. A infeção ocorre frequentemente com acesso físico, através de uma porta USB. Outra modalidade é o ataque “black box”, em que os criminosos desligam o computador do Multibanco e ligam um dispositivo próprio diretamente ao dispensador de notas para enviar o comando de ejetar o dinheiro. Estes ataques são complexos, mas demonstram como a criminalidade se adapta para superar as defesas físicas.
Prevenção: A Sua Primeira Linha de Defesa
A melhor defesa contra as fraudes é um comportamento atento e consciente. Adotar alguns hábitos simples pode reduzir drasticamente o risco de cair numa armadilha. Antes de cada operação, dedique alguns segundos a inspecionar a caixa automática, como já descrito, à procura de anomalias. Prefira os Multibancos localizados dentro das agências bancárias ou em locais bem iluminados e vigiados, que são alvos menos fáceis para os criminosos. Ao digitar o PIN, proteja sempre o teclado com a mão livre ou com o corpo, para impedir a visão de eventuais câmaras escondidas.
Outra boa prática é ativar os serviços de notificação por SMS ou aplicação oferecidos pelo seu banco. Receber um alerta em tempo real para cada operação permite-lhe detetar imediatamente quaisquer levantamentos não autorizados. Verifique regularmente os movimentos da sua conta à ordem para detetar rapidamente débitos suspeitos. Se o seu cartão ficar retido na caixa automática, não pense imediatamente que é uma avaria. Pode tratar-se de uma tentativa de fraude. Não se afaste e contacte imediatamente o número de apoio para o bloqueio de cartões. Adotar estas precauções é essencial, especialmente quando se depara com um cartão bloqueado ou clonado no Multibanco e precisa de saber o que fazer imediatamente.
A Evolução da Segurança: Bancos e Tecnologia
Enquanto os criminosos aperfeiçoam as suas técnicas, o setor bancário também investe constantemente em inovação para proteger os clientes. A regulamentação europeia, como a diretiva sobre serviços de pagamento (PSD2 e a futura PSD3), introduziu padrões de segurança mais elevados, como a Autenticação Forte do Cliente (SCA), que exige dois ou mais fatores de verificação (por exemplo, PIN e um código via aplicação) para autorizar as operações. Os Multibancos modernos estão também equipados com dispositivos anti-skimming, que dificultam a instalação de leitores de cartões fraudulentos, e com software de segurança que protege contra ataques de malware.
A inovação está também a mudar a forma como interagimos com as caixas automáticas. Tecnologias como os levantamentos cardless e NFC (Near Field Communication) estão a tornar-se cada vez mais populares. Estas modalidades permitem levantar dinheiro utilizando o smartphone, sem necessidade de inserir fisicamente o cartão, eliminando assim pela raiz o risco de skimming. Ao mesmo tempo, estão a difundir-se os Multibancos inteligentes, máquinas evoluídas que oferecem uma gama cada vez mais ampla de serviços para além do simples levantamento, transformando a caixa automática num verdadeiro ponto de acesso digital ao banco, com padrões de segurança integrados cada vez mais robustos.
Conclusões

A segurança das caixas Multibanco é uma responsabilidade partilhada. Por um lado, os bancos e as instituições europeias trabalham para implementar tecnologias e regulamentações cada vez mais rigorosas para combater as fraudes. Por outro, cada utilizador tem um papel ativo a desempenhar. A consciência dos riscos, aliada à adoção de práticas de prevenção simples mas fundamentais, representa a defesa mais poderosa contra o skimming, o phishing e outras ameaças. Inspecionar a caixa automática, proteger o PIN, desconfiar de comunicações suspeitas e monitorizar a própria conta são gestos que transformam um hábito quotidiano numa ação segura. Num mundo em que as finanças são cada vez mais digitais, informar-se e agir com prudência permite aproveitar plenamente as vantagens da inovação, mantendo firme a tradição de segurança e confiança que liga os cidadãos às suas instituições de crédito.
Perguntas frequentes

Antes de fazer um levantamento, verifique sempre o Multibanco. Procure elementos suspeitos como peças salientes, soltas ou diferentes do habitual na ranhura do cartão e no teclado. Se a ranhura onde insere o cartão se mover ou parecer mais espessa, pode esconder um “skimmer” para clonar os dados. Da mesma forma, se o teclado parecer “borrachudo” ou as teclas forem difíceis de premir, pode ser uma cobertura para registar o PIN. Outro sinal de alarme é a presença de pequenos furos ou objetos invulgares perto do ecrã, que podem esconder microcâmaras. Tape sempre o teclado com a mão enquanto digita o PIN.
Se o Multibanco não libertar as notas após a operação, não se afaste imediatamente. Pode tratar-se de uma burla chamada “cash trapping”, em que um dispositivo bloqueia a saída do dinheiro. Verifique a ranhura de saída para ver se nota anomalias ou se as notas estão visíveis mas bloqueadas. Contacte imediatamente o número de apoio ao cliente do banco, geralmente indicado no próprio Multibanco, e reporte o problema. Anote o código de identificação da caixa, a data e a hora para apresentar queixa, se necessário. Nunca aceite ajuda de estranhos que se ofereçam para resolver o problema.
A clonagem do cartão significa que criminosos copiaram ilegalmente os dados da sua banda magnética e o PIN para criar um duplicado e usá-lo para levantamentos ou compras não autorizadas. Pode dar-se conta disso ao verificar o extrato de conta e notar movimentos suspeitos. A primeira coisa a fazer é bloquear imediatamente o cartão: ligue para o número de apoio do seu banco, ativo 24/7. Em seguida, apresente queixa às Forças de Segurança (PSP ou GNR) e envie uma cópia da queixa ao seu banco para iniciar o processo de reembolso das quantias roubadas.
Sim, em geral é considerado mais seguro utilizar as caixas automáticas localizadas dentro das agências bancárias ou em locais bem iluminados e vigiados. Os Multibancos externos e isolados são alvos mais fáceis para os burlões, que podem instalar dispositivos de skimming ou cash trapping com menor risco de serem descobertos. As agências bancárias estão frequentemente equipadas com sistemas de videovigilância mais eficazes e o pessoal pode notar mais facilmente eventuais adulterações.
Sim, existem e enquadram-se na categoria de “phishing” ou “smishing”. Os burlões enviam e-mails ou SMS fingindo ser o seu banco, alertando-o para supostos problemas de segurança na sua conta ou cartão. Estas mensagens convidam-no a dirigir-se a uma caixa Multibanco para realizar operações de “desbloqueio” ou “verificação”, seguindo instruções que na realidade servem para transferir dinheiro para a conta deles. Lembre-se que o seu banco nunca lhe pedirá para realizar operações no Multibanco através de um link recebido por e-mail ou SMS, nem lhe pedirá as suas credenciais ou os seus códigos de segurança.

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