ATM na era digital: fim ou evolução?

Com o avanço dos pagamentos digitais e das carteiras eletrónicas, qual é o futuro dos ATM? Descubra a sua evolução de simples caixas automáticas para hubs de serviços integrados e como se estão a transformar para se manterem relevantes.

Publicado em 25 de Nov de 2025
Atualizado em 25 de Nov de 2025
de leitura

Em Resumo (TL;DR)

Com o advento dos pagamentos digitais e das carteiras eletrónicas, as caixas automáticas (ATM) não estão a desaparecer, mas sim a evoluir as suas funções para se manterem um ponto de referência fundamental para os serviços financeiros.

Longe de estarem obsoletas, as caixas automáticas estão a evoluir para integrar novas funcionalidades e permanecer um ponto de contacto físico crucial no ecossistema financeiro.

Descubra como as caixas automáticas estão a evoluir, integrando novas funções para ir além do simples levantamento e permanecer um pilar fundamental dos serviços financeiros.

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Na era da transformação digital, onde os smartphones e as carteiras eletrónicas parecem dominar todas as transações, surge espontaneamente uma questão: que futuro aguarda as caixas automáticas, mais conhecidas como ATM? Se, por um lado, a ascensão dos pagamentos digitais é inegável, por outro, os ATM não dão sinais de desaparecer. Pelo contrário, estão a passar por uma profunda metamorfose, transformando-se de simples distribuidores de dinheiro num verdadeiro hub de serviços integrados. Este artigo explora o papel em constante mudança dos ATM no contexto italiano e europeu, um panorama onde o impulso para a inovação se confronta com uma cultura de tradição enraizada, especialmente na área mediterrânica.

A análise foca-se em como estes dispositivos estão a evoluir para se manterem não só relevantes, mas essenciais. Abordaremos o paradoxo de uma Itália que abraça o digital, mas permanece ligada ao dinheiro, o fenómeno da “desertificação bancária” que torna os ATM mais cruciais do que nunca e as novas funcionalidades que os estão a transformar. Longe de estarem perto da reforma, as caixas automáticas estão a reinventar-se como uma ponte indispensável entre o mundo bancário físico e o digital.

Persona che avvicina uno smartphone al lettore nfc di uno sportello atm per autorizzare un prelievo di contanti senza carta.
Gli sportelli ATM si integrano con i wallet digitali, abilitando funzioni come i prelievi cardless. Questa evoluzione ridefinisce il loro ruolo nell’era dei pagamenti istantanei. Scopri di più.

A ascensão do digital e o desafio ao dinheiro

O panorama dos pagamentos em Itália viveu uma viragem histórica. Em 2024, pela primeira vez, o valor das transações digitais superou o do dinheiro. Segundo os dados do Observatório de Pagamentos Inovadores do Politécnico de Milão, os pagamentos eletrónicos atingiram 481 mil milhões de euros, representando 43% do consumo total, enquanto o uso de dinheiro caiu para 41%. Este crescimento foi impulsionado principalmente pelos pagamentos contactless, que já constituem quase 90% das transações com cartão nas lojas físicas, num valor de 291 mil milhões de euros. A conveniência e a rapidez destas operações conquistaram a confiança dos consumidores italianos.

Um papel fundamental nesta revolução é desempenhado pelos smartphones e pelos chamados wearable devices, como smartwatches e anéis inteligentes. Os pagamentos através destes dispositivos inovadores registaram um aumento acentuado, atingindo 56,7 mil milhões de euros, com um crescimento de 53% em relação ao ano anterior. Esta mudança não diz respeito apenas aos consumidores. Também os comerciantes, historicamente mais relutantes, mostram uma preferência crescente pelos pagamentos eletrónicos, com mais de 53% dos pequenos comerciantes a preferi-los em detrimento do dinheiro, reconhecendo a sua importância estratégica.

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Itália: um país em equilíbrio entre tradição e inovação

Apesar do impressionante crescimento dos pagamentos digitais, a Itália continua a ser um país com uma forte ligação ao dinheiro. Esta preferência tem raízes culturais profundas, ligadas a uma sensação de controlo direto sobre as próprias finanças e a uma perceção de maior anonimato e segurança. Segundo estudos do Banco Central Europeu, embora em declínio, o dinheiro ainda é o método de pagamento mais utilizado em número de transações nos pontos de venda físicos na Zona Euro. Em nações como a Alemanha e a Áustria, o dinheiro é considerado um elemento cultural importante, uma tendência que se reflete, ainda que em menor medida, também na bacia do Mediterrâneo.

Em Itália, esta ligação é evidente sobretudo em alguns segmentos da população, como os idosos, e nas áreas geográficas com um maior digital divide. A dificuldade de acesso a uma ligação estável à internet ou a pouca familiaridade com as tecnologias digitais tornam o dinheiro não uma escolha, mas uma necessidade. O Eurosistema, composto pelo BCE e pelos bancos centrais nacionais, reconhece esta dualidade e trabalha para garantir que o dinheiro permaneça acessível a todos, considerando-o a única forma de dinheiro público diretamente disponível para os cidadãos.

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A transformação do ATM: de caixa automática a hub de serviços

O ATM já não é apenas um “distribuidor de notas”. A sua função está a expandir-se para responder às novas necessidades de um mercado híbrido. Os ATM inteligentes de nova geração integram uma vasta gama de serviços que vão muito além do simples levantamento. Hoje é possível efetuar depósitos de dinheiro e cheques, pagar faturas, impostos (como o F24 e o imposto de selo automóvel), carregar cartões pré-pagos e telemóveis. Estas funcionalidades transformam a caixa automática num verdadeiro operador bancário self-service, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana.

A inovação mais significativa é representada pelos levantamentos cardless. Graças à tecnologia NFC (Near Field Communication) ou ao uso de Códigos QR gerados através de aplicações de mobile banking, é possível levantar dinheiro simplesmente aproximando o smartphone do ATM, sem necessidade do cartão físico. Esta modalidade, oferecida por um número crescente de instituições bancárias, não só aumenta a velocidade das operações, mas também melhora significativamente a segurança, reduzindo os riscos de clonagem do cartão ou de roubo do PIN. Em alguns casos, estão também a surgir os chamados Bitcoin ATM, que abrem as portas ao mundo das criptomoedas.

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O fenómeno da desertificação bancária

Paralelamente ao avanço do digital, a Itália está a enfrentar um problema social e económico relevante: a desertificação bancária. Nos últimos anos, assistiu-se a um progressivo e massivo encerramento de balcões bancários, impulsionado pela racionalização de custos e pela concentração do setor. No final de 2024, 3.380 municípios italianos ficaram sem um balcão bancário, deixando mais de 4,5 milhões de cidadãos sem acesso direto a serviços financeiros. Este fenómeno afeta de forma particular as áreas do interior, as pequenas aldeias e as zonas rurais, onde o balcão representava um posto não só económico, mas também social.

Neste cenário, o ATM assume um papel de substituição fundamental. Muitas vezes, a manutenção de uma caixa automática torna-se a única tábua de salvação para garantir o acesso a dinheiro e a serviços bancários básicos. O encerramento dos balcões físicos acentua a exclusão financeira para as categorias mais vulneráveis, como idosos e pessoas com pouca literacia digital, que dependem inteiramente da operacionalidade de um ATM para gerir as suas finanças. Consequentemente, a caixa automática transforma-se de uma simples conveniência num serviço essencial para a inclusão e a coesão territorial.

Segurança e acessibilidade: as novas fronteiras

Com a evolução dos ATM, evoluem também os desafios relacionados com a segurança. Se no passado a principal ameaça era o skimming, hoje a segurança tem de enfrentar ataques informáticos mais sofisticados. No entanto, as novas tecnologias também oferecem soluções mais robustas. Os levantamentos cardless através de NFC ou Código QR, por exemplo, eliminam o risco de clonagem física do cartão. A autenticação através do smartphone, que utiliza PIN ou dados biométricos, adiciona um nível adicional de proteção, tornando as transações mais seguras.

Outro desafio crucial é a acessibilidade. Garantir que os ATM possam ser utilizados por todos é um imperativo social. Isto inclui a instalação de dispositivos com comandos de voz, teclados em braille e uma altura acessível para pessoas em cadeiras de rodas. O compromisso para melhorar a acessibilidade dos ATM para pessoas com deficiência é um indicador importante do nível de civilização e inclusão de um sistema financeiro. Por fim, um tema sempre atual é o das comissões sobre os levantamentos, especialmente para quem levanta em caixas de outros bancos, um custo que pode pesar significativamente nos orçamentos familiares e que exige transparência por parte das instituições.

Conclusões

disegno di un ragazzo seduto a gambe incrociate con un laptop sulle gambe che trae le conclusioni di tutto quello che si è scritto finora

A era digital não está a decretar o fim dos ATM, mas sim a acelerar a sua evolução. De simples dispensadores de dinheiro, estes dispositivos estão a transformar-se em sofisticados pontos de acesso a serviços financeiros, atuando como uma ponte crucial entre o mundo físico e o digital. Num contexto como o italiano, caracterizado pela coexistência de um forte impulso inovador e uma ligação enraizada à tradição do dinheiro, o papel do ATM torna-se ainda mais estratégico. Eles não só respondem à persistente procura de dinheiro líquido, mas também oferecem serviços avançados a uma população cada vez mais digitalizada.

Além disso, perante a desertificação bancária que afeta as áreas mais frágeis do país, os ATM erguem-se como um baluarte contra a exclusão financeira, garantindo um serviço essencial para comunidades inteiras. O seu futuro dependerá da capacidade de integrar cada vez mais novas funcionalidades, de reforçar a segurança e de garantir uma acessibilidade universal. O ATM, portanto, não é uma relíquia do passado, mas um protagonista ativo e indispensável do presente e do futuro do sistema de pagamentos.

Perguntas frequentes

disegno di un ragazzo seduto con nuvolette di testo con dentro la parola FAQ
As caixas Multibanco (ATM) vão desaparecer por causa dos pagamentos digitais?

Não, as caixas Multibanco não vão desaparecer, mas estão a mudar radicalmente o seu papel. Embora o uso de pagamentos digitais em Itália tenha superado o do dinheiro em 2024, os ATM estão a evoluir de simples distribuidores de dinheiro para verdadeiros ‘hubs’ de serviços multifuncionais. Esta transformação é necessária para se manterem relevantes num contexto onde o encerramento de balcões bancários, fenómeno conhecido como ‘desertificação bancária’, deixa muitos cidadãos, especialmente idosos e residentes de pequenos municípios, sem um ponto de referência físico. Os ATM modernos oferecem, de facto, serviços avançados como pagamentos de faturas, carregamentos, consulta de saldos, transferências e, em alguns casos, até a compra de bilhetes ou a solicitação de produtos bancários.

É possível levantar dinheiro sem ter o cartão Multibanco connosco?

Sim, é possível graças ao serviço de levantamento ‘cardless’. Esta função permite levantar dinheiro utilizando o smartphone. Geralmente, o procedimento inicia-se através da aplicação do próprio banco, onde se reserva o montante desejado. A aplicação gera um código temporário (muitas vezes um Código QR) que deve ser utilizado numa caixa ATM compatível para autorizar a libertação do dinheiro. Esta modalidade não só aumenta a conveniência, mas também a segurança, pois elimina o risco de clonagem física do cartão e o roubo do PIN na caixa automática.

Quais são os novos serviços oferecidos pelos ATM de última geração?

Os ATM modernos, ou ‘Smart ATM’, vão muito além do simples levantamento de dinheiro. Estão a tornar-se balcões de self-service avançados, capazes de oferecer uma vasta gama de operações bancárias. Entre os serviços mais comuns estão o depósito de dinheiro e cheques, o pagamento de faturas e de impostos (como os pagamentos ao Estado), os carregamentos de telemóveis e de cartões pré-pagos. Alguns ATM evoluídos permitem também efetuar transferências, consultar o extrato de movimentos, solicitar produtos financeiros como empréstimos ou cartões, e até comprar vouchers e cartões-presente. Esta evolução visa compensar o encerramento dos balcões físicos, oferecendo aos clientes acesso aos serviços bancários 24 horas por dia.

Porque é que em Itália ainda se usa tanto dinheiro?

Apesar do crescimento dos pagamentos digitais, a Itália demonstra uma forte ligação ao dinheiro por razões culturais, demográficas e sociais. Existe um hábito enraizado e uma preferência pela tangibilidade do dinheiro, especialmente entre a população mais idosa, que tem menor familiaridade com as ferramentas digitais. A isto soma-se o fenómeno da ‘desertificação bancária’: o encerramento de balcões e caixas ATM em muitas áreas, sobretudo nos pequenos municípios, torna o dinheiro a única opção viável para muitos cidadãos e pequenas empresas. Embora o uso do homebanking esteja a crescer, a Itália permanece abaixo da média europeia, evidenciando um fosso digital que abranda a transição completa para uma economia sem dinheiro (cashless).

O levantamento contactless ou através de smartphone é mais seguro do que o tradicional?

Sim, as novas modalidades de levantamento são consideradas mais seguras. O levantamento contactless através da tecnologia NFC (a mesma usada para pagamentos com cartão ou smartphone) reduz drasticamente o risco de ‘skimming’, ou seja, a clonagem do cartão através de dispositivos ilegais inseridos na ranhura do ATM. Da mesma forma, o levantamento ‘cardless’ via aplicação elimina completamente o uso físico do cartão na caixa. A autenticação ocorre através do smartphone, que é protegido por PIN, impressão digital ou reconhecimento facial, adicionando um nível de segurança adicional e mais robusto em comparação com o simples código PIN do cartão.

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