Em Resumo (TL;DR)
Desde as fraudes mais comuns, como o phishing, às técnicas mais sofisticadas, este guia completo oferece-lhe todas as ferramentas para reconhecer, prevenir e defender-se eficazmente das fraudes relacionadas com cartões de pagamento.
Exploraremos o modus operandi dos burlões e fornecer-lhe-emos um guia prático com as contramedidas a adotar para proteger as suas poupanças.
Por fim, descubra o que fazer e a quem recorrer se for vítima de uma fraude para proteger a sua conta e recuperar os fundos.
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O uso de cartões de pagamento tornou-se um gesto quotidiano, unindo a tradição da troca de valor à necessidade moderna de transações rápidas e digitais. Seja para um café, as compras semanais ou uma compra online, a conveniência é inegável. No entanto, esta evolução abriu portas a novas ameaças: as fraudes. Num contexto como o português e europeu, onde a cultura mediterrânica se entrelaça com a inovação tecnológica, compreender e enfrentar este fenómeno é fundamental para proteger as nossas economias pessoais e a confiança no sistema digital.
Os cibercriminosos aprimoram constantemente as suas técnicas para subtrair ilicitamente dados e dinheiro. Reconhecer os sinais de uma burla, adotar medidas preventivas e saber como agir em caso de fraude são competências essenciais para quem utiliza um cartão de débito, crédito ou pré-pago. Este artigo oferece um guia completo para navegar com segurança no mundo dos pagamentos eletrónicos, fornecendo ferramentas práticas para se defender e manter o controlo das suas finanças.

O panorama das fraudes com cartões em Portugal e na Europa
As fraudes com cartões de pagamento representam uma ameaça concreta e em contínua evolução. Segundo dados do Banco de Portugal, embora a incidência de fraudes em relação ao total das transações permaneça contida, os valores absolutos são significativos. Em 2024, as transações fraudulentas com cartões de pagamento em Portugal atingiram os 33 milhões de euros. Este dado, apesar de mostrar um crescimento contido em comparação com as transferências bancárias, evidencia uma pressão constante sobre o sistema. As operações à distância, como o comércio eletrónico, confirmam-se como as mais expostas ao risco.
A nível europeu, o quadro não é diferente. A Diretiva de Serviços de Pagamento (PSD2) introduziu padrões de segurança mais elevados, como a Autenticação Forte do Cliente (SCA), para combater as fraudes. No entanto, os criminosos adaptam-se, explorando técnicas de “manipulação do pagador”, onde a vítima é induzida por engano a autorizar um pagamento. Estas fraudes, baseadas em engenharia social, são particularmente insidiosas. O roubo ou extravio do cartão físico continua a ser uma causa relevante de fraude, mas são as ameaças digitais que mostram o crescimento mais preocupante, exigindo uma vigilância constante por parte dos utilizadores e das instituições.
As diferentes faces da burla: tipologias e modus operandi

As fraudes com cartões de pagamento manifestam-se de múltiplas formas, cada uma com o seu *modus operandi* específico. Os criminosos exploram tanto a tecnologia como a psicologia humana para atingir os seus objetivos. Conhecer as principais tipologias de burla é o primeiro passo para aprender a defender-se eficazmente e proteger as suas poupanças. Desde e-mails enganosos a chamadas fraudulentas, até à manipulação física de dispositivos, cada técnica visa um único propósito: obter os dados do seu cartão.
Phishing e Smishing: o isco digital
O phishing é uma das burlas mais difundidas e baseia-se no envio de e-mails que parecem provir de fontes fidedignas, como bancos, transportadoras ou serviços online conhecidos. Estas mensagens, muitas vezes caracterizadas por um tom alarmista, levam a vítima a clicar num link que conduz a um site clonado. Uma vez no site falso, o utilizador é convidado a inserir os seus dados pessoais e as credenciais do cartão, entregando-os diretamente aos burlões. O smishing é a variante que utiliza os SMS como veículo do ataque. Uma mensagem no telemóvel, que notifica um suposto problema na conta ou uma encomenda em entrega, convida a clicar num link malicioso, com as mesmas finalidades do phishing. Para se proteger, é essencial aprender a reconhecer estas tentativas de phishing e smishing.
Vishing: a burla por via telefónica
O vishing, termo que nasce da fusão de “voice” e “phishing”, é uma burla que ocorre por telefone. Os criminosos fazem-se passar por funcionários de bancos, representantes das forças de segurança ou de empresas emissoras de cartões de crédito. Contactam a vítima relatando supostas atividades suspeitas na conta ou no cartão. Com hábeis técnicas de manipulação psicológica, convencem-na a revelar dados sensíveis como palavras-passe, códigos PIN ou os números do cartão, ou a autorizar operações que na realidade são fraudulentas. Muitas vezes, os burlões já possuem algumas informações básicas sobre a vítima, tornando a chamada ainda mais credível. Nunca confie em quem pede dados confidenciais por telefone: o seu banco nunca os solicitará desta forma. Este tipo de burla é conhecido como vishing, ou seja, a burla telefónica.
Skimming e Shimming: o roubo físico dos dados
O skimming é uma técnica de fraude que envolve a manipulação física de caixas automáticas (ATM) ou terminais de pagamento (POS). Os criminosos instalam um dispositivo, o *skimmer*, na ranhura de inserção do cartão para copiar os dados da banda magnética. Simultaneamente, uma microcâmara escondida ou um teclado sobreposto regista o PIN digitado pelo utilizador. O shimming é uma versão mais evoluída que visa os cartões com chip, inserindo um dispositivo finíssimo, o *shimmer*, no leitor para intercetar os dados. Para se proteger, é uma boa prática verificar sempre se a caixa automática não apresenta anomalias ou peças postiças antes de inserir o cartão e cobrir sempre o teclado com a mão enquanto digita o PIN. Para mais detalhes sobre como se proteger, é útil consultar o guia sobre como reconhecer um ATM adulterado.
Malware e Spyware: o inimigo invisível
O malware e o spyware são softwares maliciosos que são instalados sem o conhecimento do utilizador em computadores ou smartphones. A infeção pode ocorrer ao clicar em links ou anexos em e-mails de phishing, ao descarregar aplicações de fontes não oficiais ou ao navegar em sites comprometidos. Uma vez ativo, um malware pode ter várias funções: um spyware, por exemplo, pode espiar tudo o que faz, registando as suas credenciais de acesso ao home banking ou os dados do cartão de crédito que insere durante as compras online. Os *keyloggers*, um tipo específico de spyware, registam cada tecla premida no teclado. Estas ferramentas invisíveis operam em segundo plano, roubando informações preciosas sem que a vítima se aperceba de nada até ser tarde demais.
Carding e BIN Attack: o assalto aos números
O carding é a atividade criminosa que se baseia na utilização de dados de cartões de crédito roubados para efetuar compras fraudulentas. Os burlões testam a validade dos dados realizando pequenas transações, para depois passarem a valores mais avultados. Uma técnica relacionada é o BIN attack, um tipo de ataque de força bruta em que os criminosos utilizam software para gerar milhares de possíveis números de cartão de crédito a partir de um “Bank Identification Number” (BIN) conhecido, ou seja, os primeiros 6-8 dígitos que identificam a instituição emissora. Uma vez identificado um número de cartão válido, tentam adivinhar a data de validade e o CVV para poderem utilizá-lo. Estas técnicas são frequentemente automatizadas através de bots e representam uma ameaça significativa para o ecossistema dos pagamentos online. Para compreender melhor estas ameaças, é possível aprofundar as técnicas de Carding e BIN Attack.
Burlas emocionais: quando o coração é o alvo
As burlas românticas ou *romance scam* exploram os sentimentos e as vulnerabilidades emocionais das pessoas. Os burlões criam perfis falsos em sites de encontros ou redes sociais, construindo uma relação à distância com a vítima. Depois de estabelecerem um laço de confiança, que pode levar semanas ou meses, inventam histórias complicadas e urgentes: uma emergência médica súbita, um problema de trabalho no estrangeiro ou a necessidade de dinheiro para finalmente poderem encontrar-se com a vítima. Nesse momento, pedem o envio de dinheiro por transferência bancária ou a partilha dos dados do cartão de crédito. Esta forma de burla não causa apenas um dano económico, mas deixa profundas feridas emocionais, explorando a confiança e o desejo de laços afetivos.
Prevenção: a primeira linha de defesa
A melhor defesa contra as fraudes é a *prevenção*. Adotar uma abordagem proativa e consciente na gestão dos seus cartões de pagamento e dos seus dados pessoais reduz drasticamente o risco de ser vítima de criminosos. Não se trata de viver com medo, mas de integrar na nossa rotina digital e quotidiana alguns hábitos simples, mas fundamentais. A segurança do nosso dinheiro depende em grande parte de nós, da nossa atenção e do conhecimento das tecnologias que temos à nossa disposição para nos protegermos.
Proteger os dados com bons hábitos digitais
A proteção dos dados pessoais é o primeiro escudo contra as fraudes. É fundamental nunca partilhar informações sensíveis como PIN, palavras-passe ou códigos de segurança por e-mail, SMS ou telefone. Nenhum banco ou instituição legítima solicitará estes dados por tais meios. Utilize palavras-passe complexas e únicas para cada serviço online, especialmente para o home banking e sites de comércio eletrónico. Desconfie sempre de e-mails e mensagens inesperadas que exijam uma ação urgente: verifique sempre o remetente e não clique em links suspeitos. Por fim, preste atenção ao que partilha nas redes sociais, pois os burlões podem usar essas informações para construir ataques personalizados.
Tecnologias a nosso favor: como usá-las da melhor forma
A tecnologia oferece ferramentas poderosas para aumentar a segurança dos pagamentos. Ative sempre a autenticação de dois fatores (2FA), que exige um segundo código de verificação (geralmente enviado para o smartphone) para autorizar acessos ou transações. Utilize os serviços de notificação por SMS ou aplicação que o seu banco oferece para ser avisado em tempo real de cada operação efetuada com o seu cartão. Para as compras online, considere o uso de cartões virtuais descartáveis ou com plafond limitado, que reduzem o risco em caso de violação dos dados do site de comércio eletrónico. Por fim, mantenha sempre atualizados o sistema operativo e o antivírus dos seus dispositivos para se proteger de malware e spyware.
O que fazer imediatamente se for vítima de uma fraude
Perceber que foi vítima de uma fraude com o cartão de pagamento pode gerar ansiedade e confusão. No entanto, agir com rapidez e método é crucial para limitar os danos e iniciar os procedimentos para recuperar o seu dinheiro. Existem passos bem definidos a seguir que permitem proteger as suas contas e fazer valer os seus direitos. A prontidão é o fator mais importante: cada minuto perdido pode permitir que os burlões realizem mais operações ilícitas.
Bloqueio do cartão e queixa: os primeiros passos fundamentais
A primeira ação a tomar assim que suspeitar ou tiver a certeza de uma fraude é contactar imediatamente o seu banco ou o emissor do cartão para solicitar o seu bloqueio. Cada instituição financeira disponibiliza um número verde dedicado, ativo 24 horas por dia, precisamente para estas emergências. Bloquear o cartão impedirá qualquer utilização não autorizada posterior. Logo a seguir, é necessário dirigir-se às forças de segurança (Polícia Judiciária ou GNR) para apresentar queixa. A cópia da queixa é um documento indispensável que deverá ser anexado ao pedido de reembolso a apresentar ao banco.
O reembolso: como e quando pedi-lo
Uma vez bloqueado o cartão e apresentada a queixa, deve-se iniciar o procedimento de contestação das operações não autorizadas, também conhecido como *chargeback*. É necessário preencher um formulário de contestação fornecido pelo banco, anexando a queixa. De acordo com a normativa europeia PSD2, transposta em Portugal, em caso de operação não autorizada, o banco é obrigado a reembolsar imediatamente o montante subtraído, o mais tardar até ao final do dia útil seguinte à notificação. O banco só pode recusar o reembolso se provar que o cliente agiu com dolo ou negligência grave, por exemplo, guardando o PIN juntamente com o cartão ou comunicando as credenciais a terceiros. O prazo para contestar uma operação é de 13 meses a contar da data do débito.
Conclusões

As fraudes com cartões de pagamento são um fenómeno complexo que une a tradição criminal e a inovação tecnológica. Num contexto como o português, fortemente enraizado nos hábitos mas projetado para o digital, a consciencialização é a chave. Proteger-se não significa renunciar à conveniência dos pagamentos eletrónicos, mas sim aprender a usá-los com inteligência e prudência. Reconhecer as técnicas dos burlões, do phishing ao skimming, adotar boas práticas de segurança como o uso de palavras-passe robustas e da autenticação de dois fatores, e saber como reagir prontamente em caso de fraude são as armas mais eficazes à nossa disposição. A colaboração entre utilizadores, instituições bancárias e forças de segurança, aliada a uma normativa europeia que protege os consumidores, cria um ecossistema mais seguro para todos, permitindo-nos abraçar o futuro dos pagamentos sem receio.
Perguntas frequentes

Se notar um débito que não reconhece, a primeira e mais importante ação é bloquear imediatamente o seu cartão. Pode fazê-lo através da aplicação do seu banco, do serviço de home banking ou ligando para o número verde dedicado, ativo 24 horas por dia. Logo a seguir, contacte o seu banco para contestar a operação e iniciar o procedimento de reembolso. Por fim, apresente uma queixa às autoridades competentes, como a Polícia Judiciária, para formalizar o ocorrido.
Reconhecer um e-mail de phishing é possível prestando atenção a alguns sinais. Verifique sempre o endereço do remetente, que muitas vezes parece legítimo mas contém pequenos erros ou provém de um domínio genérico. Tenha atenção aos tons alarmistas que o incitam a agir com urgência, como a ameaça de bloquear a conta. Não clique em links suspeitos; passe o rato por cima para ver o URL real. Por fim, lembre-se que o seu banco nunca lhe pedirá para fornecer palavras-passe, PIN ou dados sensíveis por e-mail.
Sim, os pagamentos contactless são considerados muito seguros. Cada transação utiliza um sistema de encriptação avançado que protege os dados do cartão. Além disso, para valores superiores a um determinado limite (geralmente 50 euros na Europa), é necessária uma autenticação adicional, como a inserção do PIN ou o desbloqueio através de reconhecimento biométrico no smartphone. A tecnologia NFC (Near-Field Communication) funciona apenas a uma distância muito curta, tornando extremamente difícil a interceção dos dados por parte de pessoas mal-intencionadas.
Em geral, sim. A normativa europeia PSD2, transposta em Portugal, prevê que o banco reembolse o cliente por operações não autorizadas. A instituição de crédito é obrigada a devolver o montante, a menos que consiga provar que o cliente agiu com dolo ou ‘negligência grave’, por exemplo, guardando o PIN juntamente com o cartão ou comunicando voluntariamente as suas credenciais a terceiros. Para as operações fraudulentas ocorridas antes do bloqueio do cartão, poderá ser aplicada uma franquia máxima de 50 euros a cargo do cliente.
Guardar os dados do cartão pode ser conveniente, mas aumenta os riscos em caso de ataque informático ao site do comerciante. Para maior segurança, é aconselhável utilizar esta função apenas em sites de comprovada fiabilidade e que utilizem o protocolo HTTPS. Uma alternativa válida é o uso de carteiras digitais (wallets) como PayPal, Apple Pay ou Google Pay, que não partilham diretamente os dados do seu cartão com o vendedor. Outra excelente estratégia é utilizar cartões virtuais ‘descartáveis’ fornecidos por muitos bancos, que geram um número de cartão válido para uma única transação.

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